"Amai, rapazes! E, principalmente, amai moças lindas e graciosas; elas dão remédio ao mal, aroma ao infecto, trocam a morte pela vida... Amai, rapazes!" Machado de Assis

Sábado, Dezembro 04, 2004

Voltaram 

Já estva com saudades dos outdoors da intimissimi.

Sexta-feira, Dezembro 03, 2004

Fórmulas 

"A minha forma de fazer política" é, geralmente, uma introdução tosca para uma proposição mentirosa.

Quinta-feira, Dezembro 02, 2004

Spread the love vibration* 

ah, ah*

*Josh Rouse

disSolução 

E a Assembleia da República vai ser dissolvida pelo Presidente da República. Eu curto estes momentos de incerteza. São os únicos momentos em que tanta coisa pode acontecer!

Escadas rolantes 

No outro dia ia a subir as escadas rolantes do metro do Saldanha e reparei que havia uma certa falta de consciência social das pessoas. E reparei porque, nos países onde há consciência social, as escadas rolantes têm espaço para as pessoas que andam e para as pessoas que ficam paradas. Nas escadas rolantes dos países com consciência social, as pessoas que querem ficar paradas e seguir "coasting" encostam-se à direita, ao passo que as pessoas que querem progredir mais rapidamente seguem pela esquerda. Nas escadas rolantes como na vida...

Quarta-feira, Dezembro 01, 2004

Odisseia no espaço virtual 

Um branco e vermelho frio, distante e sereno. Como convém.

Terça-feira, Novembro 30, 2004

Pastilhas 

Hoje em "The Independent"

"The Government has spent £60,000 to find out why people chew gum and why they spit it on to the pavement, with a view to working out how to persuade them not to."

Fiquei em casa 

Queria ver os Sopranos. Não deu. Ninguém me avisou. Pus-me a reler umas coisas. E a ouvir Re:Jazz e Chavela Vargas e Devendra Banhart e Tom Waits e Nouvelle Vague e Gil Scott Heron e Parliament e Clara Nunes e Jeff Buckley e as Doce. Bem bom.

e mais... e melhor 

“a linha curva é a lei da graça feminil. Mendonça o sentiu, contemplando o busto de Helena e a casta ondulação da espádua e do seio, cobertos pela cassa fina do vestido. A moça estava um pouco inclinada. Do lugar em que ficava, Mendonça via-lhe o perfil correcto e pensativo, a curva mole do braço, e a ponta indiscreta e curiosa do sapatinho raso que ela trazia. A atitude convinha à beleza melancólica de Helena. O rapaz olhava para ela sem movimento nem voz.”
Machado de Assis

"Mas Deus nos livre de penetrar no Santuário de tão peregrinas inteligências"* 

E já que estou em maré de citações, aqui ficam mais algumas frases que registei enquanto lia umas coisas sobre a língua.

"Sendo a língua o veículo de ideias, quando não for bebida na veia mais límpida, mais cristalina, mais estreme, não verterá estreme, cristalino, límpido o pensamento de quem a utiliza"
Rui Barbosa


"A palavra opera sobre a ideia, ou disfarçando-a ou acentuando-a."
Eça de Queirós


"O estilo é uma permanente criação pessoal.(...) Ver com os seus próprios olhos, sentir com os seus próprios sentidos deverá ser a divisa de todo o aprendiz de redacção"
Rodrigues Lapa


"Hipótese sem valor morfológico, não pode figurar como postulado. Semanticamente admite-a quem se deixa fascinar pela nebulosidade metafísica ou quem ao estudo estrictamente científico prefere a estrada batida da indolência intelectual"
Said Ali

* Said Ali

The Ultimate in Decadence* 

"Fumar é coisa cheia de rusticidade e natureza. Essa transformação de uma erva seca em fumo odorizante vivo, fertilizante, não é desprovida de significado."**

*Plágio escandaloso da descrição do mais caro cocktail do Cinco Lounge, novo bar no Bairro Alto.
**Alguém o disse. Não fui eu. Não sei quem foi. Mas fica registado.

"O bem defende-se mal" 

Foi então que Vlad disse aquilo:

"A verdade é improvável."

