ANARQUISMO

ANARQUISMO

 

 

Concepção ou corrente de pensamento segundo a qual o Estado deve ser abolido e a sociedade organizada de modo voluntário, sem o uso da força ou a imposição de obrigações. Segundo os anarquistas, o Estado é um corpo parasita que não desempenha nenhuma função útil, e apenas permite a uma pequena classe privilegiada explorar o restante da sociedade. Em seguida à abolição do Estado - o que, para a maioria dos anarquistas, exige uma luta revolucionária - surgiriam as instituições voluntárias que manteriam a ordem e coordenariam a produção. Há uma ampla gama de visões anarquistas a respeito da forma que tomará a nova sociedade sem Estado: vão do individualismo econômico do americano Benjamin Tucker ao comunismo do russo Piotr Kropotkin. No século 19, ativistas anarquistas tiveram importante papel na radicalização do movimento operário europeu. Tendências anarquistas também foram importantes dentro do operariado organizado de países da América do Sul no início do século 20. O maior êxito prático das idéias do anarquismo se deu no início da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), quando muitas áreas do país estiveram sob controle dos anarquistas. Ultimamente, no entanto, o movimento ficou reduzido a núcleos isolados, cuja influência se dá por sua contribuição a causas como o pacifismo e a ecologia.

O teórico social francês Pierre Joseph Proudhon foi o primeiro a esboçar o conceito de que igualdade e justiça devem ser consumadas através da extinção do Estado e sua substituição por livres acordos entre indivíduos. Grupos de anarquistas tentaram encontrar apoio popular em vários Estados europeus nas décadas de 1860 e 1870. Eles hostilizavam o marxismo afirmando que a tomada de poder pelos trabalhadores apenas perpetuaria a opressão. O anarquista russo Mikhail Bakunin fundou a Aliança Social Democrática (1868) tentando tirar os trabalhadores da Internacional de Marx. Anarquistas oscilavam entre as estratégias de associações espontâneas e de atos violentos contra os representantes de Estado. O presidente da França, o rei da Itália e a imperatriz da Áustria foram assassinados por anarquistas entre 1894 e 1901. Subseqüentemente eles tentaram mobilizar a massa trabalhadora apoiando a Greve Geral Russa, que delineou as revoluções russas de 1905 e 1917. Sua influência na Europa declinou após o aparecimento dos Estados totalitários. Na última metade do século 20 o anarquismo atraiu terroristas urbanos.

 

Idéias e Movimentos Anarquistas

Principais Idéias Anarquistas

Anarquismo é geralmente identificado como caos ou "bagunça", por ser uma doutrina política que defende a abolição de qualquer tipo de governo formal; mas, na verdade não é bem isso. Etimologicamente esta palavra é formada pelo sufixo de archon, que em grego significa governante, e an, que significa sem. Ou seja, anarquismo significa ao pé da letra "semgovernante". A principal idéia que rege o anarquismo é de que o governo é totalmente desnecessário, violento e nocivo, tendo em vista que se toda a população pode, voluntariamente, se organizar e sobreviver em paz e harmonia.

A proposta dos anarquistas é contraditória ao sistema capitalista mas, não deve ser confundida com o individualismo pois, como já foi dito, está fundamentada na cooperação e aceitação da realidade por parte da comunidade. De acordo com os principais pensadores anarquistas, o homem é um ser que por natureza é capaz de viver em paz com seus semelhantes mas órgãos governamentais acabam inibindo esta tendência humana de cooperar com o resto da sociedade.

Com isso, podemos perceber que uma sociedade anarquista não é algo totalmente descontrolado como todos pensam, muito pelo contrário, esta é uma sociedade bem estruturada e organizada, só que esta organização está baseada neste instinto natural do homem. Ou seja, ela depende da autodisciplina e cooperação voluntária, e não uma decisão hierárquica.

A sociedade cria uma construção artificial, na qual a ordem é imposta de cima para baixo, como em uma pirâmide. Já no anarquismo a sociedade não seria uma estrutura e sim um organismo vivo que cresce em função da natureza.

Por isso, os anarquistas abominam a formação de qualquer partido político pois estes acabam com a espontaneidade de ação, burocratizando-se e exercendo alguma forma de poder sobre o resto da população. Eles também temem as estruturas teóricas na medida em que estas podem se tornar autoritárias ou "sentenciosas".

Daí o anarquismo ser conhecido como algo vivo, e não uma simples doutrina, a ausência de poder e controle na mão de alguns torna o movimento anarquista algo frágil e flexível. A crítica ao poder do Estado leva à tentativa de inverter a pirâmide hierárquica de poder, o que formaria um sociedade descentralizada que procura estabelecer um relação de forma mais direta possível. A responsabilidade começa nos núcleos vitais de civilização, onde também são tomadas as decisões, local de trabalho, bairros, etc.. Quando estas decisões não são possíveis de ser tomadas, formam-se federações. O importante, porém, é manter a participação e aprovação de todas as pessoas envolvidas.

Os anarquistas criticam a forma de governar do parlamentarismo pois a representação corre o risco de entregar o poder à um homem inescrupuloso e hábil, que use as paixões do povo, para sua auto promoção. Quando as decisões abrangem áreas mais amplas são convocadas assembléias, com intuito de nomear delegados que estão sujeitos à revogação de seus cargos.

Apesar de o anarquismo ser diferente na Europa e Brasil, ele tinha uma mensagem comum nos dois: a liberdade e a igualdade só serão conquistadas com o fim do capitalismo e do Estado que o defende. O anarquismo considerava, assim como o socialismo, que a propriedade privada era o principal problema da sociedade, argumentando que os "recursos naturais da terra" pertencem à todos, ou seja, sua apropriação para uso pessoal é roubo. O sistema capitalista causou o empobrecimento e exploração de muitos para a riqueza e avareza de poucos. Os fortes obrigaram os fracos à servir e em uma luta incessante pela riqueza as diversas nações entraram em guerra. Assim, claramente, podemos perceber que o capitalismo foi criado para atender à necessidade de uma classe dominadora e exploradora e não ao resto da sociedade.

