Descobrir o mundo é a nossa maior diversão!

Um dos nossos maiores objetivos na Lua de Mel era ver o nascer do Sol no topo do vulcão Haleakala, na ilha de Maui, no Havaí. Este é um dos passeios imperdíveis para quem visita a ilha e as imagens que você encontra por aí são impressionantes. A palavra Haleakala significa “Casa do Sol” no idioma havaiano e a promessa é de espetáculo tanto no nascer quanto no por do Sol.

Este enorme vulcão ocupa aproximadamente 75% da ilha de Maui e está inativo. Pesquisas estimam que sua última erupção foi em 1790. O cume está a 3.055m do nível do mar e aquela típica visão de Havaí que temos é completamente desconstruída, com paisagens e temperatura que mais lembram a superfície da Lua.

Decidimos ir no nascer do Sol porque no geral dizem que é uma experiência mais autêntica, que vai desde acordar de madrugada no hotel, até assistir aos primeiros raios de Sol do dia com os guardas do parque cantando uma canção em homenagem ao Astro Rei! Logo vocês saberão se nossa decisão foi acertada e se tivemos sucesso na aventura.

Como chegar

Existem diversas empresas que oferecem a excursão ao topo do vulcão. Geralmente as vans fazem um tour pelos hoteis e te pegam entre 2:30 e 3 da madruga, conforme sua localidade na ilha. O preço fica na média de US$ 100 por pessoa. Após ler alguns relatos e muitas e muitas dicas no fantástico guia Maui Revealed: The Ultimate Guidebook decidimos ir por nossa conta para termos mais liberdade de horário e de parar nos pontos de observação.

Estávamos hospedados na área de resorts de Kaanapali, no Oeste da ilha, bem longe do Haleakala. A estimativa é de 2h30 de carro para chegar até o topo, apesar do trajeto ser de apenas 1o0km. Decidimos ir logo no dia que chegamos no Havaí pois acordar as 2:30 da manhã significa 9:30 no Brasil, então contamos com o fuso a nosso favor. Saímos do hotel por volta de 3:00 da manhã no nosso Mustang vermelho rumo ao topo do mundo.

Rota Kaanapali - Haleakala

Traçando a rota de Kaanapali até o topo do Haleakala. Veja como é fácil se locomover em Maui.

Não é nada difícil chegar no vulcão. Aqui já fica a dica que vale para todos os posts: NÃO ALUGUE GPS EM MAUI! Um bom mapa, que você consegue gratuitamente no aeroporto, já é mais que suficiente. Como você pode ver no mapa acima, existem poucas ruas e estradas na ilha, que é dominada por dois grandes vulcões. Para ver o trajeto no Google Maps, clique aqui.

Estando no Oeste da ilha, basta rumar em direção a Kahului (a cidade em que fica o aeroporto). Logo aparecerão as placas indicando a Haleakala highway (HI-37), onde você deve entrar e seguir para a HI-377 até chegar à Crater Road. Aí é só ir serpenteando montanha acima. A viagem é muito interessante pois o termômetro do carro vai baixando a cada metro que você sobe. Se você for para ver o nascer do Sol, não vai conseguir enxergar a paisagem e só vai perceber que passou à beira de verdadeiros precipícios quando descer já com o dia claro. Eu não devia ter contado isso para não te preocupar, mas vá tranquilo e não viaje com sono, preste muita atenção no trajeto respeitando os limites de velocidade pois há outros carros subindo e descendo essa “ladeira”.

Antes de começar a grande subida é preciso parar na guarita do Haleakala National Park e pagar ao guardinha a entrada de US$ 10 dólares por carro. O ticket é válido por 3 dias então guarde pois você pode vir a precisar de novo. O Parque Nacional é enorme e chega até a englobar algumas atrações da Estrada de Hana, outro passeio imperdível na ilha. Mais alguns minutos acima e você passa pelo primeiro Centro de Visitantes e digo que se for de madrugada mal vai notar. Já lá em cima está o segundo Centro de Visitantes, com amplo estacionamento, a casa dos guardinhas que cantam e uma vista sensacional. Mais para cima ainda fica o Cume, que você identificará pela aparência de observatório espacial. De lá, não é possível ir a mais lugar nenhum de carro, apenas pegar o caminho de volta.

