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A coluna do Moreno:

Enviado por Rádio do Moreno -
13.08.2010
|
09h26m
JORGE BASTOS MORENO

Lula já garantiu eleição de FH

O PSDB — José Serra, precisamente — alega que Dilma Rousseff é ventríloqua do presidente Lula. Mas poucos se lembram de que Lula já foi ventríloquo oficial de Fernando Henrique Cardoso, na campanha eleitoral de 1978, quando o ex-presidente disputou a sublegenda para o Senado na chapa de Franco Montoro.

Lula, já então um líder sindical conhecido, tinha horror à política, mas foi convencido por alguns amigos intelectuais e artistas a se engajar na também estreia do sociólogo na política.

— Até 78, na minha cabeça não cabia a política partidária. Tinha ojeriza à política. Achava que era esperteza de minha parte dizer: não gosto da política — contou Lula para os meus arquivos.

Ao relatar como conheceu Fernando Henrique, Lula revelou uma interessante e instigante história:

— Acontece que em 78, primeiro ano das greves do ABC, o MDB estava lançando sua chapa de senadores. Algumas pessoas, alguns jornalistas cujos nomes não vou dizer, queriam que a gente apoiasse Cláudio Lembo, da Arena. Fui apresentado a Fernando Henrique Cardoso. Aí fomos para a campanha. Fui representar Fernando Henrique Cardoso em vários comícios.

E aí vem uma coisa que poucos sabem ou se lembram: a participação de Lula nessa campanha foi decisiva para que Fernando Henrique pudesse, quatro anos depois, assumir o lugar de Montoro no Senado e iniciar uma carreira política que chegou onde Lula está hoje.

— Em Cruzeiro, onde Ulysses Guimarães tinha uma base forte, Fernando Henrique Cardoso não pôde ir. Fui no lugar dele. Achei que foi uma vitória, porque Fernando Henrique Cardoso teve mais votos do que Cláudio Lembo.

(Um registro para o leitor: se encontrares alguma declaração de Lula sobre FH, só a consideres verdadeira se ele estiver falando o nome completo do antecessor. Não há hipótese de Lula chamá-lo de Fernando Henrique, FHC ou simplesmente FH. Sempre foi e sempre será pelo nome completo).

Bom, o que Lula não contou — e conto agora — foi que ele quase implodiu a festa de encerramento da campanha nacional do MDB daquele ano. Palanque lotado de personalidades do partido de todos os estados, os principais intelectuais do país, praticamente todas as lideranças sindicais da época e um Projac inteiro de artistas, a maioria vestindo a camisa de Fernando Henrique, e um coro de ativistas cantando o jingle feito por Chico Buarque: "A gente não quer mais cacique/ a gente não quer mais feitor/ a gente agora está no pique/ Fernando Henrique pra senador".

Foi uma das maiores festas da sociedade civil em plena ditadura. No palanque, disputando suspiros com o então sociólogo-galã, o ator Carlos Alberto Riccelli e praticamente todo o elenco da novela "Aritana", que estava estreando na hoje extinta TV Tupi. Cabelos cortados feito índio e já praticamente incorporado ao personagem, Riccelli provoca estranheza no deputado João Pacheco e Chaves, introdutor do poire nas mesas do MDB e que na casa de Tito Costa, então prefeito de Osasco — cidade onde foi realizada a festa —, já tinha consumido praticamente uma garrafa inteira dessa aguardente de pera.

Pachecão, chamado de "fiel escudeiro" de Ulysses, vira-se para o amigo:

— O que essa porra desse índio tá fazendo ao lado da Bruna Lombardi?

Ulysses nem teve tempo de responder, pois foi logo interrompido por um furioso Lula:

— O trato é que iria pedir votos só para o Fernando Henrique Cardoso. Todo mundo sabe que sou o principal cabo eleitoral do Fernando Henrique Cardoso. Agora querem que eu peça votos também pro Montoro. Eu não vou pedir. Se não me deixarem fazer o que eu quero, eu desço e levo o palanque todo comigo, e vamos fazer o comício em outro lugar.

Publicado no Globo de hoje.


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