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Revista Acadêmica

Em Santa Catarina, a idéia gestadora de uma Academia de Letras foi lançada em 1912, pelo jovem de vinte anos, ainda não escritor feito, Othon Gama D'Eça. Idéia não vingada, em 1918, estudante de Ciências Jurídicas e Sociais e publicando seu primeiro livro, Cinza e Bruma, de poesia decadentista, o mesmo Othon D'Eça retoma a sugestão, secundado por Altino Flores.

Já existia, no Estado, O Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, fundado em 1896, por incentivo do político de inteligência e cultura José Artur Boiteux. Alguns participantes daquela agremiação também buscavam desenvolver a literatura.

Expandindo-se as inquietações literário-culturais, em 1920 aparecem os livros Pela Terra Catarinense, do polêmico jornalista Crispim Mira, e a Pequena História Catarinense, de Lucas Alexandre Boiteux. Sinais de novos tempos apntaram com a revista Terra, que pretendia sacudir o marasmo literário reinante. Trazendo à testa Altino Flores, Othon D'Eça, Osvaldo Mello e Laércio Caldeira, a revista trouxe à luz os tres primeiros números em março, abril e maio de 1920, sendo uma "Revista de Artes e Letras" e de publicação mensal. Entretanto, os ardorosos propósitos artítico-literários logo passaram a plano secundário, quando a revista entrou numa segunda fase e, a partir do quarto número, de 22/07/1920, assumiu periodicamente semanal, até seu último número, o vigésimo quarto, de 23/01/1921, abrindo seu espaço para aspectos políticos-sociais. Literariamente, a revista foi conservadora, na linha do Realismo de Eça de Queiroz e do Parnasianismo de Olavo Bilac. Embora os idealizadores da revista tencionassem inquietar e sacudir o marasmo, não assumiram nenhum impulso vanguardeiro, nem aceitaram germinar as idéias modernistas. Entretanto, a revista Terra marcou sua época, congregando intelectuais de tendências várias e abrindo caminho para o surgimento da Sociedade Catarinense de Letras.

 

No número 17 de Terra, de 24 de outubro de 1920, Altino Flores denunciava que "há aqui oito ou dez legítimos homens de letras" (p.4) e, na mesma revista, Othon D'Eça analisava com mais crueza a situação da época, afirmando que era "de doer o coração mais duro" (p.7), Como encontrar 40 literados para constituir uma Academia? Mais uma vez entra em cena José Arthur Boiteux, no momento exercendo o cargo de Secretário de Interior e Justiça, no governo de Hercílio Luz. Boiteux envia convite a amigos intelectuais, em 29 de outubro de 1920, e com eles, no dia seguinte, se reúne e organizam a SOCIEDADE CATHARINENSE DE LETRAS.

 

A Sociedade se estruturou, teve seus estudos já aprovados em maio de 1921. Os quatorze fundadores ocuparam suas cadeiras e foram escolhidos Patronos de todas as Cadeiras, distribuídos em sequencia por ordem alfabética. Saliente-se, entretanto, que houve incertezas e porteriores alterações efetuadas nessa listagem dos Patronos. A 15 de novembro de 1921, em Sessão Extraordinária de Instalação da Sociedade Catharinesne de Letras, dez novos membros, ainda considerados fundadores, foram admitidos pela Sociedade. A partir de janeiro de 1924, a Sociedade passou a denominar-se ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS, estando vagas ainda dezesseis das quarenta Cadeiras. Observa-se que vários escritores, nove ao todo, que faleceram depois de 1920 (Virgílio Várzea em 1941 e Liberato Bittencourt em 1948), se tornaram Patronos das Cadeiras porteriormente ocupadas. Oscar Rosas participou com fundador, mas, falecendo logo em 1925, passou a Patrono da Cadeira 36. Atente-se ainda para o fato de que Sociedade/Academia Catarinense de Letras, diferentemente de outras instituições congêneres, admitiu desde logo mulheres nos seus quadros, de modo que a primeira titular da Cadeira 10 foi Delminda Silveira de Souza, e a Cadeira 38 teve como primeira titular maura de Senna Pereira. Segundo dados disponíveis, a Cadeira 40 parece ter recebido como titular Nereu Corrêa, eleito em 1958 e da Cadeira 14 é conhecido somente o titular C. A. Silveira Lenzi, eleito em 1966.

Pela lei nº 1.664, de 15 de outubro de 1929, o Presidente do Estado de Santa Catarina declarou de utilidade pública a Academia Catarinense de Letras, autorizando o Poder Executivo para adquirir ou construir um prédio para a instalação da "Casa de Santa Catarina", sede que abrigasse o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, a Academia Catarinense de Letras e outras associações científicas ou literárias, o que não foi cumprido. O Município de Florianópolis a reconheceu como de utilidade pública pela Lei nº 870, de 16 de maio de 1968.

 

Dos fundadores da Academia Catarinense de Letras, poucos escritores criaram obra que lhes proporcionasse sobrevivência literária.

 

Os atuais Estatutos da ACL, aprovados em 1988, já em processo de revisão, estabelecem, entre outros dispositivos:

 

Art. 1º - A ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS, com sede social e domicílio na cidade de Florianópolis, é uma associação civil, sem fins lucrativos, de caráter literário e cultural, com duração ilimitada.

 

Art. 2º - A Academia tem por objetivo cultivar a lingua vernácula, como arte de expressão e promover a defesa dos valores culturais do Estado de Santa Catarina, especialmente no campo lietrário.

 

Art. 8º - Poderá postular Cadeira de MEMBRO EFETIVO ou PERPÉTUO da Academia Catarinense de Letras qualquer pessoa de nacionalidade brasileira, de expressão no meio cultural do Estado, com livros publicados, que tenha tradição com a terra catarinense e comprove conhecida cultura literária.

 

Compõem sua atual Diretoria (2000-2002):

Presidente: Paschoal Apóstolo Pítsica

Vice-Presidente: Lauro Junkes

Secretário: Pinheiro Neto

Tesoureiro: Hoyêdo de Gouvêa Lins

Bibliotecário: Pedro Bertolino

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