Sorriu num relâmpago. "A mentira", explicou, "está por toda a parte. A própria natureza mente. O que é a camuflagem, por exemplo, senão uma mentira? O camaleão disfarça-se de folha para iludir a pobre borboleta. Mente-lhe dizendo, 'fica tranquila, minha querida, não vês que sou apenas uma folha muito verde ondulando ao vento?' - e depois atira-lhe a língua, a uma velocidade de seiscentos e vinte e cinco centímetros por segundo, e come-a".

Ahasverus ficou em silêncio, atordoado pela revelação e pelo distante fulgor do mar. (Sim, e igualmente pelo medo). Lembrou-se de Ricardo Reis:

"Abomino a mentira porque é uma inexactidão."

O outro reconheceu imediatamente as palavras do poeta português. Considerou-as um instante, medindo-lhes a luz e o sabor:
"Também a verdade costuma ser ambígua. Se fosse exacta não seria humana"

Ganhava animação à medida que falava: "Existem dezenas de profissões nas quais saber mentir é uma virtude. Estou a pensar nos diplomatas, nos estadistas, nos advogados, nos actores, nos escritores, nos jogadores de póquer. Indica-me agora uma profissão, uma única, que não se socorra nunca da mentira, e na qual um homem que apenas diga a verdade seja efectivamente apreciado?"

Ahasverus sentiu-se encurralado. O bem defende-se mal. Um dia vira na televisão um jogador de basquetebol, um tipo ingénuo, a queixar-se dos jornalistas:
"Às vezes eles escrevem aquilo que eu disse, e não aquilo que eu queria dizer."

José Eduardo Agualusa

Sábado, Novembro 27, 2004

Azul 

Não sei como imaginas o céu, mas para mim é algo parecido com uma sessão de yoga permanente.
E isso não é bonito.

Mensagens 

Às vezes pergunto-me o que leva a que as mesmas pessoas, nas mesmas circunstâncias e perante a mesma (falta) de urgência de resposta mandem umas vezes mensagens de e-mail e outras vezes mensagens de telemóvel.
Pergunto-me, mas nunca me respondo.

Voltas 

Dizem-me com insistência, e um certo fastio, que o mundo não gira à minha volta. Nunca percebi por que mo dizem, mas, já agora, pergunto:

- Então anda à volta de quem?

Jesus Christ Superstar 

Não. Eu não sou Jesus.
Não. Eu não sou Cristo.
Esse gajo nem sequer usava óculos.

Terça-feira, Novembro 23, 2004

Likes 

"She likes to touch my curly hair
While she teases me with her eyes.
I want to seat her on an easy-chair
And feel my ears between her thighs."

Edward Oaken, Curly We Stand

Domingo, Novembro 21, 2004

Sem mais nem porquê 

Só queria dizer que o blogue não é o que sou nem ,necessariamente, o que penso. É apenas o que me apetece dizer de vez em quando. Mais nada.

Sexta-feira, Novembro 19, 2004

Julie Delpy 

E agora estou a ouvir o álbum Julie Delpy da Julie Delpy, a chabala do Before Night Falls, e estou a gostar.

Helpless, like a rich man's child* 

Há uns tempos li uma entrevista da Joan Baez. A Joan Baez é uma cantora folk conhecida pelo seu activismo político, por fazer o favor de desafinar nos concertos que fazia com o Bob Dylan (ouçam “Bob Dylan Live 1975” - talvez o melhor disco ao vivo do Bob essencialmente pelo grande conjunto de canções, que inclui as melhores versões de sempre de “Sara” e “Hurricane”- e quando chegarem a um dos clássicos dyleanos “Blowin’ in the wind” perceberão o que quero dizer) e por, durante algum tempo ter sido a própria Mrs Dylan. Foi por estas duas últimas razões que eu li aquele conjunto de perguntas e respostas.

A última pergunta era sobre o Bob Dylan. E o que dizia a senhora? Dizia que não o conhecia , que nunca o conhecera, que cria que nunca ninguém o tinha conhecido nem o iria conhecer.

Não foi totalmente surpreendente a resposta. Elas (generalização quase-abusiva) gostam de saber, de conhecer, de perguntar e, por mais prolixa que for a resposta, vão sempre dizer que não nos conhecem, que precisam de saber mais. Esquecem-se muitas vezes que se calhar não há mais nada para saber. Que o facto de não se ter nada a esconder não quer dizer que se tenha alguma coisa a revelar.