Nascer do Sol

Chegamos ao segundo Centro de Visitantes por volta de 5:10. O estacionamento do Cume já estava fechado e tivemos que parar por ali mesmo. O Nascer do Sol estava previsto para as 6:00 então só nos restava esperar. Dentro do carro mesmo começamos a nos trocar e colocar roupas de frio. É bom lembrar que fomos em Setembro e a temperatura na ilha é bem agradável, variando entre 23 a 28 graus mais ou menos. Porém, 3 mil metros acima o frio é intenso e todos os relatos que lemos nos recomendaram vestir em “layers” ou seja, camadas, para na volta ir tirando conforme esquenta.

Bom, devo dizer que lá em cima é MUITO frio! Eu me vesti com uma calça jeans por cima da bermuda, camiseta, blusão e jaqueta normal (não de inverno nem corta-vento). A Ju estava de calça jeans por cima de uma legging, camiseta, blusão e jaqueta de capuz. Quando saímos do carro sentimos o drama. O frio estava intenso porém suportável. Agora, quando chegamos ao ponto de observação e nos juntamos à galera que esperava o Sol, o vento começou a soprar bem forte e aí o bicho pegou. Sentimos falta de luvas, gorros e uma jaqueta corta-vento.

Já pegamos temperaturas menores em outras viagens, mas estávamos mais preparados. Se o termômetro do carro estava certo, creio que fazia mais ou menos 5 graus lá em cima, com o vento derrubando a sensação térmica e cortando a nossa cara. Chegava a ser insuportável ficar com a câmera na mão para tirar fotos, estava congelando. Não subestime o frio no Haleakala! Provavelmente será o único dia que você usará roupas de frio no Havaí então pondere se vale a pena ocupar sua mala com roupas pesadas e espaçosas para um dia de aventura. Você tem que ter muita vontade de ir para não ficar xingando depois. Aliás, tinha gente bem pior que nós. Provavelmente não leram nada antes e foram de bermuda, chinelo… tinha bastante gente enrolada em toalhas!

Bom, estava chegando a hora do nascer do Sol e o céu começava a se iluminar. A paisagem avermelhada convidava a ótimas fotos e o pessoal se virava para espantar o frio e arrumar um bom ponto de observação, principalmente os que tinham grandes câmeras com tripés. Não víamos a hora de chegar logo 6 da manhã para acabar o nosso sofrimento com o frio! Porém, eis que por volta de 5:55 nuvens cinzentas enormes começam a tomar conta da paisagem. Em minutos começa a cair uma chuva fina e gelada. A essas alturas o Sol já tinha nascido e não tínhamos visto nada. Nem a bela paisagem vermelha já era possível ver, parecia que estávamos descendo a serra da Anchieta de tanta neblina! Resolvemos esperar mais 10 minutos, e a chuva persistia. Desistimos! Já eram 6:20, o Sol já tinha nascido e perdemos o espetáculo. Mesmo assim, os guardinhas não deixaram de entoar a canção homenagem, mas a imagem era melancólica. Seguindo outros visitantes, fomos para o carro rindo para não chorar e começamos a descida. Ah, e prometemos voltar para ver o Por do Sol!

Vejam no vídeo abaixo como a neblina arruinou o evento. E ria das pessoas enroladas em toalhas.

Agora as fotos:

Nascer do Sol no Haleakala

As primeiras luzes do dia surgem atrás das nuvens.

Nascer do Sol no Haleakala

Para pegar lugar bom tem que chegar cedo. O Nascer do Sol é bem concorrido.

Nascer do Sol no Haleakala

As primeiras nuvens começam a cobrir o vale, e o Sol ainda não apareceu.

Nascer do Sol no Haleakala

Eis o momento em que sentimos que perdemos a viagem. O que era azul virou cinza!

Por do Sol

Nós temos uma dívida com vulcões desde 2009, quando fomos para o Chile com a ideia de subir o vulcão Villarrica em Pucón. No caminho, passamos por Puerto Varas e o péssimo tempo nos fez ver só o comecinho da base do vulcão Osorno. Quando chegamos em Pucón, dias e dias de chuva e neblina e nada de vulcão e passeio. Agora estamos no Havaí e em nossa primeira tentativa, subimos mas não vimos nada! Precisávamos resolver essa pendência!

Dois dias depois lá estávamos de novo, pegando a HI-37 rumo ao topo do Haleakala. Desta vez, sem acordar as 2:30 da manhã, começamos a subida por volta de 14:30. O dia estava bem claro mas do nível do mar víamos muitas nuvens em volta do vulcão e começamos a pensar no pior. É legal saber que menos gente vai para o Por do Sol então a subida é bem mais tranquila. Chegamos na guarita e tínhamos esquecido o ticket já pago, tivemos que comprar outro por US$ 10. Foi nessa subida que notamos o tamanho dos precipícios à beira da estrada, sem guard rail!

