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23/07_ Hectorama #18
_ Hector Lima
CRTL, Alt + Del Enquanto esperava o computador fazer a verificação de
erros pra ser reinicializado depois de um desligamento direto no botão
(porque havia travado de novo) fui lá fora tomar um ar, ver o
movimento.
O Sol se punha num fim de tarde estranho, uma daquelas bolhas de calor
que aparecem bem no meio do inverno. Um vento só meio frio se
revezava com outro seco vindo do Noroeste que deixava o ar abafado e
dava a impressão de estar tudo meio parado, em suspensão.
Alguns poucos raios de luz ainda chegavam por umas pequenas frestas
entre as nuvens pesadas que se juntaram numa massa cinza-azulada e toda
frisada pelo ar que não parava de correr, sempre em velocidades
diferentes. À frente desse paredão outros flocos menores
eram levados como se alguma coisa estivesse prestes a acontecer.
Não devia ser um tempo muito bom pra voar, eu pensei com o pescoço
esticado pra cima, e na mesma hora percebi um avião atravessando
a cidade, suas luzes piscando sem parar. Parecia lento e pesado, mas
seguiu adiante como se fosse um míssil de brinquedo até
sumir atrás de uma das nuvens menores. Não me canso de
me admirar com um trambolho desses, voando com uma certa graça.
Avião comercial, com luzes e tudo, é um treco urbano demais.
É um ônibus intermunicipal maior e mais caro.
E imaginei o bicho desviando e descendo na minha direção,
cada vez maior e mais rápido, se espatifando nos prédios
à minha frente, as asas e turbinas se espalhando, vindo na minha
direção com outros pedaços de fuselagem. Não
ia ter pra onde correr.
Fui pra dentro e apertei o ESC pra ignorar a senha do Windows. Tomei
um copo de suco e comi uma paçoquinha. Na rua crianças
eram levadas da escola pra casa pelos pais e funcionários do
comércio das redondezas começavam a ir embora. A gata
tentava arrastar com a pata um filhote de lagartixa escura, sem rabo
e morto há horas. Uma luz de poste se acendeu na rua; um cara
de macacão azul e capacete estava em cima de uma escada mexendo
na fiação. Dava pra ouvir o vento assobiando em alguns
lugares. Uns passarinhos aqui e ali tentavam manter o vôo pra
se abrigar.
Escrevi mais um pouco da coluna e deixei ligado o Soulseek,
programinha pra se fazer troca de arquivos muito simpático. Tem
músicas e filmes difíceis de se achar no Kazaa
Lite. Entre tantas outras coisas procuro uma música de uma
banda meio gótica que ouvi há mais de 5 anos e cujo nome
nunca soube. A melhor pista que tenho são os grupos Miranda
Sex Garden e Pink
Industry.
Até baixei o demo do Music
Masterworks, um editor de músicas na linha do Cake
Walk. Porque sempre quis fazer minhas musiquetas e pra ver se consigo
reproduzir um trecho da dita que estou procurando. Mas tem algo errado
com o gerador de MIDI do meu micro porque tem sons que não consigo
ouvir aqui.
Foi com o Soulseek que achei finalmente um dos desenhos do Catatau Maluco
que o John "Ren
& Stimpy" Kricfalusi fez para o Cartoon
Network mas que só passaram uma vez. Mas não consegui
ouvir porque nenhum dos meus players de video roda arquivos do tipo
avi direito (falta som), só mpeg mesmo. Então peguei um
software que converte avi pra mpegs, mas não aceitou fazer a
troca. Pra abrir esse software que acabou não servindo pra nada
baixei o CAM
UnZip porque havia deletado o Winzip
numa ânsia por limpar o micro de tranqueiras fora de uso.
Quando ouvia a uma das músicas que tinha acabado de baixar o
micro travou. Desliguei direto minha caixona beje depois de dar uma
porrada na CPU (teria de fazer verificação de erros quando
ligasse de novo, se tivesse saco). Achei melhor ir levar o lixo pra
fora e dar uma caminhada por aí. Faz bem pra cabeça sair
a pé nessa hora, se você não tem pressa pra ir a
lugar algum. Ver um pouco de movimento deixa até a impressão
que essa cidade está mais fora da UTI do que se imagina.
