Manuel Alegre
"Não serei candidato em nome de nenhum partido. Serei candidato por Portugal "

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Alegre não será candidato "de nenhum partido"
[Margarida Gomes/Público, 01.02.2010]
Foi um discurso recheado de recados para o PS e para Belém e com uma forte marca social. Manuel Alegre deixou ontem claro, no Porto, que não será candidato à Presidência da República em nome de nenhum partido político e que não pretende candidatar-se para "governar", nem para "demitir o actual Governo". "Não me candidatarei para governar, nem terei como objectivo principal e imediato criar as condições para demitir o actual Governo na primeira oportunidade. É bom que isso fique claro nos espíritos de quem ainda não percebeu o que está em causa", declarou o histórico socialista, que se recusa a ser um "Presidente corta-fitas".


Ao discursar no final de um almoço, no Porto, promovido pelo MIC - Movimento de Intervenção e Cidadania que assinalou também o 31 de Janeiro e que juntou, segundo a organização, 270 convidados, Alegre disse que a sua candidatura a Belém é uma decisão sua, pessoal. "E marca, desde já, o propósito de independência que é inerente ao cargo de Presidente da República", referiu.

Reconhecendo, embora, que "não há democracia representativa sem partidos, mas os partidos não podem monopolizar a democracia", Alegre explicou ao que vinha, declarando: "Não serei candidato em nome de nenhum partido. Serei candidato por Portugal e pela necessidade de dar uma nova esperança à democracia portuguesa". O ex-candidato presidencial empenhou-se em esclarecer que não renega o seu percurso, nem as suas convicções, nem mesmo a sua afectividade partidária, até porque, como sublinhou, esteve "sempre" na linha da frente dos combates mais duros do PS.

Feito este sublinhado prévio, Alegre deixou um recado àqueles que nos últimos dias têm levantado a voz contra a sua candidatura a Belém e considerou "irónico" que alguns "que durante décadas combateram o PS e as suas causas, venham hoje, por puro oportunismo e com o zelo de recém-convertidos, fazer a defesa dos supostos interesses do PS". Garantido que não se apresenta como "um salvador da pátria", o ex-deputado comprometeu-se a defender a Constituição, "não apenas nos seus aspectos formais, mas também nos seus direitos sociais". Aliás, as questões sociais atravessam o seu discurso, aludindo, concretamente à escola pública, Serviço Nacional de Saúde e à protecção social.

Declarando ser "desejável, especialmente em períodos de crise, que o Presidente exerça uma magistratura de influência e promova uma cultura de responsabilidade, mas não no sentido de patrocinar alianças nem de interferir no consenso ou dissenso [divergência] que tem o seu lugar próprio: a Assembleia da República", o antigo parlamentar avisou que não se deixará "intimidar, nem instrumentalizar". "Não sou apropriável por estratégias alheias. Mas também não sou refém de negócios", disse, arrasando depois as empresas de rating (avaliação de risco), acusando-as de estarem a fazer "racismo económico", com um "desagradável sabor a ultimatum".


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