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17/07_ Hectorama #17
_ Hector Lima
Com Licença, Vou ser Nerd
Alguns dos meus rabiscos infantis que não se pareciam mais
com as "figuras de pauzinhos" eram continuações
de cenas de filmes que eu havia acabado de assistir no cinema. Mais
ou menos em 1984 já tinha uma coleção de pin-ups
em folhas de sulfite na horizontal, onde várias pequenas situações
aconteciam ao mesmo tempo. O mais perto que eu havia chegado de fazer
Histórias em Quadrinhos.
Um dos meus temas preferidos era refazer cenas de O
Retorno de Jedi, principalmente o resgate de Han Solo e da
princesa Leia no flutuador de Jabba, o Hutt, feito por Luke Skywalker
empunhando seu sabre de luz logo no começo do filme (que sempre
foi uma boa cena de ação). O mais engraçado era
que os personagens estavam quase sempre de lado, como num hieróglifo
egípcio, porque eu não conseguia desenhá-los
de frente.

Na época as fitas de VHS pirata eram o jeito mais rápido
de se ver um filme que se havia perdido no cinema. Não tinha
vídeo em casa ainda e numa ocasião minha mãe
me levou até a casa de uns amigos para assistirmos a dois filmes
pirateados: O
Império Contra-Ataca e Os
Caçadores da Arca Perdida. O primeiro era o que eu,
única criança ali presente, mais queria ver. Os adultos
só queriam saber do Indiana Jones, desconhecido pra mim e que
realmente devia ser chato.

Não lembro se já tinha assistido ao primeiro Guerra
nas Estrelas na extinta Rede Manchete (atual RedeTv!
ou "Errei de TV"), mas que arqueólogo que nada, eu
queria é saber de naves no gelo, lutas de sabre de luz entre
Luke e Darth Vader ("aii, Darth Vader cortou a mão do
Luke fora! E é o... pai dele?!"), Han Solo congelado em
carbonite, a cidade das nuvens. No final das contas acho que todo
mundo gostou dos dois filmes. Vamos e venhamos, a primeira aventura
de Indiana Jones é bem legal. Mas eu me disperso.
Foi um daqueles filmes-eventos
que marcaram uma geração bláblábá,
com bonecos articulados e figurinhas e tudo mais. Depois que descobri
que na feira perto de casa vendiam umas espadas de plástico
não me cansava de fazer duelo (mesmo que elas não se
parecessem nem um pouco com sabres de luz) com um amigo que agora
muito provavelmente deve estar arrancando o tumor de alguém
num hospital enquanto digito isso. Deve ser assunto pra uma coluna
mais elaborada, mas apesar de os filmes hoje fazerem mais bilheteria,
é tanta coisa sendo lançada - e querendo render mais
que as anteriores - que não há um fenômeno de
filme-pipoca muito duradouro, tal a forma como nossas atenções
ficam esparsas entre vários produtos hoje.
Ainda que a saga
de capa-e-espada interplanetária criada pelo George Lucas
se encaixe de uma forma certa demais no esquema
da Jornada do Herói de Joseph Campbell, ou já
tenha sido vista como uma história sobre "como
um menino cresce e ganha um pênis", eu gosto pra caramba
da série original. Em toda a sua cafonice visual e sua breguice de
novela mexicana no espaço. Talvez seja o máximo de enredo
de fantasia que eu agüente; nem me animei a ver o Senhor
dos Anéis no cinema, mesmo sabendo que os efeitos na
TV não são a mesma coisa. Intrigava a molecada a história
de como Anakin Skywalker havia se entopecido pelo lado negro da Força
e o que seria as tais Guerras Clônicas (o nome usado
na época).
Talvez pelo fato de os atores já estarem em outra e também
meio passados, Tio Lucas do Papo Grande preferiu fazer uma preqüela,
como dizem em Portugal. Faz pouco tempo fui todo empolgado assistir
ao Episódio
II com a Flávia.
