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O jornalismo policial mudou, e mudou para melhor. Mas ainda precisa melhorar
muito. É o que constata Mídia e Violência — Novas Tendências na Cobertura de Criminalidade e Segurança no Brasil, trabalho pioneiro do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes.

O sensacionalismo, as páginas de cadáveres e sangue, os textos preconceituosos,
a mitificação de bandidos foram, ao longo das últimas décadas, dando espaço para um jornalismo mais objetivo, mais preciso, mais responsável e mais preocupado em entender os atos de violência e de criminalidade que atingem as nossas cidades e as nossas vidas.

O jornalismo precisa, no entanto, dar um salto de qualidade, e este salto se chama especialização. Faro, coragem e jogo de cintura já não são suficientes para caracterizar o bom repórter. Os grandes casos que ocuparam a atenção popular ao longo de décadas e ajudaram a vender jornais deram lugar ao crime organizado, ao narcotráfico, às chacinas, às organizações criminosas globalizadas, aos conflitos urbanos, à ocupação armada de bairros e favelas, ao assassinato indiscriminado, ao genocídio que atinge uma geração inteira de jovens das periferias das grandes cidades, à corrupção das polícias numa escala inimaginável. Cinqüenta mil pessoas são assassinadas por ano no Brasil!

A cobertura de porta de cadeia ficou para trás, e isso foi um grande avanço. Mas ainda temos dificuldades para perceber os fenômenos que afligem as nossas cidades. O repórter que se confundia com o policial não existe mais, mas ainda temos dificuldades para entender, discutir e criticar com propriedade as políticas de segurança pública e os procedimentos de investigação policial. É importante dizer, no entanto, que não são deficiências exclusivas do jornalismo. As universidades, os centros de estudos, os políticos e as polícias também precisam dar o tal salto de qualidade.

Este livro é um trabalho imprescindível para os que pretendem entender um pouco melhor o problema da violência e da criminalidade no Brasil. Os depoimentos, artigos e entrevistas colhidos por Silvia Ramos e Anabela Paiva constituem um documento precioso a respeito do papel da imprensa no acompanhamento da escalada de violência que nos mantém acuados. O estudo abre espaço para as várias vozes da sociedade que hoje tentam de alguma maneira fazer uma reflexão sobre a criminalidade e sobre a forma como os meios de comunicação a retratam. É sem dúvida o melhor trabalho já produzido com o intuito de ajudar a melhorar a cobertura policial da imprensa brasileira.

Marcelo Beraba
(na orelha do livro)

Convite do lançamento


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