Perca o medo do Linux!

tux_msn.jpgTentem, como eu já tentei, falar das vantagens de um sistema operacional de código aberto com as pessoas em geral e verão que não se trata de uma tarefa das mais fáceis, ainda mais considerando que vivemos num mundo onde mais da metade dos usuários de computador sequer sabe o que são sistemas operacionais. As pessoas, quando querem comprar um computador, simplesmente vão a uma loja qualquer — o magazine da esquina, por exemplo — e compram um PC, ou esperam que um amigo visite o Paraguai para lhes trazer um computador e daí pagam mais algum dinheiro — por fora — para que outro alguém, obscuramente, lhes instale o Windows, porquê, afinal de contas, sem ele o micro não funciona.

Mas não funciona exatamente porquê o Windows é, nada mais, nada menos, do que um sistema operacional. Me desculpem aqueles que já o sabem — e, se quiserem, podem descer mais além no artigo — mas é preciso esclarecer o quê é um sistema operacional o mais rápido possível: Trata-se de um programa que gerencia não apenas o seu hardware — ou seja, os componentes do seu computador, a parte física dele — mas também o software — tudo aquilo que você instala nele, os programas, jogos e tudo mais —, a memória, e mais um monte de coisas. Sem um sistema operacional, você estaria frito se quisesse navegar pela Internet, gravar CD’s, ouvir música ou fazer qualquer outra coisa que lhe desse vontade à frente de um computador.

Eu sei que não há discussão: O Microsoft Windows é, sem sombra de dúvida, o sistema operacional mais famoso do mundo, e, muito provavelmente, você pode estar usando uma cópia dele — mesmo que seja pirata — neste exato momento enquanto navega na Internet. A pergunta é: Você sabia que existem sistemas operacionais que fazem as mesmas coisas que o Windows, e que, enquanto o primeiro pode lhe custar algumas centenas de reais para adquirir, estas alternativas podem ser totalmente gratuitas?

Me lembrei agora que, no começo deste mês, um amigo me perguntou se eu poderia lhe ajudar a formatar um dos computadores que a escola onde ele trabalha tinha acabado de comprar, porquê ele tinha vindo com um tal de Linux instalado. Fiquei, confesso, um tanto quanto chocado com o pedido que ele me fez, e ainda tentei lhe contar como uma outra pessoa que conheço tinha, também, acabado de comprar um computador que também veio com o tal instalado e estava gostando bastante da experiência de usá-lo.

Foi um relato em vão: Seu argumentou foi o de que o pessoal da escola não se acostumaria com a utilização, e que, por lá, o Windows seria melhor, já que nem a impressora eles estavam conseguindo usar por conta deste tal Linux. Vencido, me vi obrigado a matar o pingüim, para isso usando alguns rápidos - e doloridos - golpes de fdisk /mbr e a instalar, a pedido dele, uma cópia perna-de-pau de Windows.

Apesar da história deste meu amigo, há cada vez mais gente se interessando pelo Linux que, hoje, já é utilizado em diferentes aplicações: Não apenas há um número crescente de computadores pessoais que o têm instalado, mas caixas eletrônicos, telefones celulares e supercomputadores também são movidos pelo sistema, cujo núcleo principal — ou kernel — foi desenvolvido pelo finlandês Linus Torvalds em 1991.

Como citei no início, o Linux é um sistema de código aberto. Isso significa que qualquer pessoa que tenha conhecimento mínimo de programação pode alterá-lo à seu gosto, implementando melhorias e criando novas distribuições. Por sinal, dentre as distribuições mais populares que eu conheço estão:

Mandriva Linux

mandriva.jpgO Mandriva Linux — antigamente conhecido como Mandrake — é uma das distribuições mais populares entre usuários novatos de Linux, principalmente aqueles que buscam uma alternativa ao Microsoft Windows, já que sua interface lhe é bem similar. Foi criado em 1998, também com um nobre objetivo: Tornar o Linux acessível a todos e disponibilizar uma enorme biblioteca de programas e uma interface de fácil utilização.

Debian GNU/Linux

debian.jpgO Debian GNU/Linux é outra distribuição Linux completamente gratuita que foi concebida por Ian Murdock, em 1993. Esta distribuição em particular se destaca por sua extensa documentação e pela grande comunidade de usuários. Trata-se de um software particularmente estável e com um processo de instalação muito simplificado. Uma ferramenta muito especial, chamada apt-get, se originou com ela, e hoje habita diversas outras distribuições, como o Ubuntu.

