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Heavy Metal Futebol Clube: os rockeiros nas torcidas organizadas
Escrito por Fernando Souza Filho   
Que semelhanças você vê entre o refrão de um clássico do rock e um gol bonito feito em um estádio de futebol lotado? Adrenalina, meu amigo! Em ambas as situações, a adrenalina parece que dá um choque que só quem é muito apaixonado por rock e/ou futebol consegue entender. Agora, temos ainda um fato novo: o crescimento das torcidas organizadas formadas por rockeiros.

Tradicionalmente, as torcidas organizadas do futebol brasileiro são redutos do samba, que dá o tom musical nos gritos de guerra dos estádios. Porém, de um tempo pra cá, a participação da galera do rock tem aumentado a olhos vistos, seja na criação de organizadas rockeiras, seja no seio das torcidas tradicionais. E é por isso que fomos vasculhar o underground dos estádios para descobrir quem são esses fãs de música pesada que estão se organizando para torcer pelo seu time.

A MÁ FAMA DAS TORCIDAS ORGANIZADAS

É inegável que as torcidas organizadas não têm uma boa imagem junto a uma boa parcela do público, pois elas estão sempre associadas com baderna e violência. Por outro lado, é igualmente inegável que simplesmente não existe futebol sem elas, não há festa, barulho, alegria, adrenalina e nem vibração.

O assunto é constantemente tratado de forma desinformada e equivocada pela maioria dos jornalistas da grande mídia, principalmente os gorduchos de mesas redondas domingueiras que ficam lembrando de resultados da quinta divisão do campeonato paulista na década de 40. Porém, há as exceções. Helio Pavan, jornalista, ex-policial civil e integrante da banda Strange Ways (Kiss Cover), escreveu um livro chamado Torcidas Organizadas, em que consegue evitar a abordagem apaixonada e tem prefácio de Juca Kfouri. “O conteúdo desse livro-reportagem foi produzido para cumprir com as exigências da graduação em jornalismo”, conta ele. “Antes mesmo da publicação, já havia muita gente interessada, uma vez que não há quase nada disponível sobre o assunto nas livrarias. O próprio Kfouri entendeu que abordar essa questão era algo importante a ser feito e se prontificou a escrever o prefácio.”

Com sua experiência na polícia e nos estádios (“Freqüento desde os sete anos de idade”, diz), Pavan não acredita que a proibição dos símbolos das torcidas organizadas – que pode deixar de ser restrito a São Paulo e se estender por todo país – impeça a propagação da violência. “Entra no estádio quem paga ingresso. Os torcedores comprovadamente violentos – uma minoria ínfima – só deixariam de freqüentar os estádios se estivessem na cadeia ou se fossem obrigados a comparecer à delegacia no horário do jogo do time para o qual torcem, a exemplo do que ocorre na Itália. O problema é que, no Brasil, a punição de vândalos que vão a estádios de futebol, na esmagadora maioria das vezes, se resume ao cassetete do policial militar. Isso significa que no domingo seguinte ele está de volta. E com mais raiva ainda”, defende ele, com profundo conhecimento de causa.

Tão apaixonado por futebol quanto por rock’n’roll, Pavan vê com muitos bons olhos o crescimento dos rockeiros nas torcidas organizadas. “Entendo que a adrenalina de um estádio lotado e as emoções de uma final de campeonato são equivalentes a ouvir o seu disco favorito no último volume. Nada mais natural, portanto, que as pessoas associem o esporte à música. Nos EUA, durante os jogos de basquete e hóquei, as torcidas se manifestam cantando We Will Rock You, do Queen. É de arrepiar. As pessoas batem palmas e os pés no chão. Eu garanto que é muito mais emocionante que qualquer batuque de samba que você já ouviu”, diz ele. “O torcedor violento geralmente não tem atividades de lazer e socialização além do futebol. Acaba liberando toda a sua raiva e frustração, em companhia de gente com quem se identifica, durante eventos como os jogos de futebol. É muito importante que o jovem se mantenha ocupado e que tenha interesses sócio-culturais. Tenho certeza de que os integrantes dessas novas torcidas [rockeiras] têm muito mais facilidade em encarar a derrota do time do coração como resultado do jogo e não como uma derrota pessoal, que deve ser vingada, a qualquer custo, em cima do primeiro que apareça vestindo as cores do adversário.”

