Cultura tropeira é festejada em todo o mês de agosto em Silveiras

Por Karina Muller

Conhecer ou recordar a culinária dos tropeiros e saber um pouco mais sobre história do Vale do Paraíba em uma das cidades que foi trilhas de muitas das tropas que cruzavam as serras. Esta é a idéia da Festa Nacional do Tropeirismo, realizada durante todo o mês de agosto em Silveiras. Localizada na encosta da Serra da Bocaina, a cidade pode ser considerada o principal núcleo de pesquisa sobre o tropeirismo no país.

Em sua 22ª edição e uma das mais tradicionais festas da cultura popular do Vale do Paraíba, o evento faz parte da programação oficial da Secretaria de Estado da Cultura. Silveiras, cidade de pouco mais de cinco mil habitantes, recebe visitantes da região sudeste e de outros ponto do país para rememorar o modo de vida e os costumes dos tropeiros, comerciantes intermediários que viajavam pelas trilhas das serras em mulas transportando ouro e mercadorias de Minas Gerais para o centro do país.

No dia 7 a festa tem início com o torneio leiteiro que acontece até o dia 10 de agosto. Entre os dias 15 e 22, rodeios, leilões, exposições e shows musicais são as atrações do evento. O ponto alto da festa está entre os dias 23, 24 e 25 de agosto, dia Nacional do Tropeiro, comemorado sempre no último domingo de agosto. Desfiles de tropas, tropeiros, cavaleiros, exposição e venda de artesanato e barracas de doces e de comidas da culinária tropeira fazem parte da programação.

A missa campal intencionada à Santa Rita - a santa protetora dos tropeiros - é outro destaque da festa. No Sindicato Rural da cidade acontece a tradicional corrida de mulas, conhecida como "For Mula", que atrai muitos turistas e curiosos. Com um público que cresce anualmente, a previsão dos organizadores da festa é que cerca de 50.000 pessoas visitem a cidade durante o evento.

A gastronomia pode ser considerada o grande destaque da festa. A culinária Tropeira compõe um autêntico festival gastronômico do ciclo do tropeirismo do Vale do Paraíba. Segundo Ocílio Ferraz, presidente da Fundação Nacional do Tropeirismo, o cardápio tropeiro já foi premiado e reconhecido internacionalmente. O Casarão Tropeiro oferece todos os dias jantar, almoço e café tropeiro. Anderson Rodrigues, chef e pesquisador da culinária regional, é o responsável pelo cardápio do Casarão Tropeiro. Há uma ano e meio no local, Rodrigues ressalta a importância da pesquisa da culinária regional. "É interessante saber como determinado prato chegou a ser consumido por um grupo de pessoas", conta. Segundo ele, a comida dos tropeiros tinha que ser muito forte porque eles caminhavam longas distâncias todos os dias.

Melado, rapadura e farinha eram a base da alimentação das tropas, além disso, a banha era outro produto muito utilizado. "Um tipo de carne seca foi criado pelos tropeiros, que levavam as peças de carne embaixo da sela das mulas durante as viagens", diz Rodrigues. Feijão tropeiro, vaca atolada, torresmo foram outros pratos criados pelos viajantes. Os bolos de milho, fubá, mandioca com melado eram consumidos pelas tropas nas cidades por onde passavam. "Os tropeiros eram considerados heróis pelo povo", afirma Rodrigues. Segundo ele, além de levar o ouro das Minas Gerais até Parati, os viajantes foram os grandes disseminadores da língua portuguesa no país. "Os tropeiros levavam mercadorias, cartas e até dinheiro", explica. A riqueza da culinária da região, segundo Rodrigues, é a influência direta de Minas Gerais e Rio de Janeiro no Vale do Paraíba.

Todos os finais de semana de agosto apresentação de espetáculos e shows estão programados para acontecer na Praça dos Tropeiros e na Praça da Matriz. Pesquisadores em cultura popular, estudiosos de folclore, historiadores, apreciadores da cultura popular e do turismo cultural, também terão atrações especiais dentro da programação da festa, como debates e apoio à pesquisa sobre o tropeirismo e a cultura popular.

O artesanato local da cidade também pode ser encontrado durante a festa. Os artigos em madeira e cipós que são esculpidos em formas de pássaros, peixes e diversos objetos são outra atração da cidade, o artesanato já conquistou admiradores em diversos países da Europa. Estimativas apontam que mais de 500 pessoas estejam envolvidas neste trabalho artesanal, que representa um terço da renda do município. Além da importância histórica da festa, nesta época, a cidade também é visitada por ecoturistas. Toda a cidade está dentro da APA (Área de Proteção Ambiental), inclusive a área urbana. Além disso, parte do município está no Parque Nacional da Serra da Bocaina.

Como chegar:

Acesso a partir do quilômetro 34 / 36 da Rodovia Presidente Dutra (sentido São Paulo - Rio de Janeiro) para a Estrada dos Tropeiros. Nesta estrada, percorrer mais 17 quilômetros até Silveiras.

Reservas e atendimento ao turista:(12) 566-1310

COMTUR: (12) 566-1150

Conselho Pró-Turismo do Cone Leste Paulista www.conelestepaulista.com.br

Fundação Nacional do Tropeirismo

Criada em 1986, a Fundação Nacional do Tropeirismo realiza pesquisas sobre o ciclo do tropeirismo e a sua influência na formação da cultura brasileira. Instalada em um casarão do século XIX, no centro de Silveiras, a sede da Fundação também funciona como um restaurante com culinária típica, uma hospedaria com 32 lugares, biblioteca e museu do tropeiro, além do espaço para eventos e exposições. A Fundação estimula a realização de eventos dedicados ao tropeirismo, orienta pesquisadores e propaga o turismo cultural, rural e ecológico. O Casarão Tropeiro já foi residência, escola, pensão, sede do Sindicato Rural, Câmara e Prefeitura Municipal, hoje recebe turistas e estudiosos da cultura popular e todos os interessados na cultura do interior do país.