A socialização da propriedade, unicamente, não pode mudar nada, pois acabar com a propriedade privada sem acabar com o governo burocrático só faria com que se criasse uma classe privilegiada em sua própria preservação. Todas as formas de governo acabam usando de determinada doutrina para "roubar" a liberdade do homem e satisfazer a "casta governante". Todas, usam da repressão policial ou militar para impor a sua vontade diante do povo, e, as leis, de um modo geral, são decretadas pelos poderosos para legitimar sua tirania. Na sociedade capitalista quando os pobres protestam contra os ricos, a polícia e o exército entram em ação; mais tarde estes pobres reprimidos têm de pagar as despesas destes dois órgãos e ainda do judiciário, que servem para dominar os trabalhadores.

Os anarquistas insistem que os meios de propaganda e educação recebem o apoio e o controle do Estado, para perpetuar os objetivos deste. A religião, é uma importantíssima ferramenta para os burgueses pois pacífica o trabalhador, levando- o a aceitar a miséria sem protestos, induzindo-o a desistir de sua liberdade e aceitar a dominação dos que "roubam" o fruto de seu trabalho. As escolas são usadas para ensinar aos homens a obediência às instituições já formadas; homens são treinados para adorar o seu país, dispondo- se sempre a dar sua vida pelos interesses de sus exploradores.

Então, somente eliminando o Estado e a propriedade privada é que o homem será totalmente livre, de suas carências, dominação, para desenvolver seu potencial ao máximo. Em uma sociedade anarquista as leis e a violência serão desnecessárias pois os homens livres serão capazes de cooperar para o bem da humanidade. Nessa sociedade, a produção seria feita de acordo com as necessidades da população e não para o enriquecimento de alguns poucos; com o fim das propriedades privadas não haveriam mais assaltos, ninguém iria cobiçar o que é dos outros (pois nada seria dos outros); acabaria a exploração das mulheres, cada um poderia amar à quem quisesse, independentemente de sua classe social e grau de riqueza, sem ser necessário o casamento; não existiria mais a violência e nem as guerras, ninguém mais lutaria por riquezas e não existiria mais o nacionalismo, racismo, carência e competição.

Se há anarquistas que praticam atentados políticos, não é em função desta sua posição, mas sim uma resposta aos abusos, perseguições e à opressão sofrida por eles. Não são, portanto, atos anarquistas e sim de revolta inevitável por parte dos explorados contra a violência dos altos escalões.

 

Movimentos Anarquistas

Esta doutrina utópica se organizou primeiro na Rússia, durante a segunda metade do século XIX. No final desse século, o anarquismo na França, Itália, Espanha e Estados Unidos, associou-se ao sindicalismo formando o anarco-sindicalismo.

Mas, os movimentos sociais dos democratas e comunistas, partidários das idéias Marxistas, derrotaram a proposta revolucionária anarquista internacional. Somente na Espanha ele continuou com uma grande força mas foi destruído em 1936, na guerra civil.

O mais brilhante dos anarquistas foi indiscutivelmente Bakunin, um filho de ricos aristocratas russos. Tornou-se revolucionário apartir das influências de Proudhon; participou das rebeliões parisienses e praguenses, em 1848 e 1849 respectivamente. Ele foi preso por vários anos e exilado na Sibéria. Quando retornou, em 1870, entrou nas revoltas de Lyon e Bolonha. Fez muitas críticas à Marx, tendo sido expulso da Primeira Internacional em 1872; com vários de seus companheiros ele fundou a Internacional Saint-Imier.

Além de Bakunin, Proudhon (seu mestre) e Kropotrin, o anarquismo conta com artistas, jornalistas e intelectuais em geral: como Oscar Wilde, George Orwell, Picasso, Emma Goldman, Malatesta e George Woodcock.

Em 1879, após a morte de Bakunin, que era chamado de gênio da destruição, a propaganda anarquista feita por Kropotkine, Reclus, Malatesta e outros, atravessou um novo período de efervescência revolucionaria, pelo menos na parte ativa pensante do proletariado francês.

O anarquismo, apesar da lei repressiva de 1872, que fez muitas vítimas, alastrava-se de uma maneira espantosa, através da palavra, imprensa e do fato, adquirindo o partido revolucionário, vastas proporções, como ficou visto no conselho de Marselha, onde os operários franceses, em um número enorme, se declaravam pelo anarquismo. Em Lyon, como em outros grandes centros industriais, as idéias libertárias desenvolveram-se largamente, tendo sido, no pequeno período de três meses, publicados 16 periódicos revolucionários e um grande número de folhas soltas.

Essas propagandas, não poderiam deixar de produzir os seus frutos. Em agosto de 1872 Montecaules- Mines, era um teatro de grandes tumultos revolucionários e a igreja de Bois-du-Verne foi incendiada por meio de dinamites. Em 21 de outubro, uma poderosa bomba explodia no teatro de Bollecour, sendo Civoet, apontado erradamente como autor desse atentado.

O governo assistia amedrontado o processo rápido das idéias libertárias, assim procurando um pretexto para "sufocar" o movimento que estava tendo os seus triunfos. Em 1883, 66 indivíduos, entre os quais se achava Pedro Kropotkine, preso em Thonon, eram levados ao tribunal de Lyon, acusados de pertencerem a uma organização internacional de "malfeitores". O juri era composto por burgueses covardes e infames, sendo dos 66 acusados 47 condenados a vários anos de prisão, outros expulsos, etc. Este processos foi um dos mais importantes episódio da história revolucionária.

