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Na rota de expansão do Linux

Menos de um ano após ter adquirido a Conectiva e os ativos da Lycoris, a Mandriva comemora a integração e estima crescimento no uso de Linux de até 30%.

Por Camila Fusco
25 de novembro de 2005 - 11h03

Quem analisasse a situação da MandrakeSoft em meados do ano passado encontraria uma companhia ávida por mudar os rumos de seus negócios. Recém-saída da situação concordatária, em março de 2004, a empresa declarou que apostaria suas fichas em aplicações Linux, a fim de reduzir os custos operacionais, melhorar as atividades de negócios e desenvolver linhas de produtos com margens notáveis.

A aposta ganhou corpo e as primeiras mostras da estratégia de expansão no território do código aberto começaram a aparecer meses depois. Em março deste ano, a companhia fechou a compra da brasileira Conectiva por 1,79 milhão de euros e mudou seu nome para Mandriva, ganhando penetração notável na América Latina.

Posteriormente adquiriu parte dos ativos da norte-americana da Lycoris, de olho nos usuários domésticos e conseguiu posicionamento de destaque também na região. O resultado agora é uma empresa integrada, que acaba de colocar no mercado o Mandriva Linux 2006, sistema operacional que agrega tecnologias das companhias adquiridas e pretende abocanhar uma fatia do crescimento previsto para o Linux.

Em entrevista exclusiva ao COMPUTERWORLD, o CEO da Mandriva, François Bancilhon, detalha o posicionamento da companhia, planos de aquisição e as perspectivas para o mercado de soluções de código aberto.

COMPUTERWORLD - Como estão as operações da companhia desde a aquisição da Conectiva e dos ativos da Lycoris?
FRANÇOIS BANCILHON - As coisas estão indo bem. Estamos crescendo conforme era previsto no Brasil, com as receitas 40% maiores do que no passado. A Conectiva passou por uma aquisição total, enquanto a Lycoris teve apenas uma parte dos ativos, mas ambas as companhias já estão integradas à Mandriva. As equipes estão trabalhando juntas agora e já é possível sentir a sinergia entre elas. Basicamente podemos dizer que a aquisição da Lycoris teve como impacto a incorporação da tecnologia, enquanto a da Conectiva fez sentido em termos de receita e penetração na região.

CW - No início de novembro a Mandriva anunciou o sistema operacional Mandriva Linux 2006, com grande ênfase justamente nesta integração. O que é possível deduzir sobre o sistema?
FB - Até a fusão tínhamos cerca de 20 engenheiros trabalhando e analisando o projeto, verificando maneiras de combinar as tecnologias. A integração aconteceu extremamente bem, com as equipes trabalhando de maneira aberta e realmente vestindo a camisa da empresa. Tivemos apenas seis meses para desenvolver os planos, o que é um tempo extremamente curto. Também não conseguimos ir a fundo na apresentação das tecnologias, mas acreditamos que esse é um começo, com muitas funções relacionadas à conectividade. No entanto, não significa que nosso projeto esteja concluído. Temos muito trabalho ainda a fazer.

CW- Qual o tamanho da equipe com a qual vocês estão trabalhando?
FB -  Tivemos engenheiros da França, Brasil e Estados Unidos trabalhando na integração do projeto. Entre dois e três estão nos Estados Unidos, o Brasil tem algo em torno de 30 e outros cerca de 17 estão na França.

CW - Quantos usuários a Mandriva possui hoje após as aquisições?
FB - Existe uma diferença clara entre número de usuários e clientes em si porque realmente nós não vendemos licenças, como caracteriza o próprio modelo aberto. No entanto, podemos estimar cerca de sete a oito milhões de usuários no mundo todo, consolidando a base também da América Latina [estimada em um milhão de usuários].

CW - Em termos da divisão de usuários corporativos e domésticos. Qual a divisão proporcional que a Mandriva registra?
FB - Podemos estimar algo em torno de 70% usuários clientes e 30% de servidores no mundo. Entre os clientes da Conectiva, a proporção é exatamente inversa.

CW - Quais os principais atrativos que você pode apontar no Mandriva Linux 2006?
FB - Temos 17 novas funcionalidades, sendo cinco delas principais. Entre elas estão a ferramenta de busca no desktop, o firewall dinâmico, gerenciamento de pacotes, suporte à tecnologia Wi-Fi e integração com o Skype, para chamadas telefônicas via internet. Toda essa filosofia tem a intenção de tornar fácil o gerenciamento para as massas. Acredito que as principais vantagens sobre os concorrentes de código aberto estão exatamente na criatividade e da variedade do sistema operacional. De outro lado podemos estabelecer uma comparação com a firma de Bill Gates. Eles estão prevendo somente para a próxima versão uma ferramenta integrada de busca no desktop, enquanto nossa versão já traz isso.

