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21/06_ Hectorama #15
_ Hector Lima
Os anos 80 devem morrer  | | Manta e Moray | Fiquei contente quando me mostraram o site Toonfic
(aparentemente fora do ar, então tente este
outro feito por fã). Vários desenhos a que eu assistia
na TV quando criança estão catalogados lá. Estava
interessado em achar algo da produtora Filmation, aquela que adaptou
muitos personagens conhecidos e criou outros, hoje escondidos no sotão
da memória de muita gente: Manta
e Moray, Homem-Boracha
e Mini-Mini, Mulher-Aranha,
por exemplo. Todas as séries (fossem animadas ou com atores,
como a gatinha Poderosa
Ísis) da Filmation eram meio bizarras e usavam conceitos
e seqüências de animação reaproveitados.
Quando me sobrar (mesmo) uma grana provavelmente vou caçar cópias
dessas tranqueiras e ver como deviam ser ruins, chatas e provavelmente
repetitivas. Nossa memória dessas diversões costumam ser
melhores do que elas jamais foram. Mas não duvido se algumas
delas já estejam com seus direitos comprados pra um revival.
Porque uma das frentes de entretenimento que mais tem dado dinheiro
no Ocidente é a reciclagem dos anos 80, quando boa parte desses
desenhos apareceu na TV; na brasileira pelo menos. Você já
deve ter ouvido falar: "a década de 80 voltou!" Eu
digo: "em nome de Deus, pra quê?"
É que eu odeio os anos
80.
Não todo eles como um todo, mas sua volta como moda. Não
se iluda, essa volta era esperada, desejada e programada. Afinal os
anos 90 afinal não foram os
70? Pra mim foi um período em que se reciclou muitas décadas,
mas a de 70 predominou. De olho nisso, e no fato de que os 80 começaram
há mais de vinte anos (o que garante sua "longevidade"),
muita gente que produz decidou que é legítmo pegar esse
período e colocar na prateleira.
Ironicamente foi nessa década em que se viu mais claramente outras
sendo recicladas (os anos 40, 50 e 60 foram espalhados entre 1981 e
1990). A reciclagem da reciclagem, o re-retro-futurismo (seu nariz já
começou a sangrar?). É pra se pensar oque vem por aí
em termos de cultura de massa. Um vácuo interdimensional? Um
buraco negro em que se recicla o presente constante (opa)? Nostalgia
do futuro? Não, de outra década mesmo, analisada por meia
dúzia de pessoas, classificada, empacotada e revendida pra você.
Numa lata, como anunciado na TV!
 | | Papai, fica de boa | Isso é facilitado por haver em 2002 jovens adultos que cresceram
durante os anos 80 e estão agora em idade economicamente ativa;
como um amigo meu que chorou ao rever Ultraseven.
E jovens adolescentes que sentem nostalgia por uma época que
não viveram. Como a patricinha-gracinha e estrela de reality
show Kelly
Osborne, filha do lesado Ozzy,
já declarou ser uma menina dos anos 80. Por essas e outras faz
sentido ela ter gravado uma cover de "Papa Don`t Preach" da Madonna
com a banda Incubus.
 | | The Faint ao vivo | Outros sinais ajudam a reforçar a urgência da volta ao
período: política
truculenta de direita na figura do Bushinho às voltas com
Irã-contras
e Bin Laden, o ex-freelancer da CIA dirigida pelo Bushão (seria
FHC o novo Figueiredo?); o seriado That
80`s Show (que depende demais das referências, ao contrário
da seu irmão That
70`s Show); bandas novas como The
Faint (que soa como Duran Duran mas é legal) usando sintetizadores
de timbres velhos pra compor eletro-rocks; outra cena electro-não-tão-dançável
(musicalmente limitado mas que está sendo vendido como algo de
larga abrangência) e o art-rock noviorquino aparecendo; outras
bandas mais... "orgânicas" como DeathRay
Davies fazendo um rock mais seco e com aqueles vazios entre os instrumentos;
séries de TV meia boca virando filmes; GI
Joe, Transformers, G-Force, Thundercats, He-man
vendendo mais HQs que personagens da Marvel e DC etc.
