Vela de Ignição

11/03/2003

O que é uma vela? Que função ela tem?

Diferentemente do que algumas pessoas pensam, a vela não “produz” centelha. Ela oferece o espaço necessário para que a corrente elétrica, produzida pela bobina, salte em forma de centelha. Essa centelha é que inicia o processo de queima da mistura ar/gasolina comprimida no topo do pistão, fazendo o motor funcionar.

Uma vela possui dimensões e características próprias, que devem ser respeitadas na hora da substituição, sob pena de graves danos ao motor.

  1. Diâmetro da rosca: diâmetro da parte rosqueada da vela, aquela que é atarraxada ao cilindro;
  2. comprimento: comprimento da parte rosqueada;
  3. grau térmico: velocidade com que a vela é capaz de transferir o calor acumulado.

Vamos discorrer um pouco sobre cada uma dessas características.

Diâmetro: os motores normalmente usados em nautimodelismo usam velas com 14 mm de diâmetro de rosca. Esta é a dimensão que causa a menor preocupação, pela óbvia razão de que, ainda que você tente, não conseguirá colocar uma vela de 14 mm em um cilindro com rosca de 12 mm e vice versa.

Comprimento: a vela com o comprimento adequado não dever ter nenhuma parte de sua rosca exposta no interior do cilindro e, da mesma forma, não deve deixar nenhum fio de rosca do cilindro sem cobertura. A vela muito curta permite que depósitos de carvão se formem na rosca desprotegida, exigindo uma cuidadosa limpeza posterior para instalação de outra vela. A vela muito longa, por outro lado, penetra no cilindro e expõe parte de sua rosca na câmara de combustão. Na parte exposta, mais uma vez, se formam depósitos de carvão que dificultam a retirada da vela e podem, até mesmo, danificar a rosca do cilindro no processo de retirada. Além disso, a vela excessivamente longa pode fazer contato com a cabeça do pistão em seu curso ascendente, com conseqüências desastrosas para o motor. Além desses problemas, a vela com comprimento inadequado trabalha com temperatura imprópria pois a correta exposição do eletrodo central é fundamental para que a vela atinja a temperatura certa de trabalho: resfriada pela mistura nova que está sendo comprimida, aquecida pela queima da mistura ar/gasolina, a vela adequada atinge e mantém a temperatura correta.

Grau térmico: Para funcionar adequadamente, o eletrodo da vela deve operar entre 400ºC e 900ºC (752º a 1652ºF) Abaixo de 400º C a vela tenderá sujar com óleo e carvão, que não são queimados abaixo dessa temperatura. Acima de 900º C a ponta do eletrodo incandesce e causa pré-ignição e/ou detonação (início da queima antes do ponto adequado e/ou queima descontrolada e rápida da mistura).

De acordo com seu grau térmico as velas se classificam em velas “frias” ou “quentes”. Essa classificação não tem nada a ver com a temperatura da centelha – uma vela “quente” não tem uma centelha mais quente que uma vela “fria” e vice versa. O grau térmico de uma vela indica sua capacidade de dissipar o calor acumulado. O desenho abaixo mostra como a vela dissipa esse calor. Como se observa, 58% do calor é dissipado através do cilindro, sendo essa a mais importante forma de resfriamento.

 

 Assim, uma vela “fria” dissipa calor mais rapidamente do que uma vela “quente”. A série abaixo mostra a diferença entre uma vela quente e uma fria. A última tem o isolador de porcelana mais curto, oferecendo um caminho mais
rápido para o calor se transferir para o cilindro.

 

Aceito que a vela deve trabalhar entre determinados limites de temperatura, deve ser entendido que as condições de exigência do motor fazem variar essa temperatura – em alta rotação o motor aquece mais e a vela precisa dissipar calor mais rapidamente.  Esta é a razão pela qual motores envenenados podem demandar uma vela mais fria do que aquela originalmente prevista pelo fabricante do motor.