Trilha da Independência

Na Trilha da Independência (1822) o visitante conhece as Trincheiras (1842/1932), utilizadas na Revolução Liberal de 1842 e na Revolução Constitucionalista de 1932, a Cadeia Velha, prédio do século XIX, restaurado por Euclides da Cunha. A Estrada dos Tropeiros, a Praça, a Estátua, o Rancho, o Posto de Gasolina, o Cemitério, a Banca de Jornais dos Tropeiros, o Tropeirão (Pça. de Esportes), a própria Fundação Nacional do Tropeirismo, podem ser visitadas no centro da cidade.

Caminho Imperial

Antiga trilha dos tropeiros, trecho ainda remanescente do Caminho Novo, foi construído em 1725 para ligar os estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Parque Nacional da Serra da Bocaina

Com cachoeiras e trilhas, tem início na divisa de Silveiras com a cidade de Cunha.

Bairro do Bom Jesus

No local há um moinho de pedra que funciona por força da água que é utilizado para fazer fubá. Ainda há no bairro três Sapucaias com mais de 200 anos de idade e 50 metros de altura. O bairro fica a 6 km do centro da cidade.

Cachoeira do Ronco D'Água

Para quem quiser passear pela antiga trilha de tropeiros, a sugestão é fazer uma pausa na Cachoeira do Ronco D'Água, no bairro do Bom Jesus, a 8 km do centro de Silveiras.

Cachoeira do Paraitinga

Localizada no bairro dos Macacos, 25 km de estrada asfaltada e 6 km de estrada de terra.

Pico da Boa Vista

Tem 2.050 metros de altitude, de onde se pode observar grande parte do Vale do Paraíba. O local é rico em ervas medicinais, a 25 km do centro.

Nascentes do Paraíba

Em Silveiras nasce o rio do Paraitinga, um dos formadores do Paraíba do Sul, a 28 km do centro, próximo ao Pico Boa Vista.

Parque Ecológico da Cascata

O local tem cachoeira, tanque, mata natural e tem área disponível para camping.

História da cidade

Criada no século XVIII em torno de um rancho de tropas, o nome Silveiras provém do nome da família Silveira, que habitavam o local. O vilarejo tornou-se o mais importante núcleo de serviços para os tropeiros. Depois da queda do ciclo do ouro, Silveiras se desenvolveu a partir da cultura do café no Vale do Paraíba. Elevada à categoria de vila em 1842. A primeira capela foi erguida em 1780, onde hoje é a igreja Matriz. Em 1664 se tornou uma cidade. A Revolução Liberal de 1842 e a Revolução Constitucionalista de 1932 deixaram marcos em seu território. Depois da redução das tropas, os ranchos e as famílias se mudaram da região. Atualmente o município se recupera com o 'turismo cultural e ecológico".

Receita:

"A culinária é realmente o tesouro deixado pelos tropeiros. Há quem possa criticar a gordura, mas jamais seu saber e principalmente a perfeita mistura de gosto, cheiros e culturas. Numa cozinha tropeira não se pode faltar a imagem de São Benedito e permitir a "fofocagem", pois ela traz alegria e o encanto dos cozinheiros". (Fundação Nacional do Tropeirismo)

Afogado

Ingredientes:2 a 3 quilos de acém ou músculo - sal a gosto - 5 dentes de alho socado no pilão - 2 cebolas grandes - 1 maço de cheiro verde - 2 folhas de louro um pouco de gordura ou óleo - 1 colher de colorau

Modo de fazer: Limpar a carne, corta-la em pedaços não muito pequenos. Numa panela põe-se óleo e sal com alho para fritar um pouco. Em seguida colocar a carne e o colorau para refogar. Adicionar o restante dos temperos e refogar mais um pouco. Cobrir a carne com água e cozinhar em fogo brando em panela tampada. Adicionar água sempre que necessário até que a carne amoleça bem e forme um caldo suculento. Modo de servir: O Afogado é servido (caldo e carne) bem quente, em prato fundo. Colocar no prato três colheres de farinha de mandioca em seguida o caldo por cima da farinha e da carne. Uma boa cachaça acompanha o prato.

(Receita cedida por Anderson Rodrigues, do Casarão Tropeiro, Silveiras)

 

Confira! Livros em oferta e CDs com descontos especiais.

Informações, notícias, entretenimento, agenda cultural e mídias aqui.



Conheça as cidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte, clique aqui..

José Luiz de Souza
Notícia boa todo dia .


include - rodape de paginas 01
© Copyright 1999 - 2007 - Criolla - Valedoparaiba.com - Todos os direitos reservados - Segurança e Privacidade
Nossa Terra, Nossa Gente I Albúm de Família I Artigos I Banco de Dados I Biblioteca Virtual I Coisas da Terra I Documentos I Enciclopédia
Estudos I Galeria de Autores I Jornais Antigos I Museu I Poesias I Resenhas I Sala de Comunicação I Serviços
Click Ensino I CENEC I Sócio Ambiente I Patrimônio Cultural I Terceira Idade I Cinema no Vale I Juntos no Vale I Balcão de Anúncios
Busca Cep I Cidades da Região I Fale Conosco I Festas Populares I Geografia do Vale I Horóscopo I Imagens do Vale I Institucional
Links Interessantes I Nosso Litoral I Notícias Regionais I Receitas do Vale I Serviços e Produtos I Turismo e Lazer