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quinta-feira, 23 de Setembro de 2010 | 14:16
Moser: «Hoje até os traficantes lêem Clarice Lispector»
Texto: Pedro Justino Alves

O norte-americano Benjamin Moser, 35 anos, apaixonou-se por Clarice Lispector (1920-1977) quando leu «A Hora da Estrela» na faculdade. Desde então a sua vida mudou. Percorreu o Mundo durante cinco anos para escrever a sua biografia, «Clarice Lispector – Uma Vida» (agora editado no nosso país pela Civilização), livro que acabou por tornar a escritora ucraniana naturalizada brasileira uma escritora popular, deixando finalmente o restrito meio literário. Hoje, até os traficantes de drogas lêem Lispector e esse é o grande orgulho de Moser, que fala um fluente português.

«Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inlcusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora da minha própria vida», Clarice Lispector, in «Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres»

A conversa aproxima-se do final quando Moser é confrontado com a última questão: Valeu a pena perder cinco anos da sua vida para escrever sobre Clarice Lispector? «Era uma injustiça terrível ela não ser mundialmente reconhecida. Se Clarice morasse em Nova Iorque, Paris ou Londres seria certamente uma das grandes escritoras de sempre. Devido ao meu livro ela é agora lida por exemplo em Saigão, em Israel, na Suécia. E sinto orgulho por isso, não por ter escrito «Clarice Lispector – Uma Vida», mas devido a Clarice, que merece ser lida. No ano que vem a sua obra será reeditada em Londres, por exemplo. Fico muito feliz porque as pessoas estão a lê-la, que está a ser finalmente popular. Por exemplo, quando estive em São Paulo, conheci um traficante de drogas numa favela que lia Clarice, que adorava ler os seus livros. Fiz questão de o conhecer, tenho essa foto lá em casa.»

Vê-se com facilidade que Moser tem uma relação especial com a brasileira. Até diríamos que continua a estar apaixonado por Lispector, apesar de ter passado cinco anos a investigar a sua vida, descobrindo inclusive factos novos na sua vida, como o estupro da mãe. «Quando escrevemos uma biografia é normal o escritor, com o tempo, ficar desgastado com o biografado. Conheço pessoalmente alguns casos onde isso aconteceu. Eu, pelo contrário, a medida que investigava a vida de Clarice, o fascínio e a admiração aumentavam.»

O norte-americano acredita que a obra de Clarice Lispector é uma espécie de consultório psicológico, pois a brasileira consegue desbravar a intimidade dos seus leitores. «Ler ela é ler a nós próprios», defende, «é ler a nossa intimidade, intimidade que muitas vezes nós próprios desconhecemos». Essa leitura interior deve-se em muito a própria vida de Clarice Lispector, preenchida de pedras no caminho. Há duas em particular que a marcaram: a primeira o já referido estupro da mãe.

«Ela foi estuprada numa aldeia no interior da Ucrânia por soldados russos durante a II Guerra Mundial, onde contraiu sífilis. Segundo as tradições da aldeia, a gravidez curava aquela enfermidade. Ou seja, Clarice foi concebida numa esperança de salvar a mãe, o que obviamente não aconteceu. Esse trauma, de não ter salvo a mãe, marcou a sua vida, carregou essa culpa durante os seus dias. Por exemplo, aos cinco, seis anos ela contava histórias fantásticas a mãe para a distrair, embora com o desfecho sempre igual, a sua salvação, através de um milagre ou qualquer outro artefacto. Acredito que é a partir daí que a sua carreira começa.»

A segunda pedra no caminho foi um incêndio que provocou na sua casa devido a um descuido, quando dormiu no sofá com o cigarro aceso. Esteve entre a vida e a morte durante três dias devido as queimaduras. Tudo aconteceu em 1966…

«Ela era uma mulher extremamente bonita, uma beleza lendária no Brasil, e o incêndio a transfigurou esteticamente. Esse episódio a isolou ainda mais, já que tinha dores ao andar. Por exemplo, a sua mão esteve quase para ser amputada. Mas a verdade é que as suas principais obras foram escritas após esse período. «Água Viva», «Um sopro de Vida», uma série de contos… São livros deslumbrantes.»