OUTROS JORNALISTAS ROCKEIROS

Outros futebolistas ligados ao rock compartilham das opiniões do escritor Helio Pavan. É o caso do jornalista Marcos Fillipi (ex-Folha de SP, Jornal da Tarde e Showbizz; atual Dgolpe) e de Marcos Cardoso (dono do selo Encore e da revista Planet Metal), que compartilham uma antiga paixão pelo rock e pelo Santos FC.

Fillipi é freqüentador de estádios desde os 10 anos de vida (“Tenho até hoje um autógrafo do Nilton Batata”, orgulha-se) e integra a Torcida Jovem do Santos há mais de 15 anos. “Não sou aquele cara que briga com torcedores adversários. Aliás, perdi a conta das vezes que ajudei torcedores adversários a se livrarem de apanhar em Santos. Mas, quando o juiz rouba...”, brinca ele, aproveitando para lembrar a famosa final entre Santos e Botafogo, em 1995: “Até hoje tenho raiva daquele árbitro.”

Já Cardoso, que entrou para a mesma torcida quando tinha sete anos de idade (“Meu irmão que é mais velho era sócio e me levava nos jogos”, lembra), perdeu a empolgação com a torcida organizada de que fazia parte. “Ué, e a Torcida Jovem ainda existe? Foi a única torcida que não precisou do Fernando Capez [promotor público que proibiu o uso de símbolo das organizadas em SP] pra fechar as portas e ‘fechou’ sozinha, por incompetência. Onde já se viu uma torcida que chega na Vila [Belmiro, estádio do Santos] depois da torcida visitante?!?”, lamenta ele, que está se tornando um típico “torcedor de sofá”. “Só vou em estádio quando o Peixe joga em São Paulo, o que não tem sido muito comum. Todos os jogos têm transmissão pela TV a cabo e as últimas campanhas do time não têm inspirado muito. Além do mais, a sujeira que infesta o futebol é broxante.”

Fillipi, por sua vez, engrossa o coro dos que acham que proibir símbolo de torcida não diminui a violência. “Não é porque uma pessoa está ou não usando a camisa de sua torcida que ela vai deixar de ser ou não violenta, pelo contrário. Na minha opinião, a proibição até intensifica a violência, pois você não pode identificar quem faz parte ou não de uma organizada. Você, usando uma camiseta da Gaviões, Mancha, Indepedente, Torcida Jovem ou qualquer outra organizada, será mais facilmente identificado caso arrume alguma confusão”, defende. “Deveria existir uma legislação mais dura contra os torcedores que vão aos jogos apenas para arrumar confusão. Hoje, um cara joga uma bomba caseira na torcida adversária e dificilmente é preso ou julgado. Ele tinha é que ser condenado e cumprir pena”, completa ele, enfático.

ROCKEIROS EM ORGANIZADAS TRADICIONAIS

Essa certa “infiltração” dos rockeiros nas torcidas organizadas começou a ser percebida até pelos grupos maiores, como é o caso da maior organizada do Palmeiras. “A nossa torcida sempre teve muitos rockeiros e, em alguns jogos, eles parecem mais presentes do que o normal”, afirma Ângelo, da Mancha Verde, que tem o mascote Eddie, do Iron Maiden, como um de seus símbolos. “Nós adotamos o Eddie porque ele é mascote da Força Jovem do Vasco, com quem temos uma grande amizade. A galera aqui aceitou muito bem, principalmente os rockeiros.”

A Força Jovem do Vasco, criada em 1969, criou uma identificação tão grande com o Eddie que até levou o pessoal do Iron Maiden para ver a final do time de São Januário contra o São Caetano, pelo torneio João Havelange de 2000. “Não tínhamos nenhuma figura que lembrasse a torcida, por isso, a FJV transformou o mascote do Maiden no símbolo da torcida”, explica Yuri Omonte, da Força Jovem.

Apesar de aliados, os dois torcedores têm opinões diferentes quando perguntados se conseguiriam manter uma relação cordial com uma torcida rockeira de um time adversário. “Sem chances! A rivalidade é muito grande”, adianta-se Yuri. “Talvez houvesse um respeito por se tratar de uma torcida que segue um ideal rockeiro”, contrapõe Ângelo.