Em fins do século XIX o movimento sindical fortaleceu intensamente o anarquismo, resultando no movimento chamado anarco-sindicalismo, que enfatizava que os sindicatos deveriam não só brigar por salários mas também se tornar agentes de mudanças sociais. Foi na Espanha que este movimento se tornou mais expressivo, até quando não pôde mais resistir às investidas do exército do ditador Franco. Na Itália e Alemanha, o anarquismo foi instinto pelos movimentos fascista e nazista.

O anarquismo ressurgiu depois da Segunda Guerra Mundial e se reativou na década de 60 com o ativismo de jovens europeus e americanos, o que resultou no movimento estudantil de 1968, em Paris.

 

Anarquismo no Brasil

O anarquismo no Brasil é algo especial- é favorável em alguns pontos e desfavorável em outros. Ele derivou principalmente da literatura e experiências socialistas européias.

Seu desenvolvimento, contudo, resultou da própria experiência brasileira embora a evolução de sua teoria e prática tenha mudado de maneira semelhante à do movimento anárquico europeu. O lado ruim é a baixa instrução das massas populares, aqueles que sabem ler são a minoria e os que sabem escrever são mais raros ainda.

O lado bom é que não há socialistas no Brasil, o único grupo que nos atiça é o dos carregadores e anexos do Rio, muito bem organizados em torno de bons advogados.

Edgar Rodrigues exalta que no Brasil, as primeiras experiências anarquistas foram antes mesmo da chegada dos imigrantes: nos quilombos. Lá, tudo era de todos, terras, produção agrícola e artesanal: cada um retirava o necessário.

Depois por volta de 1890, o sul do Brasil teve uma fracassada experiência anarquista, financiada pelo imperador.

No fim do século XIX, as aspirações anarquistas no Brasil ganharam vigor. A greve de 1917 foi comandada em sua maioria por anarquistas, a infinidade de jornais libertários da época inclusive atestaram a força e organização dos anarquistas do Brasil na época.

A primeira iniciativa dos anarquistas brasileiros foi tentar expandir o seu trabalho através do voluntarismo. Os primeiros jornais anarquistas e anarco-sindicalistas tentaram se sustentar apenas de contribuições, porém, os militantes eram poucos e não possuíam muitos recursos econômicos. Assim, poucos foram os jornais anarquistas que publicaram mais de cinco números, todos pediam exaustivamente contribuições em seus editoriais. A terra livre, o jornal melhor sucedido antes da primeira guerra mundial, só editou setenta e cinco números em cinco anos. O tempo passava e os anarquistas procuravam um suporte financeiro mais eficaz, passaram a vender assinaturas; usaram de recursos outrora considerados corruptos, como rifas e festas.

Estas últimas eram freqüentes, e seu êxito dependia muito mais das atrações sociais do que de sua dedicação ideológica.

As teorias e táticas do anarco-sindicalismo infiltraram se no Brasil através de livros do teóricos sindicalistas residentes na França. Como em todos países onde penetraram essas teorias difundiram se no Brasil através da imprensa, de panfletos, e das decisões dos congressos operários dominados por anarco-sindicalistas.

"A ação direta era a bandeira do sindicalismo revolucionário" . Cada ação direta, greves, boicotes, sabotagens, etc, era considerada um meio dos trabalhadores aprenderem a agir de uma maneira solidária na sua luta por melhores condições de trabalho, contra o seu inimigo comum, os capitalistas. Cada uma dessas ações diretas é uma batalha na qual o proletário conhece as necessidades da revolução por meio de sua própria experiência. Cada uma delas prepara o trabalhador para a ação final: a greve geral que destruirá o sistema capitalista.

Nestas ações, considerava violência algo aceitável, sendo justamente este o fato que distinguia o anarco-sindicalismo das outras formas de sindicalismo brasileiras. A sabotagem, eram considerada especialmente eficaz para o proletariado, se não pudessem entrar em greve, estes, poderiam agredir seus exploradores de outra forma, empregando a filosofia de que para um mau pagamento há um mau trabalho. A destruição de equipamentos tocaria no ponto fraco do sistema, pois as máquinas são mais difíceis de se substituir do que os trabalhadores.

Hoje em dia, ainda há no Rio e na Bahia jornais anarquistas, que publica a história do anarquismo e edita anarquistas brasileiros.

 

Anarquismo na Rússia

Os estudiosos se interessam muito pelo anarquismo particularmente russo. Isto porque foi lá que o anarquismo surgiu no final de século XIX, se desenvolveu e organizou-se.

Desde muito cedo movimentos anarquistas já era esboçados naquela região, principalmente nas fronteiras onde estavam as maças de camponeses injustiçados.

Em 1875, por exemplo, três jovens entusiasmados com obras de escritores anarquistas iniciaram uma pequena conspiração contra o Czar, abusando de artifícios não aprovados pela doutrina anarquista. Assim, difundiram no distrito de Kieve a idéia de que o Czar reconhecia o direito dos camponeses, mas, seu exército não poderia fazer nada contra os poderosos nobres. Assim, convenceram o povo a organizar uma milícia revolucionária para desapropriar os nobres. Porém, em um descuido a policia do Czar descobriu esta milícia e prendeu centenas de camponeses inclusive os três jovens. Vários destes presos foram deportados para a Sibéria, enquanto os três fugiram da prisão.

No final deste mesmo século, o anarquismo sofreu uma tendência terrorista herdada de Nechaev. Alguns grupos não foram contra mas também não fizeram parte dos atentados terroristas que criaram o grupo Narodnaja Volja, responsável pelo assassinato do Czar Alexandre II. Isso desencadeou exílios e prisões e anos mais tarde formaram se os primeiros grupos declaradamente anarquistas na Rússia.

