Manuel Alegre
"Não serei candidato em nome de nenhum partido. Serei candidato por Portugal "

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Vital Moreira, eleições europeias e presidenciais
[Nuno David/Público, 31.01.2010]
Manuel Alegre é um candidato no qual até Vital Moreira, apesar da sua análise algo enviesada, poderá vir a votar.

Num recente artigo de opinião no PÚBLICO, Vital Moreira expressa as suas preocupações com o xadrez político das presidenciais, designadamente a capacidade que os candidatos terão para atrair votos ao "centro". Considerando que foi um dos principais responsáveis pela derrota do PS nas eleições europeias, a análise de Vital merece alguns reparos.

Nas eleições europeias Vital terá sido escolhido para cabeça de lista do PS porque - dizia-se - era um homem de esquerda, e como tal conseguiria evitar a fuga de votos para a esquerda radical. Vital, ao contrário de outros potenciais candidatos, não seria identificado como um homem do "centrão", como alguns daqueles tecnocratas que emergem dos aparelhos dos partidos, sem grandes convicções ou alma política.

O resultado das eleições europeias mostrou, contudo, que Vital Moreira não conseguiu segurar votos à esquerda, não conseguiu captar votos ao centro, e tão-pouco conseguiu captar votos à direita. O PSD e o BE foram os grandes vencedores, e o PS saiu derrotado. De entre várias razões para a derrota, existe uma claramente identificável: Vital não é um homem de esquerda, não é de direita e tão-pouco é do centro-esquerda. Desde a sua saída do PCP, tem vindo a aproximar-se das posições do que se pode designar o "centrão": um grupo reduzido de dirigentes que apoiou sectária e invariavelmente o Governo, mesmo quando o bom senso aconselharia a correcção dos caminhos que o Governo vinha adoptando, do qual o melhor exemplo terá sido o conflito com os professores.

Com efeito, o "centrão" tem dois problemas: em primeiro lugar nunca se sabe bem o que é, navega ao mero sabor das circunstâncias. Em segundo lugar, o "centrão", ao contrário do centro-esquerda ou do centro-direita, não tem expressão eleitoral. Resume-se a um conjunto de dirigentes políticos, normalmente com origem nos aparelhos de alguns partidos, e que têm a sua expressão eleitoral em crescente declínio. O PS teve por isso o pior resultado alguma vez alcançado numas eleições europeias. Resultado corrigido nas legislativas com mérito, por José Sócrates, com a ajuda de personalidades que o apoiaram na campanha eleitoral, capazes de gerar confiança em sectores transversais do eleitorado, da esquerda ao centro-direita, tais como Manuel Alegre, Mário Soares ou Jorge Sampaio. Mas também corrigidos nas autárquicas, das quais a maior expressão terá sido porventura a vitória de Costa-Roseta-Sá Fernandes em Lisboa, com o patrocínio de Manuel Alegre.

Destes resultados o PS deve tirar lições. Lições que se esperam vir a ter a sua tradução na escolha do melhor candidato para derrotar Cavaco Silva nas próximas eleições presidenciais. Um candidato capaz de garantir o bom funcionamento das instituições e do sistema político, mudar Portugal numa estabilidade sustentada, com mais entusiasmo e coragem. Esse candidato é obviamente Manuel Alegre. Um candidato no qual até Vital Moreira, apesar da sua análise algo enviesada, poderá vir a votar, seguramente, com confiança e entusiasmo.

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