Nesse caso das HQs, que é bem minha praia, é bom e ruim.
O exemplo seve pra várias mídias. Quando a moda passar
e a poeira baixar só fica de pé quem tem mais o que oferecer
pra se sustentar. É bom porque só estamos engatinhando
em direção a um novo boom da HQ, as lojas precisam de
mais vendas e quem adquiriu os direitos desses personagens foram pequenos
estúdios e não as editoras de sempre. Há também
sempre a esperança de que novos leitores regulares de HQ possam
surgir daí. E, diacho, não seria a existência de
Homem-Aranha, Hulk e X-men nos dias de hoje fruto de uma nostalgia forte
baseada em remixes de histórias e conceitos de décadas
passadas?
Por outro lado é
bem sabido que esses novos títulos baseados em brinquedos
e desenhos animados são comprados quase sempre por quem só
procura por isso e nada mais. O que acaba canibalizando as reservas
e vendas de boa parte dos títulos que não está
no Top 20. Que dirá a HQ independente; no caso dos autores é
melhor vender os direitos pra Hollywood o quanto antes.
 | | Os anos 80 vão te matar | Foi uma época bem feia essa de 80 pra estilistas e "criadores"
de tendência quererem empurrar mais essa goela abaixo. E eu que
achava os anos 70 feios e sujos. Penteados e roupas com cortes retos
e assimétricos; coleções baseadas nas da estilista
Vivienne Westwood, com piratas e índios americanos (que tal agentes
secretos e esquimós? Opa, já fizeram nos anos 90); blazers
com ombreiras e mangas arregaçadas; camisas quadriculadas ou
verde-limão; dockside sem meia (aaaaaarrrgh!). Miami
Vice. Michael J. Fox no filme Bright
Lights, Bright City. Cujo maior contraponto (seja pra fincar o último
prego no caixão e/ou exaltar a época de vez) foi o Psicopata
Americano, um bom filme. Que me fez mais rir da tiração
de sarro com os estereótipos de uma época levados tão
extremo que a solução na cabeça do anti-herói
yuppie era matar quem ele não gostava. Cocaína, vazio,
futurismo, "diga não", narcisismo, "tem que dar
certo", materialismo engravatado. Não, obrigado.
Espero não morder a língua.
É, com 26 anos eu me sinto velho assistindo a qualquer um dos
vários filmes mostrando a biografia de alguém que percorra
a "década perdida". O fim dela pra mim foi um especial
da TV Cultura com o Kid Vinil mostrando pela primeira vez uma cena do
Batman
carregando a Kim Bassinger enquanto deslizava por uma corda pra chutar
uma porta e fugir do Coringa ao som da música do seriado antigo
(que infelizmente não estava no filme). Não sei por que
escrevi isso; nem a metáfora dos anos 90 chutando a porta serve
muito bem aqui. Deve ser nostalgia.
Mas há uma diferença entre usar referências antigas
em material novo, mas refazer o que já foi (mal)feito é
outra coisa. O que se pode aproveitar dessa volta não é
o aspecto low-tech da estética somente, mas o lado "faça
você mesmo" de quem hoje pode usar tecnologia barata pra
obter informação com muita facilidade e fazer algo novo
e criativo. O que por sua vez, veja você, tem ressonância
no punk. A gente pode aprender muito com aqueles nerds que montavam
computadores na garagem e hoje são milionários. Eles não
estavam olhando só pra trás quando juntavam as peças
daquelas caixonas feias que vieram a ser tão importantes num
ambiente quanto um fogão (eu acho fogão importante, oras).
Eles usaram o que havia no passado como ponto de partida e não
como fim do caminho.
 | | Foto tirada em 2002 | A moda dos anos 80 é uma estética desvinculada de contexto,
como lembrou Valerie Steele do Fashion Institute of Technology em matéria
de Simon Reynolds pro NY Times. É aí que ela se esgota
porque, apesar de algumas situações culturais em comum,
a primeira década do século 21 já mostra ter conceitos
e simbologias próprios, que estão num mundo à parte
dessa nova/velha estética do cool. Isso, o mundo real. Se o apelo
infantil em jovens adultos tem apelo hoje é porque um lado talvez
não muito bom delas não tenha ainda crescido totalmente.