O Por do Sol estava estimado para 18 horas e a expectativa era chegar lá umas 17 horas, ter tempo de parar em outros pontos de observação e tirar muitas fotos sem pressa. Dessa vez vimos o primeiro Centro de Visitante. Parada obrigatória para ir ao banheiro (era o último pois o segundo Centro estava com falta de água, placa avisava ainda antes da guarita do parque) e vestir as roupas de frio. Foi lá também que tivemos nosso primeiro contato com a Silversword, planta endêmica protegidíssima que só nasce neste local.

Silversword

Esta é a famosa Silversword.

O guia Maui Revealed que mencionei antes traz diversas dicas de onde parar para tirar suas fotos, vale muito a pena seguir o roteiro deles! Nós paramos em alguns pontos e conforme subimos nosso medo de estar tudo nublado passou quando nos vimos simplesmente acima das nuvens! Para quem estava lá embaixo, o céu estava nublado, para nós estava azul! Uma visão incrível, é como se você estivesse dentro de um avião, mas fora, entendeu? hehe

Por do Sol no Haleakala

Depois que passamos das nuvens, o visual é este até lá em cima. Parece que estamos no avião.

Fomos curtindo este visual até o ponto em que paramos no dia do nascer do Sol. Aproveitamos agora para tirar melhores fotos, e também com bem menos gente. Foi aí que descobrimos que dava para subir ainda mais, até onde está o Observatório, e onde é realmente o cume do Haleakala a 3.055m do nível do mar. O frio não era tão intenso como de manhã mas o vento era impressionante e realmente incomodava. A boca seca, a mão congela… não é fácil. No cume existe um lugar fechado para assistir ao espetáculo protegido do vento, mas é ruim para as fotos por causa dos vidros.

Por do Sol no Haleakala

Sem nuvens fica bem mais bonito!

Por do Sol no Haleakala

Parece que estamos na Lua ou em Marte.

Por do Sol no Haleakala

Mais de 3000 metros acima do nível do mar.

Topo do Haleakala

Se não fosse pela rua e os carros, poderíamos pensar mesmo que estamos em Marte.

Observatório Haleakala

A vista é de filme de ficção científica.

Esperamos dentro do carro e quando o Sol começou a chegar perto da linha das nuvens saímos para apreciar. É difícil descrever com fotos, palavras ou vídeos, mas vale muito a pena presenciar o evento. O processo todo não leva 15 minutos mas é uma coisa que dificilmente você verá de novo. Chegamos a um consenso que não repetiríamos o passeio, principalmente por causa do tempo que leva para chegar (aprox. 5hs ida e volta), mas vale muito a pena ir uma vez pois com certeza ficará gravado para sempre na memória.

Por do Sol no Haleakala

Começou o show!

Por do Sol no Haleakala

O Sol vai rapidamente se escondendo atrás das nuvens. Dizem que se não tem nuvem, não tem graça. Demos sorte!

Por do Sol no Haleakala

O Sol se foi, e a noite começa a tomar conta da paisagem.

Por do Sol no Haleakala

Nos despedimos da vulcão. Dever cumprido!

Por do Sol no Haleakala

Acabou o espetáculo! Clique na foto para abrir em um tamanho maior e conferir os detalhes.

Descendo a montanha

Quando o show acaba, mesmo que tenha sido um show frustrado como o nosso nascer do Sol, a gente ainda tem um bom caminho pela frente descendo a montanha. Se você foi para o nascer do Sol, vai ter a oportunidade de ver o caminho com a luz do dia e cruzar com inúmeros ciclistas, na maioria amadores e pessoas comuns como nós, que pagam para descer a montanha de bike. Portanto, muita atenção com isto! Se você foi para ver o Por do Sol, vai descer já com a estrada escura, então lembre-se dos precipícios e tenha muito cuidado.

Nascer do Sol no Haleakala

Descendo, a indignação só aumenta quando vemos o Sol iluminando tudo lá looonge.

Se você for de manhã, estará com fome e um dos programas mais populares é parar para tomar café da manhã na descida. O lugar mais aclamado pelos guias e relatos é o Kula Lodge, e nós fomos conferir. Foi nossa primeira experiência com café da manhã americano e saímos meio traumatizados, mas basta alguns ajustes para sua experiência ser perfeita.