Fora do esquema das organizadas, várias bandas fazem músicas sobre futebol: Dr. Sin, Made In Brazil, Vodu, Roger (Ultraje a Rigor) e, mais recentemente, o curitibano Magaivers, que compôs Festa Na Baixada e transformou em punk rock os gritos da torcida do Atlético-PR. “Estamos esperando o momento em que vão nos vaiar nos shows”, conta o baixista/vocalista Rodrigo Freitas. “O problema é que é difícil tocar essa música ao vivo, pois o novo baterista é torcedor do Coritiba.”

AS TORCIDAS ROCKEIRAS

Depois de começar a conquistar espaço nas torcidas tradicionais, os rockeiros começaram a montar as suas próprias torcidas. Obviamente que, com raras exceções, são iniciativas ainda isoladas e em estado embrionário. É o típico caso da Lobo Metal, uma “torcida organizada” (com aspas mesmo...) que apóia o time do Guará, de Brasília. “Fazem parte da torcida o Linhos [ex-guitarrista do Restless], eu, meu filho Arthur, de 10 anos, e a minha mina, Fernanda. Mas esse ano vou começar a levar a minha filha Gabriela e meu sobrinho Gabriel, que já completaram seis anos de idade, para aumentar a torcida”, diverte-se Phú, ex-baixista do DFC, atual Macakongs 2099 e dono do selo hardcore Sylvia Music. “Nos jogos do Guará, além dos familiares dos jogadores, sempre vão os caras d’Os Cabeloduro, do Subversão, do El Patito Feo, o Marcelo [ex-vocal do Maskavo Roots] e nós, da Lobo Metal, além de outros malucos igualmente vagabundos.”

E se você acha que isso é só uma brincadeira, saiba que Phú tatuou o nome do time na própria barriga. “Guará pra mim é mais do que um time, é um estilo de vida”, diz, sem arredar pé de sua paixão futebolística, apesar de o time simplesmente não ter torcedores no Distrito Federal. “Na última final que eu fui ver entre Guará e Gama, os únicos torcedores do Guará no estádio estavam dentro do Corsa da minha mina!”

Existem outras iniciativas mais consistentes, a maioria beneficiando-se das facilidades da internet. Vamos ver agora uma seqüência de torcidas organizadas rockeiras que estão pipocando no país.

METAL TRICOLOR

Foi a primeira torcida organizada rockeira de que se tem notícia no país. Surgida em São Paulo, na primeira metade dos anos 90, quando o São Paulo FC se tornou bicampeão mundial, a galera tinha uma bela camiseta e se reunia no bar Black Jack. Era comum encontrar a faixa dessa turma e as camisetas pretas (de bandas ou da própria torcida) nos estádios, sempre reunindo galera de bandas de heavy metal. Depois da proibição do uso de símbolos das organzidas nos estádios, em 95, a turma se dispersou.

Em abril de 2002, a velha guarda da turma voltou a se reunir e criou uma nova torcida, Comando Metal Tricolor. Curiosidade: a lendária torcida são-paulina inspirou, entre outras, uma Metal Tricolor no Rio de Janeiro (para apoiar o Fluminense) e outra em Porto Alegre (do Grêmio), que desapareceram tão rápido quanto surgiram.

GALÖ METAL

Atualmente, a torcida do Atlético-MG é a maior e mais atuante organizada formada por rockeiros, inclusive com estatuto próprio e registro em cartório. Liderada por Matheus e Tripa, dois headbangers de primeira linha, a Galö Metal é presença certa no estádio do Mineirão. “Contamos atualmente com cerca de 1200 sócios cadastrados, tanto no Brasil quanto no exterior”, conta Matheus. “Em cada jogo, reunimos cerca de 50 pessoas, porém, em jogos decisivos, esse número pode chegar a 200”, completa Tripa.

Além de um site bem atuante na internet, a Galö Metal tem uma fonte de renda bem legal: a venda de merchandising da torcida. “Nossa linha de produtos inclui camisa, boné, adesivo, calça, bermudão e agasalho de moletom. Mas a previsão é de que ainda esse ano a gente lance mochila, gorro e chaveiro”, planeja Matheus.

A torcida já ganhou a simpatia dos conterrâneos do Sepultura, que participaram de um evento da Galö Metal, em 2001. “Foi uma festa de confraternização reunindo a Galö, o Sepultura e seus amigos do Santa Tereza e do Horto, bairros de Belo Horizonte onde a banda morava antigamente. O momento principal do evento foi um jogo de futebol disputado contra ex-craques que já vestiram a camisa do Atlético, como Reinaldo, Luisinho, Toninho Cerezo, Paulo Isidoro, Éverton, João Leite e outros. A arbitragem ficou por conta do juiz Márcio Rezende de Freitas, da FIFA. Teve um churrasco e o presidente do Atlético, Ricardo Guimarães, entregou ao Paulo Jr. [Sepultura] o troféu Galo de Prata, uma homenagem do clube aos seus torcedores mais ilustres”, conta Tripa.

