O diabo das 8

Espantar o coisa-ruim é
a nova missão de Uálber

Ricardo Valladares

Montagem sobre fotos divulgação

Fulvio Stefanini, o diabo, e Diogo Vilela: o paranormal gay tem medo de barata, mas não do belzebu


A falta de um vilão de peso vem sendo um problema recorrente nas últimas novelas das 8. Na anterior, Torre de Babel, Cláudia Raia assustava menos do que a zaga da seleção do Brasil. Em Suave Veneno, Letícia Spiller, na pele de Maria Regina, até que começou bem, ou seja, má. Porém, depois que se apaixonou pelo motorista Adelmo, interpretado pelo "beija-flor" Ângelo Antônio, derreteu-se como manteiga na frigideira. Para acabar de vez com a festa, o autor Aguinaldo Silva resolveu apelar para o diabo. Sim, ele mesmo, o capiroto, o beiçudo, o coisa-ruim. Desde a semana passada, o marchand e falsificador de quadros Marcelo Barone, vivido por Fulvio Stefanini, interpreta a encarnação terrena do príncipe das trevas. "Pediram para eu esticar a história mais 62 capítulos, e achei que o demônio daria bastante pano para manga", conta Aguinaldo Silva, com uma ponta de orgulho pelo bom ibope de 43 pontos de sua novela.

O personagem de Fulvio Stefanini é inspirado no de Al Pacino no filme Advogado do Diabo. Ou seja, aparece sempre em ternos bem cortados, com um sorriso nos lábios. O único que poderá deter sua trilha de maldades é Uálber (Diogo Vilela), o paranormal gay que é o campeão de popularidade da novela. Aguinaldo promete que os dois personagens terão vários embates nos próximos capítulos. O primeiro será nesta quarta-feira, em que Uálber, que tem medo até de barata, irá dizer "xô, satanás" com a ajuda de seu assistente, o afetado Edilberto (Luís Carlos Tourinho). Na cena, brandindo um castiçal, Edilberto espantará o rabudo com a frase "Tire as patas de meu senhor". Para as semanas seguintes, Aguinaldo promete brigas com efeitos especiais.

Não é a primeira vez que o canhoto é personagem de novela. Em Olho por Olho (1993), no horário das 7, um adolescente interpretado por Nico Puig tentava espantar o cão-miúdo expelindo raios vermelhos pelo olhar. Usando esse artifício, conquistou a personagem de Patrícia de Sabrit, mas a trama virou um pastelão e naufragou. Apesar desse revés, Aguinaldo Silva confia no carisma do belzebu. "No Brasil, as pessoas acreditam que o diabo realmente interfere em nossa vida, mais até do que os santos", aposta ele. Ainda não está definido se o nem-sei-que-diga irá engraçar-se com alguma das beldades da novela. É possível que se alie a Letícia Spiller, que assim voltaria a seu papel original de vilã. O duelo final entre o cujo e Uálber está previsto para o último capítulo. Quem irá vencer? "Só Deus sabe", brinca Fulvio Stefanini.

 
 

 




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