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Clarice Lispector, as ficções de um coração selvagem


A escritora que consagrou o fluxo de consciência na literatura brasileira tem biografia escrita por estudioso norte-americano.


Mírian de Freitas

 

Fernando Sabino
Escritor mineiro, célebre por seus contos e crônicas, foi também romancista e novelista, embora o brilho de suas narrativas mais extensas tenha sido ofuscado pelo sucesso de suas histórias curtas. Foi um coRespondente intenso de Clarice Lispector e além de seus livros, publicou na imprensa perfis de seus conhecidos, reportagens e alguns ensaios de crítica literária.(Veja a matéria sobre Fernando Ssabino, "Ofuscado por si mesmo", na Conhecimento Prático Literatura 27)

APÓS A MORTE, O MITO E SUAS DIMENSÕES
Depois da morte de Clarice, seu filho Paulo entrega seus manuscritos, cartas, importantes recortes de jornais e outros escritos pertencentes à sua mãe à Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. A arquivista desse material será Eliane VasconceLos, que em 1994 organizará a publicação de Arquivo 5, compilando todos os manuscritos, cartas e avulsos de Clarice Lispector. Além disso, muitos outros escritos e pertences da escritora foram doados ao Instituto Moreira SaLes, também no Rio de Janeiro. Como os brasileiros, muitos outros leitores e apreciadores de Clarice se interessaram em conhecer mais sobre sua vida, pesquisando, escrevendo, articulando teorias que pudessem alcançar explicações para a enigmática e talentosa escritora. Em 1995, Nádia BateLa Gotlib escreve Clarice, uma vida que se conta, pela editora Ática. Trata-se de uma biografia muito rica que nos oferece um panorama complexo das origens, da vida e da obra da escritora. E com esse livro vão surgindo outros, cujo enfoque era tratar sua obra com respeito e seriedade, trazendo à tona muitas reflexões e comentários acerca de sua criação literária. Clarice foi reconhecida por muitos críticos e escritores competentes, como Antônio Cândido, AFonso Romano de Sant'Anna e Nunes, um dos seus principais estudiosos. Além deles temos outros teóricos e escritores que construíram um trabalho muto significativo sobre a obra dessa escritora.
Com todas as intermináveis pesquisas acerca de su aliteratura, hoje Clarice Lispector tem se torado uma das escritoras brasileiras mais conhecidas do mundo. A dimensão atingida por sua literatura foi demasiado significativa. As traduções da obra clariciana na Europa e nos Estados Unidos, começaram a surgir nas décadas de 70, tendo como su aprincipal divulgadora Hèléne Cixous, que tece seus estudos sobre Clarice tematizando a étciture féminine, a qual enfoca o universo feminino de lispectoriano no surgimento da literatura de mulheres. Vertida para o francês, chega ao Canadá a tradução do romance A paixão segundo G.H., que fisgará a estudante de Letras Claire Varin. Seu interesse pela autora é desperto e ela passa a ter contato frequente com outras obras da escritora. Mais tarde, resolve dedicar seus estudos à obra de Clarice e aprende português, vindo ao Brasil pela primeira vez em 1983, para suas primeiras pesquisas e também para ver de perto o país que acolheu e foi a pátria de Clarice Lispector. Claire escreve Línguas de Fogo, um estudo instigante e comprometido com a sua paixão pela escritora. A partir da década de 80, as traduções de Clarice passam a ter dimensões mais abrangentes e se consolidam em muitos países europeus e no continente norte-americano.Traduzida nos Estados Unidos por Giovanni Pontiero, Earl Fitz, Elizabeth Lowe, Gregory Rabassa e Elizabeth Bishop, passa a ser lida por muitas personalidades da academia, que a divulgam através de diversos artigos acadêmicos e estudos teóricos. Torna-se lida e apreciada pelo público do exterior.

 

 

Benedito Nunes
Nascido em Belém, foi filósofo, escritor e crítico literário. Foi membro fundador da Faculdade de Filosofia do Pará e lecionou literatura em diversas universidades brasileiras e também na França e nos Estados Unidos. Um dos primeiros estudiosos da obra de Clarice Lispector, publicou, em 1989, O Drama da Linguagem - Uma leitura de Clarice Lispector. Em 2010, recebeu o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra.

O POMAR DE CLARICE LISPECTOR E O FRUTO BENJAMIN MOSER
Qual escritor não se sentiria realizado vendo sua obra lida por leitores de outros países, em diferentes línguas, sob o olhar heterogêneo das culturas e dos povos? Uma escritora como Clarice Lispector plantou sua lavoura literária pela ficção através de seu imaginário mais subterrâneo, utilizando-se da linguagem para adubar a árvore, que foram os seus contos, romances e crônicas, os quais, como toda arte, são imortais. Assim como se acendeu na canadense Claire Varin o fogo da paixão pelos frutos de Clarice, o escritor norte-americano, Benjamin Moser também se incendiou por sua escrita, lendo pela primeira vez A hora da estrela, nos Estados Unidos, em um curso de Língua Portuguesa na Brown University, em Rhode Island. Depois disso, "nada ficou no lugar", e ele se permitiu, sem resistência alguma, render-se ao texto de Clarice e mergulhar em sua busca, sendo conduzido por sua escrita apaixonante e reveladora de uma nova consciência literária.
Das leituras de Moser, surgem iniciativas que vão contribuir para a divulgação da obra de Lispector no exterior. Considerando que todo bom leitor é aquele que não guarda só para si o segredo da boa e mágica literatura, mas é aquele que desfruta e compartilha com o outro o que há de melhor no mundo da leitura, vamos nos deparar com Why this world: a biography of Clarice Lispector, escrita por Benjamin Moser, e publicada nos Estados Unidos no verão de 2009, aos cuidados editoriais da Oxford University Press. Essa mesma obra foi traduzida e publicada no Brasil, pela Cosac Naify, em novembro desse mesmo ano, sob o título de Clarice,. É uma edição de capa dura, muito bem elaborada, apreciada pelo público brasileiro e principalmente pelos fãs da escritora. Uma das pretensões do autor dessa biografia é justamente dar novas dimensões e rumos à obra de Clarice. Lê-la entre quatro paredes não deixa de ser bom, mas levá-la às prateleiras das livrarias e às bibliotecas das diversas escolas e universidades americanas é ainda melhor. Pois Moser, em seu brilhante e ousado projeto, constrói essa completa e extraordinária biografia internacional de Clarice Lispector, revelando aos leitores norte-americanos, em seu próprio idioma, o inglês, quem foi essa escritora brasileira.

 

 

 

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