Em 1903, foram publicados vários jornais que, juntamente com greves, tumultos no campo demonstrações estudantis e descontentamento no exército, deu a estas manifestações um sentido de liberdade.

Mesmo assim, os próprios anarquistas não sabem se foram estas as causas da revolução de 1905. Outros fatores que com certeza influenciaram tal revolução foi o descontentamento popular, estouro de greves, camponeses incendiários e saqueadores, operários nas ruas e as derrotas sofridas ao Japão na guerra.

Nesta revolução, os anarquistas presentes eram realmente muito poucos. Há quem diga que o número não passou de duzentos.

Em 1906, os antarquistas se fortaleceram, instalando bases nas principais cidades russas. Um ano depois veio a grande reação governamental e o anarquismo perdeu a sua força.

Depois da Primeira Guerra Mundial, período em que o anarquismo sumiu quase que por inteiro os anarquistas se confundiram com todas as forças de esquerda que queriam transformar a Russia em uma república. Para isso foi preciso que todos os exilados voltasse para que o anarquismo russo retomasse o seu brilho.

No início, eles não queriam participar no governo bolchevique, mas alguns participaram ativamente. Rapidamente a grande maioria percebeu que este novo governo era uma ditadura contrária a todos os ideais de liberdade. Assim, o combate com o governo foi inevitável.

Em abril de 1919, na cidade de Jarkov, houve uma reunião de anarquistas de todas as tendências, fora os sindicalistas, numa conferencia mais tarde denominada Nabat ( que significa alerta ). Eles iniciaram com a campanha do "anarquismo único", sobre o comando do russo chamado Voline. Eles procuraram unir todos os ramos do anarquismo, criaram a Confederação de Organizações Anarquistas; opuseram-se a ditadura governamental mas concordavam os movimentos contra-revolucionários capitalistas eram o maior perigo para a revolução russa. Decidiram organizar e apoiar qualquer grupo de guerrilheiros que fosse contrário ao Exército Vermelho e estavam observando um grupo de guerrilheiros camponeses organizados sobre o comando de Nestor Machnó. Eles não apoiaram nenhum soviete ou sindicato ligados à partidos.

 

Anarquismo na França

Uma das figuras mais importantes do anaquismo na França foi Koenigsten, porém sua importância não esta ligada às bombas que produziu e sim à sua morte. Mas, ele não foi o pai do "terror anarquista" . Foi nesta mesma França que os discípulos de Proudhon realizaram a primeira Internacional; onde se desenvolveu primeiramente o anarco-sindicalismo; o individualismo anarquista e onde o terrorismo chegou às mais sinistras proporções. Foi lá também que os poeta, escritores e pintores se influenciaram pela doutrina anárquica no glorioso fim de século.

Na metade do século passado se desenvolveram na França várias correntes anarquistas. Entre essas, estão a de Ernest Coeurderoy, caracterizada pelo abuso da violência e a de Joseph Déjacque ( um dos precursores da "propaganda pela ação").

Mas, até o final de 1870, o que prevaleceu na França foi a doutrina mutualista. Esta, perdeu a sua influência para as idéias coletivistas através destes Bakuninistas: Elisée Reclus, Benôite Malon, Albert Richard e outros.

É interessante notar que a comuna de Paris não foi nem anarquista e nem Marxista, mesclando-se com todas as correntes políticas de sua época. Com sua queda em 1871 a Internacional dos anarquistas foi considerada subversiva, tendo que se tornar clandestina, o que provocou o exílio de todos os libertários o ano de 1879 ( um pouco depois da unificação de diversos grupos) foi o da anistia aos participantes da Comuna, houve a reestruturação das diversas correntes politicas e o conseqüente aumento das divergências.

Em 1881, um movimento explicitamente anárquico começou a se difundir e propagar na França. O prestigio do anarquismo na época foi causado mais pela grandeza dos intelectuais adeptos a ele do que aos seus atos. De 1881 a 1894 o povo francês sofreu na pele a violência politica que unificou uma pequena minoria dos anarquistas mas casou muito tumulto e agitação. Esta violência é creditada à influencia de um sinistro delegado, Louis Andrielx, e de um agente belga, Égdi Spilleux.

Na primavera de 1884, houve o primeiro atentado anarquista: um jardineiro, Louis Chavés, matou a madre superiora que o hospedara em um convento. Uma pequena organização chamada Banda Negra executou em Montceu-les-Mines, uma série de atos anti religiosos: incêndios em capelas, escolas e vilarejos. Eles foram presos mas nada se provo contra eles. Isto fez com que o governo francês, em 1883, promovesse em Lyon o famoso processo contra 65 libertários.

No mesmo ano, Louis Michel e Emile Pouget lideraram mais ou menos 500 manifestantes contra as ações ilegais do governo contra os anarquistas. Apesar de terem sido presos os dois e todos os condenados de Lyon receberam a anistia, devido à indignação da opinião pública.

Foi por conta de Ravachol que mais uma fase violenta teve início: de 1892 à 1984 foram cometidos onze atentados à dinamite, que resultaram em nove mortos. O ministro residente da Sérvia sofreu um atentado e o presidente foi apunhalado e morto. O país inteiro estava amedrontado e os instrumentos de ação utilizados pelo governo acabaram com a imprensa libertária, processaram os líderes e dissolveram os grupos autônomos.

Em oposição à isto o comunismo-anárquico criou escolas libertárias e comunidades rurais anarquistas, que resistiram até a metade deste século.

