Domingo, 12 de Novembro de 2006
Edição Papel
Director: António José Teixeira
Directores adjuntos: João Morgado Fernandes, Eduardo Dâmaso e Helena Garrido
Lisboa
12.11.06
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O passado e o presente de Steve Reich no Porto



Joana de Belém
Hernâni Pereira (foto)
Pioneiro do minimalismo, um dos maiores compositores contemporâneos vivos, são grandiosos os epítetos colados ao novaiorquino Steve Reich, que muitos músicos e artistas tem influenciado ao longo das últimas décadas.

Hoje, pelas 18.00, acompanhado pelos Musician Synergy Vocals, Reich está na Casa da Música, no Porto, para apresentar Music for 18 Musicians (1974) - considerada por muitos como a sua obra de referência- e o último trabalho, Daniel Variations, uma homenagem a Daniel Pearl, o jornalista americano assassinado por militantes islâmicos em Carachi (Paquistão), em 2002.

O repórter do Wall Street Journal tinha uma faceta desconhecida. Pearl era também um músico talentoso que tocava violino e bandolim, e que aprendeu a ler música antes de saber ler. Daí as Daniel Variations, baseadas em frases do jornalista entrecruzadas com o Livro de Daniel, do Antigo Testamento, que narra a sinistra história de Nabucodonosor, rei da Babilónia. "Apercebi-me de que o sonho negro de Nabucodonosor é na verdade o mundo em que vivemos, onde as pessoas são mortas por causa da sua religião", disse ao DN Steve Reich, que tem no judaísmo uma ligação a Daniel Pearl.

O primeiro segmento de texto da peça arranca com as últimas palavras de Pearl, antes da ser decapitado pelos fundamentalistas: "O meu nome é Daniel. Sou um judeu americano de Encino, Califórnia". Ontem, no Porto, Steve Reich explicou aos jornalistas que o segundo excerto de texto foi retirado de do título de uma gravação antiga encontrada na colecção de discos do jornalista: I Hope Gabriel Likes my Music, de Stuff Smith & His Onyx Club Boys (1936).

A componente vocal é, aliás, bastante forte nos últimos trabalhos de Reich, que progressivamente se foi afastando das electrónicas: "É muito importante fazer aquilo que a nossa energia nos pede. Neste momento, do que preciso é de escrever música e o texto torna-se cada vez mais importante", explicou. Acrescentando que pode, obviamente, voltar a "usar aqueles métodos".

Muitos outros compositores e grupos musicais beberam no estilo de Reich , desde John Adams a Owen Pallet, passando por nomes da música pop como King Crimson, Brian Eno, Michael Gordon, ou o hoje muito celebrado cantautor Sufjan Stevens. Reich diz não acompanhar estas novas abordagens à sua música, "a não ser quando enviam qualquer coisa pelo correio". "Não tenho tempo", diz, apontando no entanto os nomes de John Adams e Michael Gordon como nomes cujo trabalho admira. E ainda Arvo Pärt, "por quem tenho um tremendo respeito".

Também os The Orb usaram uma linha melódica de Electric Counterpoint (1987) no tema Little Fluffy Clouds e, em 1999, uma série de DJ e músicos na área da electrónica editaram Reich Remixed, uma homenagem que lhe agradou "por saber que músicos que em 1965 não eram nascidos, encontraram interesse" nas suas composições.

Apesar de dizer, quando se lhe fala do rótulo de pioneiro do minimalismo, que as etiquetas são "criações dos jornalistas e dos historiadores musicais", Reich considera que esse movimento "foi a coisa mais importante que aconteceu à música desde 1950". "Tinha chegado a um impasse, era tudo tão complexo que se tornava difícil de seguir. Se não fôssemos nós [os pioneiros], alguém diria 'basta!, é preciso regressar às origens'", explicou.

Entre as inúmeras obras de Steve Reich - para quem não há melhor música do que a de Johann Sebastian Bach e que abomina Brahms, apesar de o considerar um génio -, podem destacar-se Drumming, Music for 18 Musicians, Music for a Large Ensemble, Tehillim,The Desert Music e as óperas The Cave e Three Tales, para citar as mais importantes.

Este espectáculo, que se estreou a 8 de Outubro no Barbican Centre de Londres, insere-se num ciclo mundial de concertos, destinados a marcar o 70º aniversário do compositor, e resulta de uma encomenda conjunta do Barbican Centre, Carnegie Hall, Casa da Música, Cité de la Musique e Meet the Composer (em nome da Fundação Daniel Pearl). Brevemente será editada em Portugal uma caixa de 5 CD's contendo algumas das peças mais significativas de Steve Reich.
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