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C. M. Póvoa de Varzim

Resumo histórico dos principais locais de interesse turístico

A Cidade

Espraiada junto ao Atlântico, 28 km a norte do Porto, a Póvoa assume-se como uma “cidade de cultura e lazer”, quer pelos espaços e equipamentos que possui quer pela sua localização privilegiada, que permite incursões fantásticas pelo mundo urbano e rural do noroeste português (Porto, Viana do Castelo, Braga, Guimarães, Ponte de Lima, Gerês, etc.).

Os Museus

Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim

Encontra-se instalado num edifício brasonado da segunda metade do séc. XVIII, classificado como Imóvel de Interesse Público, conhecido por Solar dos Carneiros, e que sofreu, ao longo dos anos, várias alterações de estrutura e pormenor.

Fundado em 1937 pelo etnógrafo poveiro António dos Santos Graça, este é um Museu com especial valor etnográfico, possuindo uma grande colecção sobre a original Comunidade Piscatória Poveira.

Actualmente a exposição temporária do Museu Municipal tem como tema a Arqueologia, visto que se comemora os “100 anos de Arqueologia na Cividade de Terroso”. 

Rua Visconde de Azevedo, tel. 252 090 012

e-mail:museu@cm-pvazim.pt

Terça-feira a Domingo 10h00/12h30 – 14h30/18h00

 

Núcleo Museológico da Igreja Românica de S. Pedro de Rates

Adequando-se ao local e ambiente, este pólo do Museu Municipal dedica-se à preservação e divulgação da história, lenda, arte e arqueologia da Igreja Românica de S. Pedro de Rates

Largo Conde D. Henrique

Tel. 252 957 034

e-mail: museu@cm-pvarzim.pt

Quarta-feira a Domingo 09h30/13h00 – 14h00/17h30

 

Pólo Arqueológico da Cividade de Terroso

Este edifício dispõe de um pequeno auditório/sala de projecções e uma área de recepção onde se faz uma breve apresentação do espaço da Cividade de Terroso, uma das mais importantes estações arqueológicas da Cultura Castreja no Noroeste Peninsular.

Rua da Cividade de Terroso

Tel. 252 692 515

e-mail: museu@cm-pvarzim.pt

Terça-feira a Sábado 09h00/13h00 – 15h00/17h00

 

Os Monumentos

Igreja Românica de S. Pedro de Rates (Séc. XII-XIII - Monumento Nacional)

Este templo teve na sua origem uma capela modesta da época da Reconquista que foi reedificada em finais do séc. XI, por iniciativa de D. Henrique e D. Teresa. O edifício ganha outra projecção no tempo de D. Afonso Henriques (1º rei português), quando se inicia a construção da actual igreja, em meados no séc. XII, tendo as obras terminado um século mais tarde.

É um apreciável exemplo do estilo românico do nosso país. De construção pesada, feita de granito, tem poucas aberturas, uma delas, a rosácea, na parte superior da fachada.

Pelourinho de Rates (Séc. XVI - Monumento Nacional) e Antigos Paços do Concelho de Rates (1755)

Elementos simbólicos da autonomia administrativa que Rates manteve até 1836.

Povoado antigo, S. Pedro de Rates estava na rota de importantes eixos viários (estrada romana; caminho de Santiago; ligações ao Porto, Viana, Braga).

Pelourinho da Póvoa (Séc. XVI – Monumento Nacional) e Praça do Almada

É constituído por uma coluna de pedra, assente sobre degraus, tendo no alto do fuste a esfera armilar, emblema do Rei D. Manuel que renovou o foral à Póvoa de Varzim, em 1514. Esta esfera armilar é a única peça do pelourinho primitivo erigido naquele ano e reconstruído em 1854.

Está implantado na praça do Almada, zona nobre da cidade, circundada por um conjunto arquitectónico de elevado apuramento estético, onde ao granito que faz a marcação da fachada se acrescentam o azulejo e o ferro forjado.

Aqueduto (Séc. XVIII - Monumento Nacional)

Construção de 999 arcos que transportava a água das nascentes de Terroso para o mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. Construído de 1705 a 1714, atravessa as freguesias de Beiriz e Argivai.

Fortaleza de N.ª Sr.ª da Conceição (Séc. XVIII - Imóvel de Interesse Público)

Guardiã e protectora de vidas e bens, a sua construção visava a defesa dos ataques de pirataria. Edificada nos reinados de D. Pedro II e D. João V (1701 a 1740), possui um traçado pentagonal e compõe-se de quatro baluartes ligados pelas respectivas cortinas de muralhas.

