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Foto: Gazeta Press
Foto Gazeta Press

Dirceu, o disciplinado craque 'estrangeiro'

Por Mário Sérgio Lima, especial para GE.Net

Imagine jogar futebol por 25 anos e em nenhuma oportunidade ser advertido com um cartão vermelho. Imagine atuar em 12 times em toda a sua carreira e mesmo assim ser lembrado com carinho pelos torcedores de todas essas equipes. Imagine quebrar uma tradição do futebol brasileiro e disputar uma Copa do Mundo atuando em um clube estrangeiro. Imagine ser considerado um marco entre os atletas por sua forma moderna de atuar.

Difícil imaginar que algum jogador tenha sido autor de todos os feitos. No entanto, esses são os cartões de visitas de Dirceu José Guimarães. O ponta virou sinônimo de modernidade no futebol brasileiro das décadas de 70 e 80 em todos os aspectos: tanto taticamente, desempenhando uma nova função em campo, quanto no seu pioneirismo de atuar na Europa quando isso parecia uma heresia para um jogador brasileiro que sonhasse com a seleção.

Rapaz simples, nascido na capital paranaense, Dirceu começou sua carreira no futebol atuando pelo Coritiba. Conquistou duas vezes o Estadual do Paraná e, mesmo sob protestos dos torcedores, foi vendido para o Botafogo, onde teria mais oportunidades para brilhar. No Glorioso, se destacou e foi chamado para a seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1974.

Nessa época, começava a ser admirado pelo seu estilo de jogo completamente diferente. Era um ponta-esquerda de muita habilidade mas, principalmente, de muito bom preparo físico. Todos os adversários eram unânimes ao afirmar que era difícil de ser parado devido à sua velocidade e também um verdadeiro "carrapato" na marcação. Aliás, sua disposição defensiva fez dele único atleta que, na ponta, voltava para auxiliar o meio-campo.

Assim, é considerado o pai do ponta moderno, que não fica apenas caindo pelos flancos do campo buscando armar lances de ataque, mas também busca auxiliar na marcação. Características, aliás, muito semelhantes às de Zagallo, o primeiro técnico a abrir as portas de seleção brasileira a Dirceu.

Seu sucesso no Botafogo levou-o a aceitar a proposta de um dos maiores rivais do alvinegro: o Fluminense, onde conquistou um Campeonato Carioca. Mas também sua estada no Tricolor foi curta: o Vasco da Gama não poupou esforços para trazê-lo. No cruzmaltino, conquistou novamente o Estadual do Rio de Janeiro e foi convocado para a seleção brasileira.

Na Copa do Mundo de 1978, teve participação destacada: marcou três gols e foi peça fundamental no esquema tático de Cláudio Coutinho. Assim, as portas do futebol internacional se abriram para Dirceu, que foi atuar no México (América) e na Espanha, no Atlético de Madri. Isso causou uma polêmica na convocação para a Copa de 1982, pois ninguém queria aceitar que um atleta atuando fora do Brasil fosse chamado. No entanto, Telê Santana bateu o pé e chamou o craque, que passou o torneio no banco.

Daí em diante sucederam-se uma série de times na Itália: Como, Avellino, Verona, Napoli e Ascoli. Algumas confusões relacionadas a contrato marcaram sua passagem pelo Napoli, mas nada que manchasse a sua imagem de bom caráter, cultivada, como gostava de contar, pelas suas atitudes dentro e fora do campo.

O jogador ainda retornou para o Vasco da Gama, onde encerrou a sua carreira. Ao todo, foram 25 anos jogando futebol sem nunca ter recebido um cartão vermelho, um exemplo incontestável de jogo limpo. Entretanto, jamais foi agraciado com o troféu Belfort Duarte, prêmio para jogadores que se conduzem em campo pelo fair play.

Após ter encerrado a carreira, teve a sua vida abreviada por um acidente automobilístico, ocorrido no dia 15 de julho de 1995. Assim, o futebol perdeu um dos maiores expoentes do futebol total e da disciplina em campo.

Publicação: 16/01/2004
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