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José Olympio

No universo literário de Batatais, destaca-se o nome do editor José Olympio Pereira Filho. Nasceu em uma casa no antigo Largo da Cadeia, em 10 de dezembro de 1902. Em 1905, a família, chefiada pelo pai, baiano e guarda-livros, se muda para uma chácara na Rua dos Bambus, hoje esquina da rua Carlos Gomes com a Prudente de Morais (foto ao lado).

Aos 11 anos, o menino José trabalhava em uma farmácia em Batatais, levando vidros. Cinco anos depois, Altino Arantes o levava para São Paulo para trabalhar na Célebre casa Garrox, na seção de livros. Em 1930, ele compra a magnífica biblioteca do escritor e político Alfredo Pujol (1865-1930), o que lhe permitiu abrir em 1931, a Casa José Olympio Livraria e Editora, na Rua da Quitanda, em São Paulo. Em 1934, José Olympio muda-se para o Rio de Janeiro e leva a Livraria com ele. Casa-se no ano seguinte, com Vera Pacheco Jordão, com que teve dois filhos. Nas décadas de 1940 e 1950, consegue ser o maior editor do país, publicando cerca de 2 mil títulos, com 5 mil edições, número que, nos anos 1980, atingem 30 milhões de livros de 900 autores nacionais e 500 estrangeiros.

José Olympio publicou e incentivou escritores como Manuel Bandeira, Raquel de Queirós, Fernando Sabino, Orígenes Lessa, Ligia Fagundes Telles, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Euclides da Cunha e Monteiro Lobato, ou seja, alguns dos melhores autores do país. Sem preconceitos ideológicos, publicava desde obras do presidente Getúlio Vargas a textos de Graciliano Ramos, que fora preso pelo Estado Novo liderado pelo político gaúcho. Em 1964, José Olympio mudou a editora do Castelo para o Botafogo. No quarto andar, criou uma Cantina, batizada de Batatais pelos escritores Daniel Pereira e Luis Jardim, já que o proprietário colocara ali três talhas do artista Poty representando a fundação de sua cidade natal. Os almoços ali realizados às quartas-feiras se tornaram uma tradição, com a presença de intelectuais como Gilberto Freyre, Jorge Amado, Afonso Arinos, o presidente Juscelino Kubitschek, Drummond, Manoel Bandeira e Guimarães Rosa, entre muitos outros, sendo registrados em atas de 03 de dezembro de 1965 a 1973.

No final de 1953, Carlos Drummond de Andrade, que também foi editado por José Olympio, dedicou a ele um soneto. Entre numerosas condecorações, José Olympio recebeu o título de Cidadão Emérito de Batatais, em 1968, tendo ainda colaborado para a criação da Faculdade de Educação Física da cidade. O seu nome foi também dado à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras local, que integra o complexo educacional das Faculdades Claretianas de Batatais. José Olympio morreu rápido e serenamente, em sua mesa de almoço, da mesma maneira singela como é lembrado no poema de José Francisco Rodrigues, publicado em poemas cariocas, que mostra o costume generoso de J.O, como era conhecido pelos amigos, distribuir esmolas no Rio de Janeiro.

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