Igreja Matriz (Séc. XVIII - Imóvel de Interesse Público)

Construção iniciada em 1743 e terminada em 1757, este é o templo mais antigo e significativo da cidade e marca a consolidação do crescimento do povoado. Esta igreja barroca ostenta, nos seus vários altares, uma talha dourada “Rocaille” impressionantemente rica.

Paços do Concelho (Séc. XIX - Imóvel de Interesse Público)

A arcada da frontaria, desenhada em 1790-91 pelo Engº francês Reinaldo Oudinot, sugere a estrutura arquitectónica e decorativa da Feitoria Inglesa do Porto. Inaugurada em 28 de Dezembro de 1807, sofreu, entre 1908-10, profundas obras de ampliação e decoração orientadas pelo etnólogo Rocha Peixoto e pelo pintor belga Joseph Bialman: torre e azulejamento interior e exterior do edifício.

Igreja de N.ª Sr.ª das Dores (Séc. XIX - Imóvel de Interesse Público)

Este templo, de formato pentagonal e estilo barroco, data dos finais do séc. XVIII, embora só em 1866 tenha adquirido o aspecto actual com a conclusão das 6 pequenas capelas circundantes. Representadas por esculturas de tamanho natural, estão aqui ilustradas seis dores de Nossa Senhora, estando a sétima no próprio altar-mor.

 

A Arqueologia

Cividade de Terroso (Imóvel de Interesse Público)

Situa-se numa elevação com cerca de 153 m de altitude, onde se regista um longo período de ocupação (séc. VIII a.C. – séc. III d.C.) e que forneceu já importantes elementos de estudo para a história dos povos castrejos e da implantação romana. A sua descoberta e escavação deu-se nos inícios do século XX pela mão de Rocha Peixoto e, desde 1980, vêm-se realizando trabalhos arqueológicos tendentes à sua escavação, estudo e valorização. No Museu Municipal existe um “Núcleo de Arqueologia” onde está em exposição o espólio mais significativo desta estação arqueológica.

Monte de S. Félix

Este é o ponto mais elevado da serra de Rates, 202 m de altitude. Ponto panorâmico privilegiado, daqui se pode observar toda a região e notar-se a sua diversidade marítima, campesina e urbana. Aí estão instalados moinhos, alguns deles convertidos em residências de férias, a capela de S. Félix e a Estalagem do mesmo nome.

Campos Masseira

Forma inteligente de aproveitamento das dunas onde, em pequenas explorações, praticando uma cultura intensiva, se obtêm excelentes produções hortícolas.

Na zona de Aguçadoura e Estela, os agricultores cavaram as dunas até próximo do nível freático (lençol de água) – o que permite um grau de humidade mais ou menos constante ao longo do ano – e modelaram o campo em forma de masseira ou gamela. Nos valados cultiva-se a vinha. Com este rebaixamento de alguns metros consegue-se uma protecção dos ventos marítimos, reforçada por sebes, de que resulta um aumento térmico. Estes dois factores aliados (humidade e temperatura) fazem com que funcionem como uma espécie de estufa.

 

O Local de Peregrinação

Beata Alexandrina de Balasar

Alexandrina Maria da Costa é natural de Balasar, onde nasceu a 30 de Março de 1904 e aí faleceu, com fama de santidade, a 13 de Outubro de 1955. É conhecida em todo o país por “Santinha de Balasar” e a sua beatificação ocorreu em 25 de Abril de 2004. 

Durante a sua vida foram muitos os “peregrinos” que, através de um contacto directo, testemunharam a sua bondade e sabedoria cristã. Na actualidade, a romagem mantém-se, agora para a Igreja Paroquial, local onde se encontra o seu túmulo, e para a casa onde viveu.

 

Festividades

Na cidade da Póvoa, pela tradição e riqueza das celebrações, destacam-se:

Semana Santa pródiga em manifestações profanas e religiosas;

S. Pedro uma semana de folguedos que tem o seu ponto alto na noite de 28 para 29 de Junho;

Nossa Senhora da Assunção padroeira dos pescadores, a 15 de Agosto;

Nossa Senhora das Dores em meados de Setembro, onde aos arraiais se junta a característica feira da louça.

 

Casino da Póvoa

É uma belíssima construção neo-clássica, inaugurada em 1934 e concebida de raiz  para  a função que ainda hoje desempenha - espaço privilegiado de convívio e diversão.