O próximo projeto da torcida é lançar, em agosto, um CD com diversas bandas de rock. “O tema será o próprio Atlético. A idéia é convidar algumas bandas mineiras para compor músicas relacionadas ao clube”, planeja Matheus. “Já fechamos com todas as bandas e confirmamos a participação de Eminence, Divine Death, Concreto, Gezebel & Márcio Costa, Perpetual Dusk, Maria Pretinha, Comboio, Hell Trucker, Hífen, Los W's e Nervus.”

Apesar de ser contra a restrição às organizadas em estádios (“Uma medida inútil, injusta e simplista”, declara Tripa), a galera da Galö Metal desconversa quando perguntada se conseguiria manter um bom relacionamento se houvesse, por exemplo, uma Cruzeiro Metal, que apoiasse o maior rival do Atlético. “Acho difícil aparecer uma torcida como essa, pois a esmagadora maioria que curte esse tipo de som torce pro Galo. Se surgisse, seria uma torcida fraca”, decreta Tripa. “E, se não tivesse uma atitude de respeito em relação à gente, poderia acabar rolando algum tumulto. Por outro lado, temos alguns amigos headbangers que são cruzeirenses e, apesar do time, são gente boa. Neste caso, a amizade não seria quebrada.”

IRON GALO

A torcida Iron Galo surgiu de duas paixões dos torcedores: Iron Maiden e Atlético-MG. “A gente se reunia todos os dias nos intervalos da aula do cursinho pra falar do Iron e discutir futebol”, lembra Breno, um dos líderes da torcida. “Depois, resolvemos montar a torcida, criamos o nome e registramos tudo em cartório.”

Hoje, a galera reúne de 30 a 40 pessoas em cada jogo, segundo Breno, e todos se dão bem com as outras torcidas do time. “O respeito é grande, a convivência é bem pacífica. Mas a maior convivência de amizade, com certeza, é com a galera da Galö Metal. Sempre jogamos peladas juntos e tanto a gente vai aos eventos deles quanto eles vêm aos nossos. Acho que são duas torcidas realmente unidas pelo metal.”

Assim como os brothers da Galö Metal, o pessoal da Iron Galo comercializa seu merchandising pela internet e também promove seus eventos, como o Iron Galo Metal Fest. “A primeira edição aconteceu em abril de 2000, com várias bandas locais de metal. Em 2001, rolou uma edição em novembro, comemorando os três anos da torcida. Teve mais de 1300 pessoas lá”, lembra Breno.

MÁFIA METAL RED

Do Rio Grande do Norte vem uma facção de uma das maiores torcidas do América-RN, batizada Máfia Metal Red. Liderada pelo veterano rockeiro Magno Flor e contando com a participação de Cláudio “Slayer” Nascimento, integrante da banda Expose Your Hate e redator da Rock Brigade, a galera vermelha faz a festa nas arquibancadas potiguares.

“A torcida surgiu em 96, quando o América foi vice-campeão da segunda divisão nacional. Eu e mais dois amigos da Máfia Vermelha resolvemos juntar nossa paixão pelo time e por rock’n’roll/metal. Nossa primeira aparição nas arquibancadas foi em março de 97”, lembra Magno.

Ele não se furta a comentar o velho problema da violência entre torcidas. “A violência está nos quatro cantos do planeta, é um problema social, de má distribuição de renda. Não adianta, por exemplo, culparem as organizadas de São Paulo pela violência, a culpa não está na camisa que alguém veste”, defende ele. Obviamente, na hora de falar do time do ABC-RN, a rivalidade fala mais forte e ele não acredita que pudesse haver uma união com uma torcida metal que porventura surgisse do “outro lado”. “A rivalidade do América com o time das três letrinhas é igual a Palmeiras e Corinthians ou Fortaleza e Ceará. Não tem acordo.”