A primeira coisa que se nota é que nós brasileiros e os americanos temos conceitos de café da manhã bem diferentes. O que os guias e relatos americanos colocam como espetacular pode não ser tudo isso para nós. Eles avaliam o gosto do omelete, das panquecas e da linguiça, não ligam se não tem fruta e pão com manteiga, então cuidado. Eu particularmente não gosto de omelete e linguiças pela manhã, mas ficamos bem atraídos pelas panquecas. Na empolgação, pedimos um prato de panquecas para cada um e ainda umas torradas com manteiga e aí foi que acabamos com o nosso café. Pedimos também chocolate quente e suco de laranja.

Pois bem, o prato de panquecas significa 4 panquecas grossas do tamanho do prato! A minha era com macadâmias (mega típico do Havaí!) e a da Ju com banana. Não conseguimos comer o prato inteiro. O chocolate quente é bom notar que é feito com água e vem logicamente, aguado. As torradas com manteiga, são doces, um tanto quanto estranho. Saímos rolando do lugar mas não deixa de ser delicioso! Para um casal “normal” recomendamos pegar um prato de panqueca apenas, e sucos de laranja, já será suficiente e não sairá mais que 25 dólares. Ao lado do Kula Lodge tem um mercado bem legal, que vende muitos souvenirs e vale a pena dar uma verificada. De barriga cheia, só resta voltar ao hotel e tirar aquele cochilo para compensar a madrugada!

Kula Lodge

Panqueca com macadâmias no Kula Lodge. Deliciosa e exagerada.

Outras atividades

A cratera do Haleakala é riquíssima em atividades e dá para passar o dia inteiro lá. Nós não tivemos esse tempo e esse pique, mas as mais recomendadas pelo Maui Revealed são as trilhas, o passeio de bicicleta, passeio a cavalo pela cratera e até voo de helicóptero.

Dicas indispensáveis

Para relembrar alguns pontos do texto, e outros que não escrevemos, aqui algumas dicas para aproveitar ao máximo sua experiência no vulcão:

- Cheque antes os horários de nascer e por do Sol, além da temperatura, aqui: http://www.nps.gov/hale/index.htm

- Leve bastante água. Sobre comida, dá para levar mas não existem lugares muito confortáveis para comer, pelo menos nos pontos de observação. Se você for para o Por do Sol, lembre-se que vai ficar mais ou menos das 15:30 até as 20hs isolado de qualquer lugar que venda comida (lá em cima NÃO vende)!

- A dica de ir logo no primeiro dia por causa do fuso é válida, o problema é ir dormir cedo pra acordar as 2:30! Por mais sono que tenha, você está no Havaí! Nós fomos dormir as 23hs, acordamos as 2:30 e ficamos tranquilos, mas no dia seguinte foi complicado.

- O nascer do Sol é mais concorrido, se quiser fazer fotos profissionais com tripé e tudo mais, chegue cedo para garantir seu lugar.

- Vá de bom humor e cabeça tranquila, afinal você está no Havaí. Abstraia o fato que você vai dirigir 5 horas para ver um espetáculo de 10 minutos. É curto mas vale a pena. Reclamar não vai adiantar e ainda vai tirar o encanto.

- NÃO SUBESTIME O FRIO! Essa é a dica mais importante. Nós aproveitaríamos bem mais se estivéssemos bem vestidos. O vento faz o lugar ficar realmente inóspito e incomoda bastante. Se quiser ficar esperando o evento do lado de fora e não dentro do carro, como nós, vista-se muito bem para o frio e para o vento. Luvas e gorros são obrigatórios.

No mais, aproveite a sensação de estar acima das nuvens! Se você já foi, conte pra nós nos comentários como foi a experiência.

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  • Sonia Lage

    Olá,Casal simpático!
    Amei o blog de vcs. Eu li para recordar este roteiro que fiz em 2005.
    Estava com um carro alugado, e eu e minhas amigas fizemos no mesmo dia o vulcão e a Praia de Hana. Foi cansativo, mas muito divertido.
    Obrigada por me proporcionar estas lindas recordações.
    Continuem viajando, pois é a melhor maneira de viver a vida de verdade!!
    bjus
    Sonia

    • http://www.viajesempre.net/ Viaje Sempre Blog

      Olá Sonia! Muito obrigado pela mensagem. Vulcão e Hana no mesmo dia é pra poucos hein, mas certamente inesquecível! Vamos continuar viajando sempre, com certeza. Bjos, Juliana e Thiago.

Nós


Somos Thiago e Juliana e amamos viajar! Através deste blog vamos compartilhar nossas experiências, dicas e planos para futuras viagens. Contato

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