Manuel Alegre
"Não serei candidato em nome de nenhum partido. Serei candidato por Portugal "

Home
Notícias
EditoriaisCandidato
Biografia
Bibliografia
Antologia Política
Opinião
Discurso Directo
Discurso Indirecto
Pontos de Vista
Campanha
Agenda
No terreno
Sondagens
Estrutura
Apoiantes
Financiamento
Galeria de Arte
Links
Downloads

PRIMEIRO PLANO
Repolitizar a política - a nação
[Jaime Nogueira Pinto/jornal i, 19.01.2010]
Alegre, um homem de esquerda, nunca renegou os conceitos de nação e pátria. Na outra margem, ficamos à espera que também alguém pense nisso.
A questão da nação voltou a ser central na política. O fim da Guerra Fria e o triunfo da fórmula democrática e do modelo capitalista não trouxeram o anunciado fim da história, mas o regresso da nação, que passou, com a religião e a cultura, a definir amigos e inimigos.

E com a nação regressou a ideia de que cada nação deve ter um - e só um - estado. E que a cada estado deve corresponder uma nação.

A Europa oficial tem pouco a ver com esta questão: é uma confederação de estados com uma economia comum, onde a integração política é para já um projecto das elites político-funcionais. Há uma burocracia e um governo "europeus", mas não há uma nação, um povo europeu.

Portugal é um estado nacional; um dos poucos. E espera-se que continue, sem fantasias regionalizadoras ou federativas. O estado formou-se em 1143 e a nação apareceu em 1385, a defender-lhe a independência, e em 1640 a reconquistá-la - depois de a expansão a ter consolidado e de os Lusíadas lhe terem dado voz.

Mas nos últimos duzentos anos Portugal tem sido uma nação dividida em facções, diligentemente legadas de geração em geração: das divisões das guerras liberais às da Primeira República, e do Estado Novo à democracia exclusiva dos antifascistas e depois à despolitização da política que o fim do conflito Leste-Oeste acelerou.

A esquerda radical ainda acena algumas bandeiras: os comunistas no revivalismo nostálgico do antifascismo, os bloquistas na desconstrução dos mitos e ritos da civilização ocidental. Mas como uns ainda acham que os trabalhadores (e já agora também os capitalistas) não têm pátria e outros são pela humanidade (se já não pela comunidade dos seres vivos), para nenhum deles, em princípio, deveria contar a nação, ou mesmo a pátria.

De resto, entre a generalidade dos comentadores de serviço e da classe política portuguesa, coisas como nação, pátria, nacionalismo, patriotismo, parecem não gozar de grande popularidade: são complicadas, antigas e não dão votos, ou perigosas, perturbadoras da normalidade democrática e do decoro das instituições. Tanto os partidos do centrão socialista/social-democrata como os populares, são, teoricamente, euroentusiastas e os fazedores de opinião virados para temas "fracturantes".

Manuel Alegre, um homem de esquerda nas convicções políticas, nunca enjeitou a preocupação e a tradição patriótica e sempre achou que o país era mais que economia. Pode ser que a sua candidatura contribua, na metade da nação que está à esquerda, para uma repolitização da política em que esta deixe de ser a arte de tirar e dar coisas a uns e outros em troco de votos.

Da outra margem da nação ficamos a ver, esperando que, também por cá, alguém pense nisso.

[ver mais Discurso Indirecto] ++