Somente em 1920 os anarquistas tentaram se reunir, criando a União dos Anarquistas Franceses (UAF), o que reagrupou os diversos grupos previamente separados. Novas amarguras e divisões ainda estariam por vir, como o fascismo e o nazismo. Os russos exilados na França tentaram fundar uma Plataforma de Organização Geral dos Anarquistas. A UAF foi o palco dessas tentativas. Eles queriam basicamente unificar os anarco-sindicalistas, anarco-comunistas e os individualistas. De 1926 até os dias de hoje o anarquismo na França sofreu várias divisões que criaram siglas e mais siglas ou pequenos grupos. A principal manifestação moderna anarquista contra o poder autoritário foi a revolta estudantil em maio de 1968 e, em junho de 1977, em Toulon, o congresso reativou a FAF.

 

Anarquismo na Itália

Os sucessores de Malatesta, assistiram pasmados ao enfraquecimento do anarquismo italiano depois da Segunda Guerra Mundial. Depois do fracasso da reconstrução da USI- União Sindical Italiana- as discuções passaram a ser apenas de nível ideológico. O tradicional humanismo anarquista influenciou e organizou os anarquistas só em relação à suas preocupações quanto as perdas do anarco-sindicalismo, que estava perdendo espaço na organização dos trabalhadores, para o reformismo. Este reformismo foi marcado por lutas dispersas sem nenhum conteúdo radical ou realmente revolucionário.

Pouco antes do ano de 1965, os antarquistas italianos fundaram a FAI- Federação Anarquista Italiana-, que tentou fazer um pacto de federações com os humanitaristas, anarco-comunistas e os sindicalistas. Em 1968 a FAI sofreu divisões internas, das quais saíram os Grupos de Iniciativa Anárquica- GIA-, que eram pequenos grupos pacifístas, que defendiam a autonomia pessoal e era contra qualquer participação nos órgãos do sistema, inclusive nos sindicatos.

Outra divisão gerou os GAF- Grupos Anarquistas Federados-, que duraram até 1971 e tentaram criar uma "base teórica para os grupos de afinidade".

Outra corrente formada destas cisões foi a dos comunistas libertários ou anarco-comunistas que tinham com plataforma a organização elaborada pelos russos exilados na França. Aliados a outros grupos anarco-comunistas, formados fora da FAI eles formaram núcleos de defesa sindical em cidades e fábricas.

Os anarco-sindicalistas são até hoje fortes na região da Toscana e trabalham para reconstruir uma oposição sindical revolucionária dentro dos sindicatos considerados reformistas.

A ascensão destas correntes da FAI foi em 1977, com o movimento estudantil. Eles defenderam a autonomia nas fábricas e escolas, apoiaram o feminismo, os grevistas e os marginalizados em geral: presos, homossexuais, ecologistas, etc.. Em setembro deste mesmo ano se reuniram mais de 40.000 jovens em um congresso em Bolonha. Eles dormiram em praças, comeram através das cooperativas agrárias, levaram jogos e esportes por toda a cidade e denunciaram a violência policial.

Desde o século passado que a Itália tem características muito particulares quanto aos seus movimentos libertários. O primeiro periódico italiano, o "II Proletário" era prodhoniano, apesar deste ter pouca influência posteriormente. Mas um dos líderes do "Rissorgimento", Carlos Pisacane, foi quem difundiu as idéias e teorias de Proudhon, tendo nitidamente um caráter libertário.

A Fraternidade Internacional de Bakunin marcou simultaneamente o surgimento do anarquismo na Itália e seu internacionalismo. Seu primeiros camaradas foram Guiseppe Fanelli, veterano francês de 1848, sendo quem praticamente fez nascer o anarquismo na Espanha, já que foi o representante da ala antiautoritária da I Internacional; Severino Friscia, médico homeopata de grande importância na Fraternidade; Carlos Gambuzzi, advogado íntimo de Bakunin, fiel colaborador e amante da mulher deste; e Alberto Tucci, um napolitano membro da cúpula internacional da Fraternidade.

Apartir de 1869, o anarquismo passou a influenciar muito a Itália, no início apenas no centro e mais tarde por toda a península. Em 1871 houve a adesão de muitos membros, entre eles Malatesta, Carlo Cafiero, Carmello Palladino, todos com mais ou menos 20 anos e com grande disposição libertária. Com o crescimento da Internacional, Bakunin teve maior apoio contra Marx e Angels. O maior centro anarquista foi a Romagna, sobre a regência de Andréa Costa.

Em 1873, o governo reprimiu e prendeu muitos membros de um congresso em Bolonha. Durante o ano seguinte os internacionalistas contaram com 30.000 membros da causa. Dois anos depois Carlos Cafiero e Malatesta partiram para o campo aberto propondo a "propaganda pela ação" como tática para os anarquistas de todo o mundo. Esta doutrina dominou os atos anarquistas europeus até 1890. Conforme explicitou Andréa Costa a ação violenta era necessário no país para iluminar o novo ideal entre os velhos camaradas que já estavam desanimados. Eles criaram organizações secretas e revoltas violentas em vários locais, mas todas fracassaram. Isto resultou em muitas prisões que acabaram cessando o anarquismo apesar da simpatia popular para com este movimento, principalmente no reinado Vittorio Emanuele.

Aos poucos os italianos esqueceram o coletivismo de Bakunin e passam ao anarco-comunismo. Ao mesmo tempo começaram os atos de violência: um cozinheiro tentou espancar o novo Rei Umberto; no dia seguinte uma bomba matou quatro pessoas num cortejo real em Florença; dois dias mais tarde outra bomba foi detonada em Piza. Neste mesmo ano, 1878, intensificaram-se os atentados, mortes e prisões anarquistas.

Andrea Costa abandonou a causa, se elegeu para a câmara dos deputado e ajudou na fundação do Partido Socialista Italiano.