Na oferta de jogo destacam-se os Jogos tradicionais (banca francesa, black Jack, roletas francesas e americanas, poker, bacará ponto e banca) e  650 slot machines.

A animação é diária e com diversas facetas: Salão D’Ouro (restaurante com show diário); Restaurante Varandas; Atrium Piano Bar; Discoteca Alibabar; etc.

Casino da Póvoa – Av dos Descobrimentos, tel. 252 690 888, fax 252 690 871

e-mail: reservas.cpovoa@estoril-sol.com  

www.casino-povoa.com

Diariamente das 15h00 – 03h00

 

Marina da Póvoa

Instalada em local sossegado e seguro, possui lugares até 18 mts., com água potável e electricidade, para além de um leque diversificado de outros serviços.

A harmonia existente entre a marina e a tradicional actividade piscatória e turística proporciona uma boa estadia.

Clube Naval Povoense – Rua da Ponte, 2, tel. 252 688 121/2, fax 252 688 123

e-mail: marinadapovoa@clix.pt

www.clubenavalpovoense.com

 

Campo de Golfe da Estela

Estendendo-se ao longo da praia, nas dunas do Rio Alto, este link à moda escocesa tem 18 buracos – par 72 – e permite o fruir de uma belíssima paisagem marítima e rural.

Rio Alto, Estela, tel. 252 601 814

e-mail: estela­_golf@netc.pt

 

Equipamentos Desportivos

A Póvoa oferece um conjunto de estruturas desportivas de invejável qualidade, palco de numerosas provas de nível internacional. São disso exemplo o Campo de Tiro de S. Pedro de Rates (4 fossos olímpicos, 4 fossos universais, 5 instalações de hélice, 4 instalações de compact Sporting); a Piscina Olímpica coberta e aquecida; o Pavilhão Desportivo Municipal; o Estádio Municipal, etc.

 

Palácio de Congressos do Novotel Vermar

Estrutura anexa ao Hotel de 208 quartos, localizado junto ao mar. O Centro de Congressos está equipado com as mais recentes tecnologias e inclui um Auditório (capacidade 550 pessoas) e 5 grandes salas, todas com luz natural e totalmente equipadas. Dispõe ainda de salas menores para pequenas reuniões.

Novotel Vermar

Rua da Imprensa Regional, tel. 252 298 900, fax 252 298 901

4490-518 Póvoa de Varzim

e-mail: h2124@accor.com

 

O Artesanato

 

Camisola Poveiraé tricotada em lã branca e bordada à mão, a ponto de cruz, com motivos marítimos. A beleza e a originalidade desta peça de importante valor etnográfico tem seduzido nacionais e estrangeiro, para além de servir de inspiração a criadores de moda.

 

Tapetes de trapo feitos em teares de madeira, utilizam como matéria-prima tecidos cortados em tiras (trapos), que se combinam para a obtenção de peças coloridas.  

 

Resumo histórico do santuário

    A Beata Alexandrina de Balasar

    Aí pelos anos trinta, do passado século, a freguesia de Balasar, da Póvoa de Varzim, começou a correr mundo. Divulgava-se o denominado caso da “Santinha de Balasar”.

    Alexandrina Maria da Costa nasceu em 30 de Março de 1904 no lugar de Gresufes, Balasar, onde passou a infância na casa dos avós, depois mudou-se com a mãe e a irmã até ao resto da vida, para uma casa situada no lugar do Calvário.

    Filha de gente humilde, andou por algum tempo a servir, durante a adolescência, mas a sua débil constituição física aconselhava a mãe a retê-la em casa ocupando-se na costura e nos trabalhos domésticos. Tinha 14 anos, precisamente no sábado Santo de 1918, quando inquietada por alguns rapazes da ladeia, cujas intenções julgou serem maldosas, se lançou de uma janela ao quintal ficando prostrada e com violentas dores no ventre. Daí resultou um mal estar que os tempos agravaram e a levou, aos 21 anos de idade, a acamar definitivamente.

    A Alexandrina revelou ter, desde criança, um coração terno e amorável, fazendo com que algumas pessoas gostassem de a ter na sua companhia. Educada cristãmente, esmerava-se nas práticas religiosas, sendo sempre a primeira no serviço da Igreja.

    Quando se viu irremediavelmente perdida para o mundo e depois de ter pedido, em vão, a sua cura, compreendeu que a vontade de Deus era outra e abraçou-se a ela com todo o amor e generosidade oferecendo-se para vítima, dando início a um itinerário espiritual onde tomam expressão as grandes penitências e sublimes arroubos místicos.