E precise se livrar um pouco do conforto doméstico pra ir em
direção ao futuro desconhecido.
Tem um episódio da Buffy,
a Caça-Vampiros em que sua irmã faz um vodu pra
mãe, recém-falecida, ressuscitar. Nossa heroína
fica horrorizada quando vê o corpo zumbi da mãe cambaleando
na entrada da casa e, mesmo sob protesto da irmã e de coração
partido, desfaz a magia. O que faz a mãe voltar pro túmulo
e continuar sua ida ao Além, como devia ser. Bom, a mãe
da Buffy é a década de 80. Por mais que nós a amemos,
por mais que nos tenha criado no aconchego da segurança apesar
das dificuldades, por mais que ela seja bonita e charmosa, tem de continuar
morta - porque foi isso que aconteceu mesmo. E o que ela teve de bom
e nos ensinou deve ser lembrado e usado pro futuro. A Cultura precisa
ir adiante.
Ou comece a usar um penteado mullet. É cool, eles dizem.
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Se Não Fossem Esses Garotos Intrometidos Eu Teria Conseguido
Tentou pegar alguma música pelo Audiogalaxy
esses dias e não conseguiu? Pois é, o site fez
acordo com a RIAA e agora só quem autorizar compartilhamento
de música vai ter material disponível pra ser baixado. As matérias
temáticas e com as bandas
novas ou velhas conhecidas são sempre legais, mas que merda. É mais
uma vitória dos maiores pirateadores que há.
Uma alternativa talvez seja o Kazaa
Lite, que tem até mais usuários que o Audiogalaxy. Dizem que essa
versão é menos pesada que o Kazaa normal (um dos programas mais baixados
ultimamente). Na dúvida, pra que spywares não mandem informações dos
seus hábitos de navegação pra terceiros, baixe e rode o Ad-aware.
O site do Kazaa Lite não tem o programa em si para ser baixado, pra
não dar rolo, mas um fórum cheio de links para se pegar o bichinho;
é só procurar pelo assunto download kazaa lite. O programa está
funcionando bem aqui (tem bastante coisa que se achava no Audiogalaxy)
e na instalação avisa que coloca um aqruivo dll no micro que o Ad-aware
pode entender como maliciosa, mas não é. Acontece que esse Kazaa Lite
é uma versão do Kazaa original que foi kackeada pra se tirar o software
espião que monitorava a navegação dos usuários. Ele não tem ligação
com os produtores do "oficial", que também já está sendo pressionado
pela RIAA pra ser fechado.
Mas beleza. A turma da Máquina do Mistério vai sempre
dar um jeito de estar à frente de velhacos que fingem ser fantasmas
pra espantar turistas da estância balneária e faturar em
cima do imóvel.
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Vírus Deixa Colégios Americanos em Alerta
Erupções misteriosas provocam manchas vermelhas em pele
de crianças americanas! Grupos inteiros dentro de escolas se
coçando sem parar! Irritação desaparece quando
meninos e meninas vão pra casa! Pais escapam ilesos! Seria uma
nova doença? Bioterrorismo com antraz escondido em livros sobre
islamismo? Mosquito da dengue? Não, apenas
uma infecção pelo memeplexo da histeria anti-terrorismo.
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Além de três novos e bons contos, o Escritório
Noturno está com mais uma HQ da série Fatias
do Andrew Dabb. Herói (sem relação com a
revista da casa) mostra se nossos ídolos de ontem sobrevivem
ao teste do tempo. Vá ler.
Hector Lima
[ + ] Hectorama: 23/08_ Hectorama # 21 15/08_ Hectorama #20 06/08_ Hectorama #19 23/07_ Hectorama #18 17/07_ Hectorama #17
[ + ] colunas: 23/08_ Hectorama # 21 15/08_ Hectorama #20 06/08_ Hectorama #19 23/07_ Hectorama #18 18/07_ Cobaia 900
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