CAMISA 12 COMANDO HARDCORE

Saindo do Nordeste e descendo para o Sul, vamos encontrar uma facção diferente da Camisa 12, maior e mais antiga torcida do Internacional-RS. O Comando Hardcore foi fundado em 97 por Alessandro Ferrony, um ferrenho fã de punk rock/hardcore. “Senti que estava faltando esse tipo de representação, pois sempre via a galera indo aos jogos no Beira-Rio [estádio do Inter] com camisetas de Dead Kennedys, NOFX e Biohazard”, lembra ele.

Com cerca de 50 integrantes, a galera da Camisa 12 Comando Hardcore não perde um jogo do time. “Quando não dá pra ninguém ir ao estádio, a galera se reúne num bar para acompanhar o jogo pela TV. Mas tem um detalhe: baixamos o som do monitor e escancaramos o hardcore no CD-player do bar”, diz Ferrony. “Tínhamos uma sede própria no Beira-Rio até pouco tempo atrás, porém, um ex-presidente do clube quis cortar esse tipo de regalia e tivemos que nos mudar para uma quadra de escola de samba próxima ao estádio.”

Nem esse tipo de ironia tira o ânimo da torcida, que tem como fonte de renda os produtos que comercializa pela internet e faz duas restrições para quem quer se associar à torcida: tem que amar o glorioso Sport Club Internacional e não pode ser pagodeiro ou ‘sertanojo’. “Se for, a gente bota pra correr na hora e ainda recomendamos que tentem se associar a alguma torcida gremista. O Grêmio, aliás, não tem nenhuma torcida de rock, o negócio deles é mais Backstreet Boys, Sandy & Junior e Kelly Key”, brinca ele.

A paixão hardcore é tão forte que, durante uma caravana para ver o Inter em ação, o ônibus da torcida parou numa estação rodoviária para trocar um pneu e se deparou com o ônibus de turnê do grupo brega KLB. “Adivinha o que aconteceu...?!? Acho que aqueles três irmãos nunca foram tão zoados na vida”, goza Ferrony.

A galera do Comando Hardcore mata a pau quando fala da proibição das organizadas no estado paulista. “Em muitos jogos de menor importância, quando o povão não comparece em peso, quem é que vai abrilhantar o espetáculo nas arquibancadas se não for uma torcida organizada? As torcidas de São Paulo foram pegas como bode expiatório e, por causa de uma meia dúzia de babacas, resolveram punir torcidas inteiras. Se for esse o critério, quando acontecem casos de violência policial, por que não extinguem a polícia também?”, arremata Ferrony, que tem o logotipo da Camisa 12 tatuado no braço.

BURRÃO CHOPP

Chope, heavy metal e Taubaté, time do interior paulista. Essa paixão tripla move a Torcida Burrão Chopp, cujo símbolo é um burro, o mascote do time da cidade. Formada em fevereiro de 99, a turma só adquiriu sua identidade rock’n’roll após algum tempo de estrada. “Na verdade, no início, a inspiração nem era rockeira, só pensávamos em chope e no Taubaté. Com o passar do tempo, alguns headbangers da região foram se associando e, agora, já estamos querendo formar o 4ï Comando Metal do Burrão”, conta Davis Fabrini, líder da galera.

FÚRIA COLORADA & JU-METAL

Heavy metal e futebol também são as paixões primordiais das torcidas Fúria Colorada (Internacional de Lages-SC) e Ju-Metal (Juventus-SP). “A Ju-Metal foi criada pela paixão de heavy metal com futebol. Foi durante um jogo contra o Etti Jundiaí que decidimos montar uma torcida em paralelo à vetusta Ju-Jovem”, conta Ariel Sataz. A Ju-Metal, inclusive, foi autora de um manifesto apócrifo na qual condenava algumas ações da diretoria do Juventus no ano de 2001. “Esperamos ficar ainda mais fortes depois do lançamento de nosso site.”

PAZ E ROCK NOS ESTÁDIOS

Como deu pra perceber, as iniciativas rockeiras ainda estão na fase embrionária, mas já começam a se fazer notar nos estádios. É óbvio que jamais o rock vai substituir o samba nas arquibancadas, porém, o fato de os rockeiros estarem dando uma nova cara às torcidas pode, de alguma forma, contribuir para que os estádios de futebol não sejam sempre vistos como praças de guerras.

Um bom indício de que isso pode acontecer está nos sites das torcidas rockeiras, muitas delas convivendo pacificamente com rivais tradicionais em nome da paixão comum pela música pesada. E que não seja apenas um indício, mas o limiar de uma nova mentalidade.


[Publica originalmente em 2002]
 
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