O que me surpreendeu foi a resignação e a soberba patentes na resposta. Resposta que faz do autor de "Blonde on Blonde" aquilo que toda a gente pensa que ele é, mas ainda com mais obstinação. Não faz o que não quer, e isso nota-se nos seu discos e nas grandes canções que fez nos anos 60 e 70 (ouça-se, por exemplo, o "Live 1966" ou "Blood on the tracks").

Eu, que já gostava das canções do Bob Dylan, passei a ouvi-las com mais assiduidade.

* Bob Dylan, Temporary Like Achilles, in Blonde on Blonde

Sexta-feira, Novembro 12, 2004

"She was fifteen when I first saw her" 

"I fell in love watching her play tennis the first week of term. She was really just a little thing but she had such grace and fight and she gave a little 'uh' every time she hit the ball. Dear Jesus."

My Life as a Fake, Peter Carey

Pinto da Costa, José Veiga, Dias da Cunha,o Sistema, o Caso Marcelo, as Eleições Americanas, o Congresso do PSD, Arafat, Tudo Aquilo Que Vocês Sabem 



Kramer: I think I´m onto something. I think I found your stuff. You know the Englishman who lives down the hall?

Jerry: Yeah.

Kramer: The last couple days he's been acting very strange. I think he's avoiding me.

Jerry: Hard to imagine.

Kramer: Yeah, get this. I just got off the elevator with him and I tested him. I tested him. Like I... this is what I said to him. Like I was like this, (CASUALLY PICKING HIS NAILS TO DEMONSTRATE) "Oh, by the way, I know about the stuff." You know, very casual so he's going to take me into his confidence.

Jerry: Right.

Elaine: So, what did he say?

Kramer: "What stuff?"

Jerry: Oooohhhh. Case closed.

Kramer: You don't understand. You see, he swallowed. See, the guy, he swallowed. Oh, he was nervous about something. Now I'm going to go over there, I'm gonna borrow some tea. You know, if I don't get back in five minutes, maybe you better call the police.


The Robbery, in The Seinfeld Scripts

Das questões, bem entendido 

Dizem-me, com ar provocador, que tenho uma maneira esperta de fugir às questões: negando a sua existência (das questões, bem entendido).

Pronto. Está bem. E depois? Não estou a ver o problema.

É uma das minhas conclusões brilhantes, com as quais nunca concordas e que perdem o brilho no momento em que as lês 

ou, E tu sempre foste sonhador antes mesmo de dizeres ser anarquista.

- Eu sou um romântico, anarquista, sonhador, com tendências voyeurísticas em relação ao mainstream?
- Por acaso, agora que falas nisso, é verdade. Principalmente a última parte.
- As tendências?
- Sim, com tendências voyeurísticas em relação ao mainstream. Definitivamente.
- Ah, a primeira parte não?
- Anarquista, acho que não. Romântico, incurável.
- Romântico sec XIX, não com a acepção lamechas de hoje.
- Sim, é essa mesma. Definiste-te bem, fora o anárquico. Pode ser até que queiras ser anarquista, mas ainda não conseguiste.
- Então mudavas…
- O anarquista.
- E punhas…
- Em vez de anarquista punha incessante.
- Incessante é que não para.
- Não é só isso.
- Então?
- É mais no sentido de constantemente à procura de, incessante na procura de.
- Hum, hum, sou, portanto, inquieto. Procuro algo.
- Só não sei o quê.
- Nem eu.
- Pois dá para reparar.

Quinta-feira, Novembro 11, 2004

Reclames 

"Seja infiel, use first". É esta a frase que aparece agora nos autocarros a anunciar um nova marca de pensos higiénicos. Neste reclame (palavra que o Houaiss considera obsoleta mas que era o nome que dávamos aos anúncios de publicidade há uns tempos), eu, que até percebo o que é que o cu tem a ver com as calças, não estou a ver a relação entre a frase e o produto. Alguém me explica?

Terça-feira, Novembro 09, 2004

Como se dá a sequência das vivências psicóticas? 

