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Bruno Chateaubriand diz que não julga mais desfile de escola de samba

Isaac Ismar | Carnavalesco | 08/02/2008 03:50

Bruno Chateaubriand, jurado de Alegorias e Adereços do Grupo Especial em 2008, não participará dos próximos carnavais, como julgador. Aborrecido com a repercussão da nota 9,2 dada por ele para Mocidade Independente de Padre Miguel, o apresentador do SBT revelou que não aceitará novos convites da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) para ser jurado dos desfiles das escolas de samba.

\"Posso dizer que fiquei triste ao ler na imprensa que o presidente dessa agremiação (Mocidade) disse que vai me encher de porrada e que eu não vou voltar à Sapucaí no ano que vem. Ele tem que entender que quando se coloca uma escola na Avenida para ser julgada, tem que estar preparado para o resultado. Fui imparcial. Analisei os pontos do julgamento, tentando ser justo com as escolas perfeitas. A Beija-Flor não mostrou uma falha sequer. Para o primeiro ano como jurado fiquei decepcionado. O carnaval para mim sempre foi uma paixão, mas ouvir esse tipo de declaração foi um exagero. Ele teria que esperar as justificativas. Todas as alegorias da Mocidade passaram com algum tipo de imperfeição. Sou jurado de ginástica olímpica e nunca passei por isso, nem na cortina de ferro da antiga União Soviética. Imagina se um atleta russo viesse para cima dizendo que ia me bater?\", indagou.

Na quarta-feira de cinzaas, após a apuração das notas, o presidente da Mocidade, Paulo Vianna, xingou Bruno e o ameaçou, conforme publicado pelo Carnavalesco. O dirigente estava irritado com a nota recebida pela agremiação em Alegorias e Adereços (9,2), uma das baixas entre todas 12 escolas.

\"Esse Bruno Chateaubriand é um veado. Ele vai tomar porrada e não vai voltar para a Sapucaí no ano que vem. A nota 9,2 que ele deu para a Mocidade em Alegorias e adereços é inadimissível. Foi ele que tirou a Mocidade do desfile das campeãs\", disse Paulo Vianna, que depois do resultado final subiu ao palco e ficou cerca de 10 minutos conversando com o presidente da Liga, Jorge Castanheira.

Ao enumerar as falhas nos carros da escola de Padre Miguel, Bruno explicou que seguiu o que foi determinado pela Liga.

\"O carro número dois tinha problemas no acabamento do fundo, no três havia uma escultura do lado direito com adereço solto, um filete de estrasse, no quatro o fundo da alegoria estava mal cuidada e um adereço caiu na minha frente, no seis não havia objetos citados no livro \"Abre-alas\", não estavam lá, ainda perguntei à jurada que estava ao meu lado para saber se ele enxergava algo, mas ela também não conseguiu avistá-los. A Mocidade apresentou o pior acabamento dos geradores. Percebi isso nos carros sete e oito. A Liga pediu atenção para esse detalhe. No carro número abre-alas não houve harmonia de cores nos tripés, pareciam peças isoladas\", explicou o jurado.

A seguir, ele ressalta a sua imparcialidade durante o julgamento. Folião, ele pretende curtir os próximos carnavais na Sapucaí, mas bem longe das cabines dos jurados. Provavelmente em frisa ou camarote.

\"Não vou aceitar convite para julgar no ano que vem. Não estou preparado para ouvir que estou ligado a tal escola, nem que um presidente me xingue ou me ameace. Não agi de má fé. Quando estive na Liga, o Anísio Abraão David, presidente da Beija-Flor, me disse que se eu tivesse de tirar ponto, eu deveria fazer isso para o crescimento da escola. Ele me disse falando dentro dos meus olhos. A frase do Anísio deveria ser usada pelo Paulo Vianna. A Mocidade veio incrível. Era uma outra Mocidade este ano. Mas no meu quesito, ela não foi perfeita. Existe um método comparativo pedido pela Liga. Vou ligar para o Jorge Castanheira para saber como agir, afinal, o presidente da Mocidade me ameaçou\", desabafou Bruno.

Ainda ao comentar toda gritaria em torno de algumas notas divulgadas, ele diz que nota dez é sinônimo de perfeição, porém, uma avaliação 9,0 não pode ser desmerecida.

\"Temos a cultura de que 9,0 é nota baixa. Aqui tem que ser dez, mas nota máxima é perfeição. Na minha opinião, 9,2 não é ruim.\"

Em uma avaliação sobre o carnaval 2008, o jurado falou sobre algumas escolas, como a Beija-Flor, a Imperatriz, a Portela e a Unidos da Tijuca.

\"Com a Cidade do Samba, as agremiações estão estruturadas. Não existem mais esculturas quebradas na Sapucaí. O nível está alto. A Portela me surpreendeu, perdeu 0,1 por conta de uma falha tola, pois faltou um destaque em uma alegoria. Era para ter sido dez. Carnaval fantástico. A Imperatriz estava linda. Não via há muito tempo, cantando, evoluindo... As alegorias eram um primor. A Unidos da Tijuca adotou um novo estilo de carnaval. As justificativas das alegorias no Abre-alas são bem feitas e de fácil compreensão, assim como os carros. A comunicação é imediata\", finalizou.


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