Carlos Cafiero, em 1882, convocou os anarquistas para uma entrada em massa na social-democracia. O proletariado italiano passou a apoiar o socialismo parlamentar, reduzindo os anarquistas à minoria. Estes, sobreviveram graças às atividades incessáveis de Saverio Merlino e Malatesta. Como em toda Europa, no começo do século a Itália sofreu o renascimento das ações libertárias com o anarco-sindicalismo.

 

Anarquismo na Espanha

Este foi o único país do mundo no qual as idéias de Bakunin se concretizaram tornando-se um poder real. Foi lá inclusive, que o anarco-sindicalismo alcançou seu apogeu.

A história de sofrimento das massas populares espanholas é anterior a chegada de Fanelli, precursor persuasivo e expressivo de tal doutrina tão brava, calorosa e criativa.

Por volta de 1840 o parlamento espanhol provocou uma grande revolução ao confirmar o desapropriamento das terras de pequenos fazendeiros, para dá-las à ricos cidadãos das cidades. Para se defender desta injustiça os camponeses se armaram e se defenderam como puderam. A "nova classe de fazendeiros" desenvolveu um pequeno exército de ocupação das terras, iniciando uma interminável guerra entre guerrilhas.

Assim, os camponeses seguiram um "ritual" quase que pré-programado. Eles mataram os guardas, sequestraram padres e funcionários, incendiaram igrejas, queimaram registros cadastrais e contratos de arrendamentos, aboliram o dinheiro, declararam sua independência em relação ao Estado, proclamaram comunas livres e exploraram coletivamente a terra. Porém, tudo isso ocorreu anos antes do surgimento das idéias libertárias.

Em 1845, um discípulo de Proudhon, Ramón de La Sagra, fundou em Coruña o jornal El Provenir que, apesar de ter sido fechado imediatamente pelas autoridades pode ser considerado o primeiro periódico anarquista.

Isolada da Europa e com características ao mesmo revolucionárias e conservadoras a Espanha produziu um poderoso movimento anarquista.

Antes do aparecimento dos bakunistas houve várias greves e tumultos em diversas regiões da Espanha. Em setembro de 1868 a rainha Isabelle foi forçada a se exilar quando começou imediatamente a história do ouro e do anarquismo espanhol. Em outubro desse ano, aproveitando a agitação geral, Fanelli espalhou entre os jovens intelectuais e operários as idéias antiautoritárias defendidas na I Internacional. Quase todos, imediatamente aderiram ao movimento, aparecendo os primeiros jornais relatando as primeiras seções da Internacional. Em 1870 foi fundada a Federação Espanhola da Internacional e dois anos mais tarde, apesar das pressões do genro de Marx, os anarquistas descentralizaram as sessões locais, que ganharam total autonomia e criaram um escritório central, apenas com o intuito de fazer correspondências e estatísticas.

Depois da curta e infeliz presidência do federalista Pi y Margall, sem a participação dos anarquistas, o exército tomou o poder e suspendeu a Federação Espanhola da Internacional, prendeu os anarquistas, obrigando-os a se exilarem. Porém os anarquistas continuaram na clandestinidade, atuando com relativo sucesso.

Em 1878, com a tentativa de assassinato do rei Afonso XII a repressão contra-atacou com violência, gerando greves. Quatro anos mais tarde um governo mais liberal legalizou as corporações de operários e liberou a organização Internacional Espanhola. Mesmo assim, a violência adotada por alguns grupos de anarquistas levou-os novamente à clandestinidade um ano depois. Ao mesmo tempo, os anarquistas espanhóis se dividiram entre anarco-comunistas e coletivistas (adeptos de Bakunin).

Anos mais tarde, os anarquistas tomaram a CNT- Confederação Nacional do Trabalho- e evitaram a formação de uma burocracia permanente dentro desta.

Em 1924, depois de muitos incidentes e participações nos movimentos operários de toda a Europa, a CNT foi dissolvida por ordem de Primo de Rivera.

Em 1927, em Valência, representantes de diversos grupos anarquistas se uniram e fundaram a FAI- Federação Anarquista Ibérica- sendo uma organização clandestina e destinada à preparação de revoluções.

Com a queda de Primo Rivera, em 1930, todos os grupos políticos, inclusive os anarquistas passaram a brigar pela república. Mesmo com a conquista desta, os anarquistas continuaram com as greves e reivindicações radicais, deixando bem claro o que pretendiam. Sob o comando da FAI, eles fizeram ma série de atentados, saquearam igrejas e redistribuíram terras, provocando uma verdadeira reforma agrária.

Em maio de 1936, Duruti e Garcia Oliver participaram de um congresso e Saragoza, onde se recusaram a atuar junto aos socialistas, deixando a Espanha em um estado de expectativa e agitação. Com a revolta dos generais em julho de 1936 estourou a guerra civil. Três anos depois, a Espanha caiu sob a tutela de Francisco Franco.

O problema dos anarquistas espanhóis é que eles não podiam se manter fiéis à sua doutrina, ao mesmo tempo que participavam de uma guerra e uma constante luta pelo poder.

Por outro lado, eles podiam acrescentar à sua honra uma extraordinária experiência na guerra civil, tendo praticado com muito sucesso a coletivização dos meios de produção e realizando na prática a autogestão espanhola.

 

Líderes Anarquistas

Bakunin

Bakunin nasceu em 30 de Maio de 1814, e morreu dia primeiro de Julho de 1876 em Berne na Suiça. Ele foi um aristocrata russo que se tornou anarquista e revolucionário.

Abandonou a Rússia em 1840, para estudar filosofia na Alemanha, mas, acabou sendo atraído pelo socialismo revolucionário, se envolvendo nas revoluções de 1848, na Alemanha, França e Áustria. Ele foi preso em Dresden em 1849 e deportado para a Sibéria, de onde escapou em 1861, indo para a Inglaterra, para finalizar o seu trabalho revolucionário.