Aprenda a ler a vela: isso lhe mostrará se você está usando a vela com o grau térmico adequado. A maneira correta de fazer isso é correr com o barco a toda aceleração - quanto mais tempo, melhor - e desligar o motor pelo rádio sem deixar o motor funcionar em marcha lenta.

  

Porcelana entre marrom escura a preta: vela muito fria

 

Porcelana marrom claro: vela adequada

 

Porcelana variando de muito clara a cinza: vela muito quente – substitua imediatamente.

 Lembre-se: na dúvida, opte pelo grau mais frio. O pior que pode acontecer é o motor sujar a vela com facilidade e funcionar com falhas. Nada de muito grave.

Vela resistiva: como veículo de formação de centelha, a vela é um excelente produtor de interferência. No seu automóvel você pode substituir o contagiros por um conjunto de velas não resistivas. Sintonize uma estação de rádio não muito potente e delicie-se com o ruído das centelhas à medida que você acelera o motor. Com um pouco de prática, você pode estimar a rotação do
motor pelo ruído do rádio.

No seu barco o problema é mais sério. O seu receptor não capta música e sim os sinais do seu transmissor. A vela não resistiva cria um campo de interferência que pode até mesmo anular o sinal do transmissor. Se você estiver usando um Fail Safe Shark Racing prepare-se para nadar/remar para recuperar seu barco parado no meio do lago. Se você não tiver um fail safe, reze para que a gasolina acabe antes que o barco atinja algo ou alguém.

Portanto: use sempre uma vela resistiva. Ela elimina a interferência causada pelo salto da centelha e permite que seu receptor sintonize, apenas, os sintais de seu transmissor.  

E o que significa aquele conjunto de números e letras que gravados na vela de ignição?

Eles informam todas as características da vela, essas sobre as quais discorremos acima e algumas outras sobre as quais não falamos, tais como tipo do eletrodo, material do mesmo, dimensões do corpo externo da vela e até mesmo o metal desse corpo.

Uma letra “R” em algum lugar do código alfanumérico identifica uma vela resistiva. O comprimento da vela é também indicado por uma letra. O grau térmico tem indicação numérica - em alguns fabricantes, o número maior indica uma vela mais fria, o número menor a vela mais quente; em outros, o oposto é verdadeiro. 

Eis como os fabricantes identificam suas velas:

  Bosh       

           NGK

    

  (clique nas imagens para aumentar)

Além disso, o aperto correto é importante para evitar danos à vela e, principalmente, ao cabeçote, feito de material mais fraco. Os fabricantes recomendam a seguinte tabela de aperto:

Vela:            Aperto (ft/lbs)

10 mm           7 
12 mm         10
14 mm         14
18 mm         18

De qualquer forma, siga sempre a recomendação do fabricante/preparador de seu motor. Se achar necessário conhecer mais sobre vela, siga os links abaixo:

Champion: http://www.edelbrock.com/automotive/sparkplugs.html

How to choose and read spark plugs: http://link.sandiego.com/scripts/wheelbase/message.idc?passin=458

How you can read spark plugs and select them - by Gordon Jennings: http://www.strappe.com/plugs.html

Interpreting your spark plugs: http://www.classictruckshop.com/clubs/earlyburbs/projects/spark/plugs.htm

Look at your plugs: http://www.xs4all.nl/~ekieboom/spit/plugs.html

Reading Spark Plugs: http://ericgorr.com/techarticles/sparkplugs.html

Resistor Spark Plugs and resistor spark plugs caps: http://www.ultralightnews.com/enginetroublshooting/resistorcapsandplugs.htm

Spark plugs: http://www.picknowl.com.au/homepages/harrals/tech/spark.htm

Spark plugs and what they say: http://www.motocross.com/motoprof/moto/mcycle/plug2/plug2.htm

Spark plugs overwiew by NGK: http://www.sentra.net/tech/sparkplugs.shtml