Quando voltei brinquei um pouco com a gata, porque ela precisa e porque
é divertido. Ela corre atrás do cordão como uma
alucinada, e pula a mais de um metro de altura com o impulso das patas
traseiras de vez em quando. Às vezes ela dá umas cambalhotas
no chão tentando pegar pegar a corda.
Acho que é o processador lento também que ajuda nos travamentos.
Uma seqüência de links apertados em velocidade, com uma música
em MP3 tocando, é capaz de fazer tudo congelar como se pedisse
arrego. Quando puder vou trocar por outro mais rápido. "O
sistema se encontra ocupado ou não está respondendo".
Ah tá, então tchau.
Então, que vai ter no episódio do 24
de hoje? Falta pouco pra acabar. Pô, assistir já sabendo
quem é o traidor e quem morre no final tira mesmo uma parte da
graça. Aqueles sanduíches que como enquanto via o seriado
estavam bons. De noite o vento quente fez o céu abrir mas ainda
havia nuvens apressadas indo embora. A Lua quase cheia. Não vai
chover mesmo.
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Mapeando com risco de giz
Dia desses a Flávia
me disse que tentou achar antigos conhecidos de escola pelo Google
sem sucesso. E me perguntou se era o povo que sumia ou ela que era muito
nerd. "Você que é muito nerd," eu disse rindo.
Nesses tempos em que a internet está começando se uma pessoa
não trabalha com ela, ou com algo que seja coberto com facilidade
pela rede, não vai aparecer em ferramenta de busca sempre.
Mas ficou um pouco mais fácil achar conhecidos, desde que eles
já se tenham rendido ao ato de postar num weblog. Daniel
de Pádua, como você já deve saber por
esta matéria, colocou em prática uma idéia
ridícula de simples, (daquelas que fazem a gente bater na testa)
e apareceu o Blogchalking.
Dois scripts pra você colocar no seu blog, fornecidos pelo
site. Um é uma imagem que mostra alguns dados seus, como
localidade, quando se passa o mouse por cima. Outro é um meta
tag que fica bem no começo do código de HTML do seu blog
com esses os dados. E os mesmos postados numa mensagem.
É bico: depois do cadastro, da inclusão dos scripts e
da postagem é só ir no Google ou no Daypop
(uma central de busca de blogs), escrever "blogchalk" e o
nome da localidade onde se quer achar pessoas; nome, língua e
idade funcionam também. Esses sites combinam a busca por texto
no site com a tags, por isso o a busca fica tão fácil.
Parece que só demora um pouco pros serviços cadastrarem
os sites, o que explica o meu
blog ainda não ter aparecido (fora as poucas visitas que
ele tem).
O conceito é baseado no Warchalking,
que por sua vez é baseado no ato de sem-tetos
gringos marcarem com giz lugares por onde passam pra avisar outros
onde tem comida de graça ou qual lugar é perigoso. Uma
forma de manter o senso de comunidade em movimento, por assim dizer.
O Daniel da noite pro dia viu gente do mundo todo se cadastrando e
escrevendo pra elogiar e dar sugestões. Ele está aperfeiçoando
os scripts e comenta as novidades no blog
do Blogchalking. Muita coisa ainda pode acontecer com essa idéia,
mas legal sacar que scripts em geral podem ter a versatilidade de um
programa. E ver como algo low-tech, gratuito e criado fora do ambiente
corporativo pode ser o começo de uma evolução maior.
Com aplicação prática na vida desconectada de muita
gente, o que talvez seja o mais importante.
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Se você não achou a revista
Play #4, por sinal cheia de artigos legais, na sua cidade escreva
e peça a sua.
E se tentou ler a coluna
sobre o Episódio II e não conseguiu tente de novo por favor que deu um rolo com as urls na ocasião.
Discuta esta coluna na Play_List
ou no Fórum
do Escritório.
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Hector Lima
[ + ] Hectorama: 17/07_ Hectorama #17 01/07_ Hectorama #16 21/06_ Hectorama #15 14/06_ Hectorama #14 05/06_ Hectorama #13
[ + ] colunas: 23/07_ Hectorama #18 18/07_ Cobaia 900 17/07_ Hectorama #17 16/07_ Viridiano VIII 06/07_ Quando Eu Era Um Alien XI
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