    De 1938 a 1944 teve como director espiritual o Padre Mariano Pinho, jesuíta, e daí em diante o Padre Humberto Maria Pasquale, salesiano.

    A partir de 27 de Março de 1942 até à sua morte passou a alimentar-se exclusivamente da Eucarística e, caso curioso, ao mesmo tempo que não suportava os alimentos no seu organismo, sentia grandes saudades da alimentação.

    Por um período de 17 anos (1938-1955) sofreu as dores da Paixão de Jesus. Numa primeira fase (todas as sextas-feiras, desde 3 de Outubro de 1938 até 20 de Março de 1942) sofreu sobretudo as dores físicas; na segunda (desde 27 de Março de 1942 até à morte) sofreu principalmente as dores íntimas de Jesus.

    Devido aos fenómenos místicos foi submetida a repetidos exames de sacerdotes e de médicos. Por três vezes foi internada em hospitais especializados, sendo o último internamento de quarenta dias no Refúgio de Paralisia  Infantil da Foz.

    Morreu no quartinho onde passou a sua vida de martírio, no dia 13 de Outubro de 1955, com 51 anos de idade. O seu funeral foi uma verdadeira apoteose em que se incorporaram milhares de pessoas vindas de todo o país. O seu cadáver foi vestido, como era de sua vontade, com o uniforme de Filha de Maria. Esteve exposto, em câmara ardente, numa sala contígua ao quartinho da morte, durante vinte e quatro horas e, depois dos ofícios religiosos na Igreja Paroquial, foi a enterrar em campa rasa no cemitério da freguesia, sendo depois mudada para uma capela-jazigo e por fim trasladado o seu corpo para a Igreja Paroquial em Julho de 1978.

    A fama de santidade fez de Balasar um centro de peregrinação, particularmente concorrido nos dias 13 de cada mês. Os devotos visitam a sepultura, na Igreja, e a casa onde viveu e morreu.

    A autoridade eclesiástica, nove meses após o falecimento, aprovou uma oração para uso particular com o fim de pedir a Deus a beatificação da Alexandrina. Também chegavam, sobretudo do estrangeiro, listas de assinaturas pedindo a introdução da causa pelo que foi dado início ao processo, sendo nomeado para Postulador da causa o Padre Hector Calovi, salesiano, que em 1966 apresentou os Artigos introdutórios para o Processo Informático Diocesano que decorreu até 2 de Abril de 1973. De Braga passou a Roma que a declarou Venerável, reconhecendo a heroicidade com que a Alexandrina praticou as Virtudes Cristãs, em 12 de Janeiro de 1996, e a beatificou a 25 de Abril de 2004.

    Escreveu o seu diário místico e deixou milhares de páginas manuscritas recolhidas em doze volumes

    Mons. Manuel Amorim

     

    Histórias, tradições ou lendas relacionadas com o local

      A Lenda de S. Pedro de Rates

      Conta a tradição que o S. Pedro de Rates foi convertido ao cristianismo pelo Apóstolo S. Tiago, aquando da sua peregrinação pela Hispânia, no século I. Durante essa viagem, cumprindo a missão de difundir a mensagem de Cristo, morto e ressuscitado havia pouco tempo, foi deixando sementes que germinaram e fortaleceram as raízes das Igreja Católica Apostólica Romana, num império hostil à nossa Fé. Pedro seria um dos sete varões ordenados pelo Apóstolo, em Santiago de Compostela, e nomeado Bispo de Braga.

      Na lenda, o episódio que fez dele um mártir teve origem num milagre: solicitado para curar de doença fatal a filha de um poderoso pagão, S. Pedro de Rates conseguiu-lhe tal dádiva. Reconhecida, converteu-se ao Cristianismo, o que causou a ira do pai e consequente desejo de vingança. Avisado, o Santo refugiou-se em Rates, mas foi aí encontrado e assassinado. Ficou sepultado sob as ruínas da pequena capela onde tudo aconteceu, pois, à semelhança da vida do religioso, também ela foi destruída.

      Séculos mais tarde, do alto do monte onde se refugiara, o eremita S. Félix vislumbrava uma luz na escuridão. Guiado pela curiosidade e pela convicção de um chamamento piedoso, dirigiu-se ao local, procedeu à remoção das pedras e encontrou a causa de tal clarão: o corpo de S. Pedro de Rates.