Estava a ler umas coisas sobre esquizofrenia e fiquei a saber que existiam vários subtipos clínicos.Temos a esquizofrenia Paranóide, que ocorre tardiamente (por volta dos trinta) com predomínio do quadro delirante e alucinatório. Por sua vez, a Desorganizada (hebefrénica), ocorre precocemente e caracteriza-se pelos afectos incongruentes, embotados ou inadequados e pela perturbação das associações, gerando discurso incoerente. Já a Catatónica distingue-se pelo estupor, excitação, negativismo, mutismo, posturas patológicas, rigidez, flexibilidade cérea e obediência automática. A minha preferida é a Indiferenciada, que, pasme-se, não tem critérios específicos de classificação. Por último, temos a esquizofrenia Residual, que não apresenta actividade produtiva significativa, sendo que predominam os sintomas negativos a lentificação, o embotamento afectivo, a passividade a pobreza do discurso e a hipobulia.

Para aqueles que não sabem, informo que a esquizofrenia é uma doença mental crónica, que se inicia na idade adulta jovem e que constitui o maior desafio terapêutico em psiquiatria.

Domingo, Novembro 07, 2004

Chocolate é bom 

- A felicidade não existe, mas existem momentos, palavras, gestos bem mais importantes do que a felicidade constante, plena e chata que se procura.
- Treta. Isso é daquelas frases que saem nos papelinhos dos chocolates.
- Chocolate é bom.
- Então com banana…

Sábado, Novembro 06, 2004

Bíblia manuscrita 

E o nosso Presidente lá vai andando com a cabeça entre as orelhas, contente por poder aparecer na televisão a fazer porcarias sem significado e que não interessam a ninguém.

Sábado, Outubro 30, 2004

Cinco letras 

Há dias, em conversa e perante a minha irritabilidade latente, dizia-me a batukada que o que eu precisava era de um grande beijo na boca. Com muita língua.
Não retorqui.

Tendo já tratado a tão mal disfarçada irritabilidade, lembrei-me desta conversa para introduzir a minha defesa do beijo por extenso. Se calhar, depois de lerem o texto alguns dirão que esta não é a melhor introdução para aquilo que eu vou escrever a seguir. Mas é isso mesmo: “eu vou escrever a seguir”. Eu escrevo, logo eu decido qual é a introdução. Se é a melhor ou não, a mais adequada ou não, isso é uma questão totalmente diferente.

Vamos ao beijo por extenso, que é o que realmente interessa. É que há uma coisa que me corrói por dentro, que me deixa inexplicavelmente suspenso na mais pura incompreensão, num sentimento de incompletude inultrapassável. É o beijo abreviado.

É um facto que, hoje, escrevemos mensagens escritas a torto e a direito e e-mails todos os dias. Que participamos em conversas em messengers e chats que nos exigem que sejamos breves e rápidos. Mas, para quê truncar um beijo? O que é um bj, ou um bjo, ou um bjnho? E o que é que são jokas e jinhos? Não ficará melhor um beijo com todas as letras?

Um beijo é um beijo, mas não só. Se lhe tirarmos as letras, tiramos-lhe a ternura, a fofura, o amor, a humidade, o calor, a amizade, o arrepio. Não abreviemos o beijo!

Há tanta coisa para abreviar É o qd, o fac e o spr. É o fds e o fdp. São muitas e muitas palavras. É todo um texto. Mas, por que não deixar 2 segundos, 3 segundos, um minuto para escrever um beijo com cinco letras. Cinco letrinhas apenas.

Para mim é importante. Desculpem a maçada.

Quinta-feira, Outubro 21, 2004

Bom tempo Mau tempo 

Não gosto nada que me tentem endoutrinar. Nem no que ao tempo diz respeito. Ouço constantemente nos telejornais, no rádio e outros que tais os jornalistas a dizer 'hoje vai estar bom tempo' ou 'hoje vai estar mau tempo' como se isso fosse alguma informação. O que é que é bom tempo, caralho? Faz sol dizem que é bom tempo. Um bocadinho de chuva já é mau tempo. Ora, não me venham dizer que 40 graus à sombra é melhor do que a chuvinha que tem caído nos últimos dias. Porque não é. Aos jornalistas, metereologistas e afins cabe dizer se vai fazer sol, se vai chover, se vai haver nuvens ou vento. Se isso é bom ou mau deixem estar que eu decido. Se têm opiniões que as guardem para eles.

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