Ubuntu Linux

ubuntu.jpgDe acordo com a tradução que podemos encontrar no próprio site oficial, a palavra Ubuntu é africana e significa algo como “humanidade para os semelhantes”. Seus desenvolvedores têm o objetivo de trazer este slogan para o mundo do software, ao oferecerem uma distribuição completamente gratuita e que serve tanto para o uso doméstico quanto para gerenciar grandes servidores. Atualmente, o Ubuntu possui mais de 16 mil programas disponíveis, e é meu Linux de escolha.

Gentoo Linux

gentoo.jpgDentre todos os que citei, o Gentoo Linux talvez seja aquele que possui o processo de instalação mais chato — e também, o mais complexo — para os usuários menos pacientes. Trata-se de uma distribuição baseada em códigos-fonte, ou seja, sua instalação fornece pacotes que resultam em um sistema extremamente básico cujos componentes restantes devem ser configurado pelo próprio usuário, que os compilará a partir das fontes. Em resumo, você deve ficar longe dele se você é um novato.

Enquanto eu sei que a idéia de usar Linux pode parecer assustadora pra muita gente, devo dizer que a coisa não é tão difícil quanto parece. O exemplo mais clássico que posso citar é o de minha própria mãe, que, sem conhecer absolutamente nada do sistema, conseguiu ajudar um casal de amigos a usarem uma cópia do Mandriva Linux, em poucos minutos, para converter alguns CD’s para arquivos MP3.

ubuntu-installer.jpg

Além disso, há uma preocupação crescente em se tornar qualquer distribuição do Linux mais amigável na instalação, justamente o ponto onde muita gente esbarra ao sentir vontade de experimentar. A prova disso são os recentes lançamentos de instaladores automatizados que, de dentro do próprio Windows, podem ser usados para instalar no computador de qualquer pessoa o Ubuntu Linux ou o Debian/GNU — este último é encontrado, por sinal, no sugestivo domínio goodbye-microsoft.com .

Em resumo, o título deste artigo vale como o principal conselho, e como a conclusão final: Se você ainda não o fez, perca o medo do Linux, e usufrua de um sistema livre, em amplo desenvolvimento e que está mostrando, a cada dia que passa, ser um software particularmente notável…

Popularity: 18% [?]

6 pensamentos sobre “Perca o medo do Linux!”

  1. Fabiane writes:

    Nossa! Não tinha visto que você tinha mudado o tema do Back-up Brain - esse negócio de só acessar via leitor de feed dá nisso…

    Ótimo texto. O que eu posso dizer? Eu só uso Ubuntu Linux (fora o Mac OS X no trampo, neste exato momento) e estou muito feliz com ele. Vou experimentar o Fedora Core 6 (a última versão que usei era Core 4), o Mandriva e o OpenSuSE, que dizem ser muito bons.

    A única coisa ruim do Ubuntu, para o novatos, é ter que instalar codecs pra tocar DVDs e mp3. Já vi gente falando que mp3 não rola no Linux! -_-’ Justamente por isso, quero experimentar outros “sabores” de Linux; pra poder recomendar para o pessoal menos afeito a ter que deixar o sistema redondo antes de começar a usá-lo de fato. No mais, é uma ótima distro.

    Microsoft? Como diz o corvo do Poe, never more!

  2. Anônimo writes:

    Perca o medo do Linux…

    primero texto que tem que ler antes de mudar par aLinux…

  3. DanielPCosta writes:

    Valeu, xará! E pra quem ainda tem dúvidas basta usar um software de virtualização como o VmWare ou o VirtualPC para testar sua distribuição do Linux preferida sem instalá-la no HD. Inicialmente, é claro!

  4. Neto Cury writes:

    Pois é meu querido… o pior é que as pessoas não estão nem aí de usar o pirata, e ninguém pega no pé!
    Se pegassem no pé e mexessem no bolso do cidadão, aí as pessoas se interessariam um pouquinho mais por uma ferramenta de qualidade e gratuita.
    Abraço amigo e parabéns pelas iniciativas pro-linux.

  5. rafael gimenes writes:

    Saca esse link
    Acho que eh por ae.

  6. Linux não é difícil… » jlcarneiro.com writes:

    [...] Encontrei, no blog de Daniel Santos, um artigo que ajuda os iniciantes a perderem o medo do Linux. [...]