Já havia achado o Episódio
I fraquinho - no máximo uma boa matinê - então
que esse mostra o Dartinho maior e mais perto da corrupção
total só podia ser melhor, certo? Puxa vida, ainda mostrava
a "origem do Bobba Fett". Não vejo graça em
ir asssitir a um show vestindo a camisa da banda que vai tocar, mas
quase fui com minha camisa com a cara do Vader.
Que decepção esse "Ataque dos Clones".
Um dos filmes mais chatos do ano. Se marcar até o Star
Trek
novo é menos mala. Vai ver os
filmes criados pelos fãs de Star Wars podem ser
bem mais legais. Ainda bem que fomos numa seção mais barata. Tentei
dar colher de chá mas nem assim desceu redondo. Tio Lucas perdeu a
mão de vez; esse é pior que o Ameaça Fantasma e tem
só umas 3 ou 4 cenas legais. Minha preferida é quando Obi-wan
tenta impedir Jango Fett de fugir do planeta dos clones. O ritmo é
todo desencontrado. O enredo não tem a mínima graça (não
conheço uma única pessoa que tenha se interessado pela
suposta intriga política sem sal que serve de mote para a ação).
O processo do irritante Anakin virar Darth Vader fica em segundo plano;
até o romance insosso com a rainha-senadora Amidala - que não
envelhece - é mais interessante. Tem duas mortes no filme dignas
de teatro infantil. É só jogar a cabeça pro lado que tá beleza. Um
amigo bem lembrou que o Mark Hammill nunca foi lá grande coisa,
então deve ser uma tradição entre os Skywalkers. Além de não saber editar, o Lucas não sabe dirigir atores. Esqueceu
mesmo como se dirige qualquer coisa: se fosse esperto, teria contratado
outros caras pra dirigirem a última parte. Um aparte: David
Lynch recusou
a direção de O Retorno de Jedi pra fazer Duna;
por mais que este seja mais ou menos acho que ele saiu ganhando porque
frila por frila ele teve uma pequena liberdade de mexer no visual).
O Christopher Lee é outro ator bem chutado nesse filme (tá, ele sempre
foi canastra), além de ser um vilão meia-boca, e quem
está melhorzinho - ainda que no piloto automático e bem mais canastra
- é o Ewan McGregor; o planeta dos clones e os robôs são legaizinhos,
vá. Até que enfim o Samuel Jackson trabalhou um pouco. Senti falta
do Jedi pescoçudo que a Phoebe ficava olhando no Movie Awards.
Uns efeitos são bons, outros bem meia-boca; em alguns momentos
as imagens de computador são duras demais, um problema que
aconteceu também no Homem-Aranha
e no Harry
Porter. Tudo bem, o "Yoda
é foda", como eu ouvi a vida toda e fizeram questão de provar isso,
mas a cena de ação com o Meio Quilo para rir feita foi (o cinema veio
abaixo na hora da luta e quando pega a bengala). E, cacete, o Yoda
sente a dor da hemorróida do Anakin lá noutro planeta, mas não sente
a porra do Palpatine Michel Temer todo ruinzão ali do lado. OK, como
outra amiga lembrou "o lado negro da Força a tudo encobre",
mas que dá nervoso dá.
Deve ter alguém na Lucasfilm
que sabe português, não é possível. Depois
da Rainha Amídala e do Comandante Panaca nesse tem agora o
Conde do Cu e o Mestre Jedi Se Fodias (logo quem eu mais queria ver).
Eu não via a hora de acabar aquela enrolação
sem fim que mal é a Guerra dos Clones em si. Depois de ficar
com a bunda quadrada nesse daí eu aturava o Titanic
de novo numa boa. O terceiro e último da série vai ser
muito bom ou uma merda completa. De qualquer forma é muita
história pra se contar em pouco tempo. E o mocinho vai virar bandido,
então vai ser pelo menos interessante porque vai ter um final
triste. Ou vai ter um herói novo, sei lá.