CW - Empresas desenvolvedoras de sistemas de código proprietário sempre apontam suporte e segurança como alguns dos pontos cruciais dos sistemas abertos. O que a Mandriva tem a dizer sobre isso?
FB - Nossa tecnologia é totalmente aberta. Assim, quando levamos nosso sistema aos usuários apresentamos um plano de suporte para ele, que pode ser contratado ou não. De outra forma, ele pode buscar no próprio mercado assistência para o sistema, uma vez que o próprio suporte também é aberto. Outra coisa que estamos fazendo é trabalhar com os fabricantes para treinar equipes próprias. Dessa forma, os próprios funcionários das empresas vendedoras de computadores podem prestar esse suporte. Isso já acontece na Europa [e no Brasil] e representa uma grande responsabilidade para os fabricantes. Mas eu acredito que essa não seja a principal preocupação entre os usuários de código aberto. Quem utiliza sistemas abertos está preocupado em economizar e principalmente em não estar atrelado a uma única empresa [fornecedora de software].

CW - O que os usuários têm esperado dos sistemas de software livre?
FB - Acredito que não seja possível generalizar. Cada segmento tem uma atenção diferente sobre o software livre. Todos procuram segurança, fácil gestão e também fácil manuseio do sistema. Nossa missão é ir ao mercado e fazer nosso trabalho com simplicidade.

CW - A Positivo Informática divulgou recentemente um balanço de vendas que apontou que as vendas em três meses dos equipamentos com Linux atingiram 10 mil computadores, enquanto as com o sistema da Microsoft, Windows XP Starter Edition, atingiram 29 mil no mesmo período. Como essa disparidade pode ser entendida?
FB - Esse é um número muito satisfatório sob o ponto de vista do código aberto.
Engana-se quem pensa que o Linux está perdendo. A Microsoft investe muito dinheiro em desenvolvimento, criação, e sente-se na obrigação de estar à frente de uma situação monopolista. Talvez, para eles, deter hipoteticamente 75% do mercado não seja bom, enquanto que para o Linux, 25% de participação já seria um número muito significativo. Dessa forma, a comparação de praticamente 30 mil contra 10 mil máquinas vendidas já representa um número importante para o Linux.

CW - E o que é necessário para os desenvolvedores crescerem nesta área?
FB - Trabalhar na cadeia de valor é um dos pontos altos. Também precisamos manter um nível alto de tecnologia e inovação. Código aberto é inovador e é necessário mantê-lo sempre atualizado. Além disso, é necessário ser compatível com praticamente todas as plataformas de hardware para que seu cliente fique satisfeito. Nossa missão em particular é ser líder em inovação e levar isso ao mercado. Mas temos muito trabalho a fazer.

CW - A Mandriva também apostou forte em parcerias com fabricantes de hardware, como Dell, HP e mais recentemente a NEC. De que maneira esses acordos estão posicionados na estratégia da empresa?
FB -  A distribuição ilimitada é um ponto forte. Eles são um bom canal.

CW - Como é possível avaliar os diferentes níveis de maturidade entre os usuários de código aberto no Brasil, América Latina, Europa e Estados Unidos?
FB - Acredito que podemos responder isso com o modelo de negócios. A venda de Linux em PCs de gama mais baixa e acordos com OEMs são mais comuns nos mercados emergentes do que na Europa e Estados Unidos. Com isso, a taxa de crescimento dos sistemas abertos é maior nessas regiões emergentes. Além disso, estamos olhando cuidadosamente para Ásia, China, e América Central.

CW - E como está a estratégia de crescimento geográfico da Mandriva? Novas aquisições estão previstas?
FB - Sim, vamos continuar com as aquisições, mas isso é um processo longo. Nossas atenções estão voltadas principalmente para Europa e Ásia, já que na América Latina conquistamos uma forte presença com a Conectiva.

CW - No início do ano a IDC apontou que a Mandriva detinha 3% do mercado de Linux no mundo. O senhor concorda com esses números?
FB - Não concordamos e nem discordamos do número de mercado. Discordamos é do método de apurar esse número. Existem várias possibilidades de medi-lo, analisando a base instalada, o volume de licenças distribuídas. O que posso dizer é que acredito que em base instalada estamos provavelmente à frente do Suse Linux [da Novell].

CW - Quais suas perspectivas de crescimento para o Linux nos próximos anos?
FB - Acredito em crescimento contínuo, com dois dígitos, entre 10% e 20% para os usuários domésticos e de até 30% para os usuários corporativos. Creio que entre cinco e dez anos essa marca seja possível. Espero também que a competição exista e que cresçam as oportunidades para os desenvolvedores, mas não acredito que todo mundo vá adotar Linux.

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