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Roguelike Games
por Nemo Nox

Tudo começou há muitos anos com um joguinho despretensioso, chamado Rogue, programado em Amsterdam, no Stichting Mathematisch Centrum, para o sistema operativo Unix. Em seguida, foi adaptado para PC e rebatizado como Hack. Naquela época, antes do lançamento do Windows, quando ninguém sonhava com placas gráficas 3D, o jogo exigia somente 256K de memória e rodava em MS-DOS 2.0.

Mas o que era o jogo? Livremente inspirado no RPG Dungeons & Dragons, Hack trazia um aventureiro explorando calabouços, cada vez mais profundos. O objetivo era matar monstros, acumular itens mágicos, e fazer o personagem ficar mais poderoso para algum dia poder enfrentar o grande vilão que habitava o último nível do calabouço. Claro que nada disto aparecia em gráficos como nos jogos de hoje, e tudo era representado por caracteres ASCII, no mais glorioso preto e branco. O personagem controlado pelo jogador era um @, as paredes eram #, os tesouros apareciam como $, e os monstros vinham nas mais variadas letras (r era um rato, k era um kobold, e assim por diante).

Moria
Mesmo depois de recursos mais avançados aparecerem, os apreciadores deste tipo de jogo não perderam o interesse. Pelo contrário, a simplicidade e a abertura para a imaginação continuavam sendo o maior atrativo. A comparação óbvia é com livros e filmes: um dragão de cinema, por melhores efeitos especiais que tenha, nunca será tão assustador como os das histórias escritas, que contam com a imaginação do leitor para criar a imagem.

Assim, o gênero evoluiu e ganhou um nome: Roguelike Games (jogos do tipo Rogue). Uma vertente seguiu a linha descompromissada e mais divertida do Hack original, e assim nasceram Hack Lite, NetHack, NhPlus, e vários outros. No fundo, é o velho Hack com alguns recursos melhorados. O jogador vai se aventurando cada vez mais fundo no calabouço, cada novo nível sendo gerado aleatoriamente na entrada. E os personagens, apesar de permitirem escolhas "sérias" como um Samurai ou uma Valquíria, trazem também o bom humor, como um aventureiro Turista (usando camisa havaiana como armadura e câmara fotográfica como arma).

Angband
Em outra vertente, o jogo evoluiu para uma visão mais fiel à ficção de J.R.R. Tolkien, autor de O Hobbit e da trilogia O Senhor dos Anéis. Jogos como Moria ou Angband, mantendo o esquema tradicional do Hack, acrescentaram muito mais profundidade à história e uma coleção de itens e monstros saídos diretamente das páginas tolkienianas. A jogabilidade também foi aperfeiçoada, tornando os jogos cada vez mais elaborados, mas ainda fiéis ao ASCII. Tanto Moria (que é o nome de uma cidade-caverna construída pelos anões de Tolkien) como Angband (fortaleza-prisão de Morgoth, grande vilão de O Silmarillion) ganharam uma interface para Windows, mas mesmo com ela permanecem os @ lutando contra as letrinhas do alfabeto.

Os Roguelike Games são para quem leva os jogos a sério, prefere jogabilidade à perfumaria dos gráficos e dos sons de última geração, e gosta de desafios. As partidas são difíceis, perigos espreitam os personagens em cada esquina, e as ameaças são proporcionais às recompensas. E nada de salvar os jogos para experimentar estratégias diferentes: se o personagem morreu, é fim de jogo e hora de recomeçar do zero.

ADOMAinda hoje, os aficcionados continuam jogando todos estes RPG em ASCII. E um sinal claro que o gênero está mais vivo que nunca é o jogo Ancient Domains Of Mystery (ADOM), o melhor e mais recente Roguelike Game, que possui uma legião fiel de jogadores e que continua sendo aperfeiçoado por seu autor, Thomas Biskup. ADOM segue a linha visual do antigo Hack, mas distancia-se de todos os outros jogos do gênero em vários aspectos. Em vez de um calabouço com vários níveis, oferece um mapa com florestas, montanhas, rios, diversas cidades e uma grande quantidade de calabouços, cada um deles com características próprias e vários níveis a serem explorados. ADOM deixa de lado também o universo de Tolkien (na medida do possível, é claro, pois quem consegue criar fantasia épica sem influências do mestre?) e coloca a história num ambiente próprio.

Se depois de ler tudo isto você ficou com vontade de experimentar este gênero, aqui vai uma boa notícia: todos os jogos são gratuitos! Faça o download, embarque na aventura e leve o seu @ à glória.


 

© 1998-1999 Nemo Nox