Bakunin achava que o homem era bom por natureza mas corrompido pela existência de instituições estatais. Ele constantemente atacava a violência do Estado, a religião e o sistema econômico bancário por permitir que pessoas recomeçassem suas vidas em associações voluntárias de indivíduos livres. Ele era totalmente contra as idéias de Marx, a quem via como um autoritário. Apesar disso Bakunin nunca explicou como as suas teorias poderiam ser realizadas e ganhou vários adeptos tanto na Itália quanto na Espanha.

 

Emma Goldman

A anarquista americana Emma Goldman nasceu no dia 27 de junho de 1869, na Rússia, e morreu no dia 14 de maio de 1940. Ela combinou a tradição anarquista dos imigrantes europeus com o radicalismo americano. Depois de um breve casamento em Nova Iorque ela teve uma íntima relação com o anarquista Alexander Berkman. Mais tarde, os dois planejaram precipitadamente uma revolta anarquista, com o assassinato do industrial Henry Clay Frick. O plano fracassou e ela passou a rejeitar certas coisas como a propriedade privada, o casamento, a religião, etc., tornando-se uma verdadeira comunista.

Foi presa por obstruir a conspiração em 1917 e foi deportada para a Rússia em 1919. Depois de se desiludir com as pressões bolcheviques na Rússia ela foi para a Inglaterra, através de um "falso casamento". Sua última participação em movimentos trabalhistas foi na Espanha, na guerra civil que durou de 1936 até 1939.

 

Errico Malatesta

Filho de uma família abastada do sul da Itália, o estudante de medicina Malatesta ingressou na Primeira Internacional e sofreu a influência pessoal de Bakunin. Abandonou a profissão para dedicar os últimos sessenta anos de sua vida à agitação anarquista, tanto em sua terra natal, a Itália, quanto em países tão distantes e tão diferentes entre si quanto a Turquia e a Argentina. Participou de insurreições na Bélgica, Espanha e Itália. Totalmente absorvido pela ação ativista e tendo que ganhar a vida como eletricista, não chegou a escrever nenhuma obra importante mas seus artigos e panfletos estão entre o que de melhor existe na literatura anarquista. Passou os últimos anos de sua vida na Itália e, durante o regime facista, foi mantido sob prisão domiciliar. Tal era o medo que inspirava às autoridades da época que, ao morrer, seu corpo foi jogado numa vala comum para impedir que seu túmulo se transforma-se num símbolo e no ponto de partida para as agitações dos dissidentes.

 

Sacco e Vanzetti

Nicola Sacco, nascido em 22 de abril de 1891 e Bartolomeu Vanzetti, nascido em 11 de junho de 1888, foram as principais figuras do caso de assassinato que gerou a maior polêmica do século XX. Ambos eram anarquistas italianos e foram acusados de assassinar dois homens. Eles conseguiram fugir mas logo foram presos novamente e condenados à morte. Eles morreram eletrocutados em Massachussets, em 22 de agosto de 1927.

O caso gerou a indignação de muitos pois a defesa foi acusada de ter sido convencida da culpa dos dois por causa de suas posições políticas. Em 1926 a defesa tentou reabrir o caso depois de um condenado a prisão ter testemunhado, dizendo que o assassinato tinha sido cometido pela Gangue Morelli. Mas, mesmo assim, o juiz recusou este pedido.

 

Pierre-Joseph Proudhon

Proudhon era filho de camponeses da região de Franché-Comté. Seu pai era um tanoeiro e propietário de uma taberna.

Proudhon iniciou a vida como tipógrafo e mais tarde trabalhou como representante de uma firma transportadora com sede em Lyon. Foi aí que manteve seus primeiros contatos com os socialistas e começou a desenvolver teorias próprias sobre um sistema sem governo baseado numa organização econômica cooperativista e na libertação do crédito da agiotagem que o controlava. Em 1840 publiocou Qu’est-ce-que la propriété?, onde se declarou pela primeira vez anarquista.

O livro foi elogiado por Marx que se transformaria mais tarde no grande grítico das idéias de Proudhon. Durante a revolução de 1848-9, Proudhon tornou-se deputado independente da Asembléia Nacional e fundou um Banco do Povo para demonstrar na prática as suas teorias de crédito livre e editou uma série de diários altamente críticos, começando com Le Representant du Peuple, qque lhe valeu uma longa temporada na prisão sob o reinado de Napoleão III. Posteriormente um outro livro De la Justice, levou a que fosse julgado e exilado na Bélgica. De volta a Paris, suas críticas corajosas fizeram dele um líder respeitado entre os operários, e um grupo de discípulos seus, os Mutualistas, teve participação ativa na criação da Primeira Internacional.

Seu livro póstumo, De la Capacité Politiqque des Classes Ouvrières, forneceu a base teórica para o anarco-sindicalismo. Bakunin chamava-o de "Mestre de todos nós!"

