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OS 25 ANOS DO PARQUE NATURAL DA RIA FORMOSA Haverá
razões para comemorar? O Parque Natural da Ria Formosa foi criado há 25 anos através do Decreto-Lei n.º 373/87, de 9 de Dezembro. Os objectivos da sua criação foram a preservação, conservação e defesa do sistema lagunar do Sotavento Algarvio, protegendo a fauna e a flora específicas da região, bem como as espécies de aves migratórias, ao mesmo tempo procurando o uso ordenado do território e o seu desenvolvimento económico, social e cultural. É área de importância internacionalmente reconhecida para as aves [sítio RAMSAR, Zona de Protecção Especial para as Aves (Directiva Aves), Sítio da Lista Nacional de Sítios (Directiva Habitats), Important Bird Area]: para invernada de aves provenientes do Norte e Centro da Europa, como rota de migração entre o Norte da Europa e África e ainda pela presença de espécies raras. É um área com enorme interesse botânico devido à presença de dunas e sapais e constitui um recurso económico importante na região: pesca e viveiros de moluscos bivalves. Como noutros instrumentos do ordenamento do território em Portugal, parece que toda a energia e convicção acabam logo depois da aprovação e publicação dos diplomas. Vejamos os principais problemas que colocam em risco o Parque Natural:
A gestão do Parque, depois dos primeiros anos de euforia após a criação, tem-se pautado pela não acção. O ICN-Instituto de Conservação da Natureza, pela escassez de verbas e ausência de uma estratégia continuada e coerente, condenou o Parque ao esquecimento, apesar do empenhamento de muitos dos seus funcionários que ao longo dos anos colocaram os seus esforços ao serviço do Parque. As autarquias comportam-se como se o Parque Natural constituísse um obstáculo às suas intenções de crescimento urbano, em vez do valor patrimonial que realmente constitui e o qual têm o dever de proteger e recuperar. Nestes 25 anos perdeu-se uma oportunidade excelente de transformar o Parque num motor de desenvolvimento para a região, num motivo de orgulho para todos quantos vivem no Sotavento Algarvio ou o visitam. - O que comemoramos? - A especulação imobiliária, as descargas de efluentes domésticos, o assoreamento da ria? Teremos ainda Parque para
comemorar dentro de mais 25 anos? Lisboa, 17 de Junho de 2003
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Liga para a Protecção da Natureza |