      A transladação do corpo intacto para a Sé de Braga faz, também, parte da lenda. Os factos reportam-se somente à transferência, no século XVI, pelo Arcebispo Frei Baltasar Limpo, de relíquias do Santo (pequenos ossos que análises realizadas apontam ter pertencido a uma criança com cerca de 12 anos). O corpo, se alguma vez existiu, já teria desaparecido.

      Qual a base histórica desta lenda? A desmontagem pode-se fazer logo ao primeiro nível: são grandes as dúvidas sobre a peregrinação de S. Tiago à Península Ibérica. Logo depois prova-se que a evangelização de Braga é posterior a meados do século I. Por outro lado, este culto não consta em nenhum dos numerosos livros litúrgicos bracarenses anteriores a 1511. A história aparece pela primeira vez nesta altura, num breviário e missal publicado pelo Arcebispo de Braga D. Diogo de Sousa.

      Será que não existem fundamentos reais para toda esta fabulosa lenda? A análise do contexto em que ela surge fornece-nos algumas pistas. No século XVI, a Diocese de Braga continuava a sua querela com Toledo sobre a primazia Ibérica, daí a «grande preocupação em canonizar S. Pedro de Rates, que era identificado como o primeiro Bispo Bracarense e sagrado por S. Tiago Apóstolo.//Deste modo se queria provar que a Igreja Bracarense vinha do tempo apostólico. Para isso, forjou-se a descoberta do seu corpo pelo eremita e um célebre Dr. Lousada fabricou diversos documentos falsos, como sendo de séculos anteriores» (Lopes, Dinis da Silva – Monografia da Freguesia de S. Miguel de Laúndos, Póvoa de Varzim, 1985, p. 136).

      Então tudo isto foi inventado do nada? Existiu algum Santo com ligações à Vila de Rates? É ao Padre Avelino de Jesus Costa que se deve o esclarecimento deste imbróglio. De facto existiu um Pedro, Bispo de Braga, que ao que tudo indica terá morrido em Rates. Este seria não o primeiro eleito para a cátedra Bracarense, mas sim o restaurador da Diocese, aquando da reconquista cristã. A coincidência do nome possibilitava a confusão. O Bispo D. Pedro (1070-1091), o Restaurador, morreu com fama de santidade num mosteiro nos limites da sua diocese, que seria, muito provavelmente, o da Vila de Rates.

      Invocado para muitas graças, S. Pedro de Rates é, no entanto, associado ao combate à esterilidade. De uma antiga fonte com o seu nome, diz-se que se poderia obter a cura da enfermidade, cumprindo a mulher o ritual de se sentar sobre uma pedra furada que aí existia. Talvez por ser mercê tão divina, tem o Santo fama de vingativo para com quem não cumpre o prometido. É, provavelmente por receio desse «humor», que muitas mulheres grávidas guardam o dia do Santo – 26 de Abril – e até para os animais fêmeas no mesmo estado não é aconselhável a utilização nos trabalhos.

      Muito devota do seu Santo, a Vila de Rates colocou-se sob o seu cuidado. Nos limites definidos pelo Caminho do Cerco, ele vela para que nem a fome, nem a peste, nem a guerra toquem nos seus protegidos. Para tal, pode contar com o apoio de S. Sebastião, que é igualmente celebrado pela paróquia, a 20 de Janeiro.

       

        A Gastronomia

        A gastronomia do concelho da Póvoa de Varzim tem duas facetas bem distintas. De um lado as ricas influências minhotas onde os pratos de carne predominam e, no outro, a originalidade da classe piscatória poveira em que, naturalmente, o peixe é o elemento principal.

        As tradições gastronómicas poveiras estão ligadas a um comunidade de forte identidade cultural mas profundamente marcada pela precariedade de meios. As alterações sócio-económicas do século XX permitiram a libertação do limiar da pobreza e da indigência, constante ameaça para o pescador das classes mais modestas. Parco em recursos, a sua alimentação restringia-se aos produtos agrícolas da região e aos que ele próprio granjeava no mar, mas destes só os mais "pobres" (sardinha, raia, cação, cavala, cascarra, peixe bandalho, etc) frequentavam a sua mesa, os peixes "finos" (pescada, badejo, robalo, melo, polvo, etc) eram para venda, não iam à boca do pescador.  Do esforço criativo para ultrapassar estas limitações resultou a riqueza de sabor da cozinha poveira que tem como pratos de referência a “Pescada à Poveira”, o “Arroz de Sardinha”, a “Caldeirada de Peixe” e doce simples mas deliciosos como a Rabanada e a Aletria.