 

Peter Alexeyevich Kropotikin

Nascido em Moscou e pertencendo a uma fammília nobre e tradicional, os Príncipes de Smolensk, descendentes de Rurik, o Grande Príncipe de Kiev na Idade Média, Kropotkin ainda menino atraiu a atenção do Czar Nicolau I e passou a integrar o seleto Corpo de Pagens. Já oficial, servindo na Sibéria, seus interesses científicos levaram-no a realizar explorações de grande importância para a geografia da região. Suas experiências na Sibéria aguçaram uma tendência já existente para a rebelião. Desligou-se do exército, tornou-se geógrafo e mais tarde abandonaria a ciência para tornar-se um anarquista. Ingressou na Internacional em 1872 na Suiça e voltou à Russia para realizar um trabalho clandestino de propaganda. aprisionado, conseguiu fugir espetacularmente para a Europa Ocidental, onde fundou e editou umm jornal, Le Révolté até ser novamente preso na França em 1882. Em 1885 seria libertado, depois de um amplo movimento de protesto apoiado por escritores, cientistas e acadêmicos. Passou os próximmos 30 anos na Inglaterra, onde escreveu suas obras mais importantes: A conquista do pão, Ajuda mútua, Memórias de um revolucionário e Campos, fábricas e oficinas. Voltou à Rússia durante a revolução de 1917, mas desiludido com a ditadura bolchevique e sem qualquer influência sobre os acontecimentos, passou seus últimos anos dedicado a escrever mais um livro, Ética, que deixou inacabado ao morrer. Escreveu também muitos panfletos, e, emmbora tivesse abandonado a pesquisa científica, seu espírito transparece e todos os seus trabalhos.

 

Textos Anarquistas

Discurso de Mikhail Bakunin no Congresso da Associação Internacional dos Trabalhadores na Suiça, 1868

Detesto a comunhão, porque é a negação da liberdade e porque não concebo a humanidade sem liberdade. Não sou comunista, porque o comunismo concentra e engole, em benefício do Estado, todas as forças da sociedade; porque conduz inevitavelmente à concepção da propriedade nas mãos do estado, enquanto eu proponho a abolição do estado, a extinção definitiva do princípio mesmo da autoridade e tutela , próprios do Estado, o qual , com o pretexto de moralizar e civilizar os homens, conseguiu até agora somente escravizá-los, persegui-los e corrompê-los. Quero que a sociedade e a propriedade coletiva ou social estejam organizadas de baixo para cima por meio da livre associação e não de cima para baixo mediante da autoridade , seja de que classe for. Proponho a abolição da propriedade pessoal recebida em herança, a qual não é senão uma instituição de Estado, uma consequência direta dos princípios do Estado. Eis aí senhores por que eu sou coletivista e não comunista.

 

Errico Malatesta - Definição de Anarquia

Anarquia é uma palavra grega que significa literalmente "sem governo", isto é, o estado de um povo sem uma autoridade cons- tituida.

Antes que tal organização começasse a ser cogitada e desejada por toda uma classe de pensadores, ou se tonasse a meta de um movimento, que hoje é um dos fatores mais importantes do atual conflito social, a pa- lavra "anarquia" foi usada universalmente para designar desordem e confusão. Ainda hoje, é adotada neste sentido pelos ignorantes e pelos adversários interessados em distorcer a verdade.

Não vamos entrar em discussões filológicas, porque a questão é histó- rica e não filológica. A interpretação usual da palavra não exprime o ver- dadeiro significado etimológico, mas deriva dele. Tal interpretação se deve ao preconceito de que o governo é uma necessidade na organização da vi- da social.

O homem, como todos os seres vivos, se adapta às condições em que vive e transmite , através de herança cultural, seus hábitos adquiridos. Portanto, por nascer e viver na escravidão, por ser descendente de escra- vos, quando começou a pensar, o homem acreditava que a escravidão era uma condição essencial à vida. A liberdade parecia impossível. Assim também o trabalhador foi forçado, por séculos, a depender da boa vontade do patrão para trabalhar, isto é, para obter pão. Acostumou-se a ter sua própria vi- da à disposição daqueles que possuíssem a terra e o capital. Passou a a- creditar que seu senhor era aquele que lhe dava pão, e perguntava ingenua- mente como viveria se não tivesse um patrão.

Da mesma forma, um homem cujos membros foram atados desde o nascimento, mas que mesmo assim aprendeu a mancar, atribui a estas ataduras sua habi- lidade para se mover. Na verdade, elas diminuem e paralisam a energia mus- cular de seus membros.

Se acrescentarmos ao efeito natural do hábito a educação dada pelo seu patrão, pelo padre, pelo professor, que ensinam que o patrão e o governo são necessários; se acrescentarmos o juiz e o policial para pressionar aque- les que pensam de outra forma, e tentam difundir suas opiniões, entendere- mos como o preconceito da utilidade e da necessidade do patrão e do gover- no são estabelecidos. Suponho que um médico apresente uma teoria completa, com mil ilustrações inventadas, para persuadir o homem com membros atados, que se libertar suas pernas ou mesmo viver. O homem defenderia suas atadu- ras furiosamente e consideraria todos que tentassem tira-las inimigos.

Portanto, se considerarmos que o governo é necessário e que sem o go- verno haveria desordem e confusão, é natural e lógico, que a anarquia, que significa ausência de governo, também signifique ausência de ordem.

Existem fatos paralelos na história da palavra. Em épocas e países onde se considerava o governo de um homem (monarquia) necessário, a palavra "re- pública" (governo de muitos) era usada exatamente como "anarquia", implican- do desordem e confusão. Traços deste significado ainda são encontrados na linguagem popular de quase todos os países.

Quando esta opinião mudar, e o público estiver convencido de que o governo é desnecessário e extremamente prejudicial, a palavra "anarquia", justamente por significar "sem governo" será o mesmo que dizer "ordem na- tural, harmonia de necessidades e interesses de todos, liberdade total com solidariedade total".

Portanto, estão errados aqueles que dizem que os anarquistas escolheram mal o nome, por ser este mal compreendido pelas massas e levar a uma falsa interpretação. O erro vem disto e não da palavra. A dificuldade que os a- narquistas encontram para difundir suas idéias não depende do nome que de- ram a si mesmos. Depende do fato de que suas concepções se chocam com os preconceitos que as pessoas têm sobre as funções do governo, ou o "Estado" como é chamado.




Fonte: http://fabrizior.tripod.com



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