Mas de que isso tudo importa? O pessoal está indo ver o que
quer: um filme-pipoca seguindo o riscado, sem surpresas. É
uma puta diversão? Pra quem não achou chato até
a morte deve ser.
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Que diacho, o
fórum do Warren Ellis vai fechar em Outubro, logo depois que sair
o último Transmetropolitan.
O Velho Bastardo
se encheu, quer viajar e diz que a bagaça já cumpriu seu papel. Tá
certo, em quatro anos o lugar ajudou
a tirar uma editora da falência, levantou vendas de títulos quase
desconhecidos, arrumou ajuda legal pra artistas bem como trampo, casa
pra nego morar, novos namorados e namoradas pra outros tantos e saíram
até uns casamentos.
Além de ser a comunidade online mais influente da HQ gringa - onde
estouraram muitas notícias - foi onde eu mais aprendi sobre "as
internas" do meio (e isso pra mim é importante). Existem
hoje, brincando, uns 20 fóruns novos - ou mais - criados na esteira
do WEF,
como é chamado (incluindo o FEN,
hehehehe) e o povo vai se espalhar por eles. Claro que não vai ser
a mesma coisa que ter a orelha puxada pelo careca enfezado do sul
da Inglaterra.
Mas o sujeito quer sair da Matrix e eu não o culpo. Ao menos
diz que vai viajar pra caramba. Se isso significar mais paradas em
Hollywood pra vender uns roteiros tanto melhor.
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Se você tem um weblog e se interessa pelas novidades desse "meio",
dê uma olhada no Blogchalking.
Se não entender nada, leia
a matéria do Augusto. Os diários da internet mapeados
com marca de giz. Mais sobre o assunto semana que vem.
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Entre os vários bons motivos pra você comprar a revista
Play #4, destaco estes: "Phillip K. Dick. No mês em que Blade
Runner completa vinte anos de idade e o filme Minority Report
(de Steven Spielberg, com Tom Cruise) estréia nos EUA, contamos a
história do autor destas duas histórias e muitas outras. No mundo
do escritor de ficção-científica Phillip K. Dick, andróides, robôs
e mutantes convivem com seres humanos, cada vez mais presos na paranóia
dos estranhos dias do futuro eletrônico".
E:
"Independente do gênero ou estilo, a música está presente na
vida de todos. Mas, como tudo no começo deste novo século, ela vem
mudando: da transmissão de arquivos de som pela internet às facilidades
em se fazer um disco sem sair do próprio quarto, passando por DJs,
coletivos eletrônicos e bandas virtuais; a indústria fonográfica,
artistas e público sentem, na pele, o vento da transformação. E todas
estas transformações estão diretamente ligadas a nova era do entretenimento
eletrônico.
Por isso, em sua quarta edição, a revista PLAY ordena esta nova realidade
global, elegendo os 50 artistas mais importantes do planeta atualmente,
entre músicos, produtores, DJs e multiinstrumentistas, reunindo nomes
tão diferentes quanto O Rappa, Korn, Chemical Brothers, Björk, os
Osbournes, Eminem, Foo Fighters, DJ Patife, Gorillaz, Nação Zumbi,
Daft Punk, Moby e Kelly Key. Além destes, a revista ainda elege 20
brasileiros ainda desconhecidos do grande público, mas que estão sincronizados
com a nova realidade da música pop."
Colei o release mesmo. Às vezes precisa.
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A transferência do Entretenimento
Eletrônico na para o novo diretório http://www.pl4y.com.br
fez com que a coluna fosse deletada do sistema (terá sido praga
dos fãs de Star Wars?). Algumas pessoas conseguiram ver pelo
link anterior, que depois da confusão acabava levando a um
outro texto. Coisas da internet. Desculpas a quem tentou e não
conseguiu. Tudo está ok agora.
Hector
Lima
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