«Estou querendo viver daquilo inicial e primordial que exactamente fez com que certas coisas chegassem ao ponto de aspirar a serem humanas. Estou querendo que eu viva da parte humana mais difícil: que eu viva do germe do amor neutro, pois foi dessa fonte que começou a nascer aquilo que depois foi se distorcendo em sentimentações a tal ponto que o núcleo ficou esmagado em nós mesmos pela pata humana. É um amor muito maior que estou exigindo de mim – é uma vida tão maior que não tem sequer beleza. Estou tendo essa coragem dura que me dói como a carne que se transforma em parto», Clarice Lispector, in «A Paixão Segundo G.H.»

Além de revelar dados pessoais que desmitificam Clarice Lispector e a tornam humana, Benjamin Moser tem como mérito compreender a vida da biografada através da obra (geralmente é o contrário…), salientando por exemplo as suas origens judaicas assim como o judaísmo na sua escrita, um aspecto pouco referenciado em obras anteriores. «As bases filosóficas e emocionais estão muito próximas da literatura judaica. A sua literatura não pode ser conotada como brasileira OU judia, mas como brasileira E judia. Para os judeus, tradicionalmente, a experiência mística é muitas vezes feita pela escrita. Portanto, a matriz judaica na sua obra é clara.»

Outro tema profundamente retratado no livro é o Brasil político e cultural da época, mais um ponto a favor de «Clarice Lispector – Uma Vida». «Os brasileiros agradeceram ter colocado o lado artístico, social e político do país. Clarice também viveu as mudanças que o país atravessava».

Desde que «Clarice Lispector – Uma Vida» foi lançado, em primeiro lugar nos Estados Unidos, em 2009, Benjamin Moser nunca mais parou de falar da sua musa, que, segundo o próprio, sempre procurou responder às questões essenciais do ser humano, como a presença de Deus ou a falta de sentido do homem e do mundo. «Ninguém questionou como ela essas questões», defende. Ao longo dos cinco anos de pesquisa confessa que o que mais o marcou foi verificar que Clarice Lispector, no final da sua vida, procurou por diversas vezes matar os seus personagens, como aconteceu com Macabéa, em «A Hora da Estrela», o seu último livro. «Muitas vezes ela não teve coragem para matar os seus protagonistas, mas isso não aconteceu com Macabéa, afirmando na altura que ela própria teria um dia de morrer. E a verdade é que dois meses depois morreu. Clarice criou um vínculo tão intenso com o que escreveu que não se conseguiu desvincular dele.»

A conversa termina com Moser a recordar com orgulho do traficante de drogas da favela de São Paulo, um traficante que tinha alguns dos livros de Lispector na sua cabeceira, ao lado da arma. A fotografia registou o momento para o autor, que conseguiu o seu grande objectivo quando escreveu «Clarice Lispector – Uma Vida»: tornar uma ucraniana naturalizada brasileira conhecida no Mundo, finalmente reconhecida como uma das grandes escritoras da literatura.

«Enfim, enfim quebrara-se realmente o meu invólucro, e sem limite eu era. Por não ser, era. Até ao fim daquilo que eu não era, eu era. O que não sou eu, eu sou. Tudo estará em mim, se eu não for; pois 'eu' é apenas um dos espasmos instantâneos do mundo.
Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior - é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido. Da organização geral que era maior que eu, eu só havia até então percebido os fragmentos. Mas agora, eu era muito menos que humana - e só realizaria o meu destino especificamente humano se me entregasse, como estava me entregando, ao que já não era eu, ao que já é inumano.
E entregando-me com a confiança de pertencer ao desconhecido. Pois só posso rezar ao que não conheço. E só posso amar à evidência desconhecida das coisas, e só me posso agregar ao que desconheço. Só esta é que é uma entrega real»
, Clarice Lispector, in «A Paixão Segundo G.H.»

 


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