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July 11, 2003

Homenagem à Catanduvense

Quando um time fica muito tempo sem ganhar um jogo ou insiste em permanecer nas últimas colocações, logo surgem comparações ao Íbis, clube pernambucano que se orgulha da alcunha de “pior time do mundo”. Atualmente na segunda divisão de seu estado, os rubros recifenses ganharam esse título após uma campanha desastrosa no Campeonato Pernambucano de 1979, quando perderam todos os 12 jogos, fazendo apenas um gol e sofrendo 51.

No entanto, os paulistas nascidos no final dos anos 70 e início dos 80 podem ter um outro parâmetro de insucessos futebolísticos. Para essas pessoas, falar na Catanduvense pode ser mais significativo. Afinal, o clube de Catanduva ficou por 5 anos na Primeira Divisão Estadual, quase sempre olhando os adversários de baixo. Só não era rebaixado porque sempre conseguia ficar à frente de alguém ou se beneficiava de uma expansão no Paulistão.

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O Grêmio Esportivo Catanduvense chegou à elite ao ser vice-campeão da Segundona de 1988, atrás do Bragantino de Vanderlei Luxemburgo. Na primeira temporada entre os grandes, a Catanduvense não foi tão mal: terminou o Paulistão de 89 em 17º lugar (entre 22). Foram 7 vitórias, 4 empates e 10 derrotas. Aliás, 1989 pode ser considerado o melhor ano da história do clube. Foi nessa temporada que o clube colheu dois de seus resultados mais significativos: 2x1 sobre o Corinthians em Catanduva e sobre o Santos na Vila Belmiro.

No segundo semestre, a Catanduvense ainda teve uma chance na Segunda Divisão nacional. Foi uma campanha digna. Na primeira fase, ficou em segundo em um grupo com Goiânia, Goiatuba-GO, Uberlândia-MG, América-SP e Botafogo-SP. E só não foi primeiro porque tinha menos vitórias que os ribeirão-pretanos, já que empataram em pontos. Para azar dos vermelhos de Catanduva, o time cruzou com o Bragantino na fase seguinte. Perdeu por 1x0 em Catanduva, mas arrancou um empate em 1x1 em Bragança Paulista. Vale salientar que o time de Luxemburgo se tornaria o campeão daquela Segundona, levaria o Paulistão de 90 e, já sob o comando de Carlos Alberto Parreira, seria o vice-campeão brasileiro de 91.

No final das contas, a Catanduvense foi 27ª naquela Segunda Divisão. Se tivesse feito um ponto a mais, subiria para o 22º posto e garantiria uma das 24 vagas previstas para a Segundona de 1990.

A “Catanduperde”
Os anos 90 marcaram a rápida queda da Catanduvense e justificaram a fama de time fraco. No Paulista daquele ano, com 4 vitórias, 5 empates e 14 derrotas, os vermelhos dividiram a última colocação com o Santo André. Na repescagem, apenas uma vitória e dois empates em 10 jogos, confirmando o 24º (último) posto.

No ano seguinte, a Catanduvense ficou no Grupo Amarelo, espécie de Segunda Divisão, mas que dava 3 vagas para a fase final. Inclusive, o São Paulo (rebaixado no ano anterior) foi o vencedor do grupo dos pequenos e levou o título Estadual. Na outra ponta da tabela, o clube de Catanduva obteve apenas 4 vitórias em 26 jogos. Mas os 12 empates foram suficientes para mantê-lo à frente do Olímpia e do rebaixado São Bento.

Teve início a fase mais negra dos vermelhos do Norte do Estado. Em 1992, mesmo estando novamente em um grupo de pequenos, a Catanduvense venceu apenas uma partida em 26. Só não caiu porque a Federação Paulista resolveu aumentar de 28 para 30 os participantes do Campeonato do ano seguinte. Em 1993, o Palmeiras rompeu a série de anos sem títulos. Mas a Catanduvense continuou na rabeira. Foi novamente última colocada (13 pontos em 26 jogos).

A tri-lanterna em 4 anos rendeu ao clube de Catanduva o desagradável apelido de “Catanduperde”. Relegado à Segundona de 94 (a Federação Paulista rompeu a ligação entre o grupo da elite e o dos pequenos), o clube resolveu mudar de nome, acabar com as gozações e ver se dava uma reagida. O novo nome – Catanduva Esporte e Clube (atenção para o charmoso “e”) – parecia marcar uma nova etapa na história do clube. Não foi muito bem no campeonato, mas escapou do rebaixamento (que, aliás, coube ao hoje “poderoso” São Caetano).

Em 95, o clube voltou à Primeira Divisão devido à restauração do cruzamento entre grandes e pequenos na fase final. Não teve jeito. Nem o novo nome segurou o Catanduva na elite. Os 18 pontos em 30 jogos (duas vitórias, 12 empates e 16 derrotas) marcaram a última aparição de algum clube da cidade homônima na Primeira Divisão de São Paulo.

Mesmo assim, o legado – se é que se pode chamar a fama de derrotado de legado – se manteve. No Brasileiro de 2001, o Corinthians se preparava para jogar com o Santos na Vila Belmiro. Seria o reencontro de Vanderlei Luxemburgo e Ricardinho (ambos no Corinthians) com o desafeto Marcelinho Carioca (recém-transferido ao time da Baixada). Foi criado um clima de guerra na semana da partida. Para incentivar seu meia, o treinador corintiano disse que “se o Ricardinho não agüentar a pressão, que vá jogar na Catanduvense”. Parece ter dado certo, já que o time da capital venceu por 2x0. No entanto, Luxemburgo teve de pedir desculpas aos torcedores de Catanduva.

Até pensei usar outro título para esse texto. Mas achei que “O Íbis paulista” seria injusto. Por pior que fosse o desempenho da Catanduvense, os torcedores locais sempre buscaram mudar a imagem do clube, ao contrário dos pernambucanos, que até usam a ruindade como estratégia de marketing. Prova disso é que, mesmo depois da falência do Catanduva Esporte e Clube, a cidade (localizada a 395 km da capital e com cerca de 100 mil habitantes) fundou o Clube Atlético Catanduvense. O CA Catanduvense disputou a 5ª Divisão (oficialmente chamada de B-2) em 99 e 2000, abandonando o torneio de 2001, quando se licenciou. Deve voltar às competições oficiais em 2004, na 6ª Divisão (B-3).

Obs.: quer saber mais sobre o futebol em Catanduva? Clique aqui.

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CA Catanduvense, a nova tentativa dos futebolistas de Catanduva

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Você sabia...
...que o goleiro titular do Colo Colo, do Chile, se chama Jonny Walker?

Ubiratan Leal

Imagens: FPF




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