Rapsódia de MPB

De tempos em tempos este blog assume algumas tendências, no final do ano passado pensei que estava postando muito sobre Metal e não dando a devida atenção para os outros estilos, agora acho que temos falado muito sobre MPB por aqui.

Dilei é outra banda deste estilo e ouvi-lá é realmente uma experiência gratificante. Se você não é um Xiita musical certamente gostará do som que a banda faz, uma verdadeira Rapsódia de MPB e diversos outros estilos.

A banda logo de cara encarou uma viagem pelo interior do Nordeste na qual tiveram contato com as diversas realidades do país, influenciando o primeiro álbum da banda, Olhar o mundo com os pés, que traz baladas e músicas mais agressivas.

O disco tem uma certa inconstância, como quando comentei sobre o Boras Band, ele traz uma certa tranqüilidade e empolgação nas músicas que passam de relacionamentos à crítica social, neste caso a intenção da banda é vista até mesmo no nome do CD.

A introdução do Disco lembra muito Cordel do Fogo Encantado com a declamação de um poema que de certa forma prenuncia tudo que virá depois.

Procurar definições para as bandas é difícil, mas a própria oferece uma muita boa em seu site.

Tá certo, basicamente é rock, mas por quê não abranger outros significados? Dilei faz bossa com sintetizador, pop com violoncelo e rock com bandolim. O quinteto compõe a formação pré-histórica do estilo (guitarras, baixo e bateria) com elementos muitos bem vindos: o violoncelo, bandolim e samples eletrônicos. Mistura para quem ousa buscar a originalidade sem o ressentimento de beber da fonte da cultura pop.

Dilei é rock que vira samba sem deixar de ser pop. Usa pífano pra falar de amor, dizer que a infância é um como um livro e guitarra pra realizar sonhos.

E esta rapsódia de estilo, passando da MPB mais clássica para em alguns momentos aproximar-se de um Hard Core ou até mesmo um pouco do Nu Metal, com os mais variados temas e formas de exposição dentro das músicas, utilizam instrumentos não convencionais, quer na MPB ou no Rock.

Diversas bandas tem feito esta mescla de instrumentos, notadamente o Teatro Mágico, porém utilizam os para destacar alguns trechos da música em que se inserem, no Dilei há a completa integração destes no som e na proposta da banda.

A banda prepara-se para o lançamento do oficial do CD que já está disponível para download a algum tempo, sendo inclusive uma das estratégias para divulgação do trabalho do grupo que mesmo antes deste “oficializar” seu trabalho já é bem conhecido pela internet pois, além do site oficial utilizam o Palco MP3, TramaVirtual, MySpace, LastFM, Youtube e Orkut, espalhando sua presença na internet e atingindo um publico ainda maior, também possuem um blog para as novidades da banda.

A sacada genial da banda , para sua promoção fica por conta do songbook, pois muitos fãs arranham o violão mas não podem dedicar-se ao instrumento ao ponto de “tirar” músicas de ouvido, a idéia facilita a música dos fãs da banda fazendo com que tocando em rodinhas de amigos essa se espalhem ainda mais, uma ótima sacada da banda.

OLÊ! OLÊ! OLÊ! OLÊ! MAIDEN! MAIDEN!!!

Iron Maiden! 

Domingo, 15:00. Uma fila contornava o estádio Palestra Itália e parecia se contorcer, misturando calçada e rua num turbilhão de gente.

A fila seria normal, não fosse ela o primeiro sinal da péssima organização do evento.
Ausência total de sinalização na bilheteria (que por causa de uma reforma foi transferida para 4 minúsculos guichês, do outro lado do estádio).
Duas voltas no quarteirão foram necessárias para encontrar uma mísera janelinha onde os ingressos seriam retirados… a conveniência de se comprar pela internet exige o mínimo da organização do evento… lastimável.
Uma vez dentro do estádio, outro problema: os ambulantes na pista não tinham cerveja. Isto não quer dizer que não fosse vendida, mas era preciso se equilibrar na grade da arquibancada para pagar por uma lata o que não se paga numa garrafa. Outro ponto para a organização do show.

Ainda assim, estava lá dentro. Pessoas cantando sozinhas, conversando, esperando. Horas de espera e então a banda de abertura: Lauren Harris, filha de Steve Harris! Mulher linda, mas todo o mérito acaba aí. A banda é competente, mas não empolga, enquanto o vocal da moça irrita. Mais meia hora de sofrimento… pela primeira vez na vida, preferia que o André Matos abrisse o show!

Uma vez sem a garota no palco, veio a chuva lavar o povo já castigado pelo sol.
“OLÊ! OLÊ! OLÊ! OLÊ! MAIDEN! MAIDEN!!!” foi o coro do estádio, como que gritando sua resposta ao céu fechado.
Alguns minutos depois, o céu e a cortina do palco se abriram, quase ao mesmo tempo. Enfim, havia chegado a hora!

Aces High incendiou o público, seguido de clássicos da banda. A cada música, mais e mais pessoas se davam conta do que presenciavam: um dos melhores shows em anos. O som do estádio estava perfeito, o calor fora dizimado pela chuva e The Trooper, Power Slave, Wasted Years, Run to the Hills e The Number of the Beast se tornavam hinos de uma nação que se formava naquela hora.

Duas horas de show passaram como minutos e o público continuava ali, para ter a chance de ouvir da boca do próprio Bruce Dickinson “Nós voltaremos ao Brasil em no máximo um ano, com uma estrutura muito maior!”… silêncio… explosão… êxtase.

Aquilo era o que faltava para que o bis da banda levasse o show ao seu merecido ápice. O público foi presenteado exatamente com o que queria: um grande espetáculo, uma noite inesquecível maior que qualquer problema de organização.

Como fã, me resumo a dizer “Obrigado”.

Saudade…

Quem nunca se pegou ouvindo um MP3 de uma banda antiga, que nunca mais gravou? Quem nunca parou pra imaginar onde estaria algum ex-integrante de seu grupo favorito? Quem nunca quis ver ao menos uma reapresentação, só pra matar a saudade?

Falamos muito nas bandas emergentes e também nas que voltam à ativa… mas onde ficam as que simplesmente acabaram?
E o que é necessário para que um sonhe acabe (John Lennon que me perdoe)? Uma briga mais feia que as outras? Planos diferentes para o próximo ano? Um integrante que busca coisas novas? Ou simplesmente uma razão tão banal que nos escapa?

Seja qual for a resposta, vão-se as bandas e ficam os fãs. Ficam também as lembranças daquela música que marcou um momento importante, daquele sorriso que ninguém mais viu, daquele tempo.

Desse  modo, fica aqui um pequeno memorial a 20 nomes que se foram (ou ao menos sumiram nos últimos anos), para que possamos apreciar o novo, sem esquecer do que um dia nos moveu:

Semisonic
Rage Against the Machine
Chico Science
The Verve
Offspring
Marta Wash
Garth Brooks
Mamonas Assassinas
Shaaman
Nirvana
Pearl Jam
The Who
Alice in Chains
Soundgarden
Stone Temple Pilots
Beatles
Oasis
Blink-182
Radiohead
Raimundos

Próxima »