Identité

GPS Writing in Montreal.
14 km by Bike with a GPS Tracker.
By André Lemos.

August 22, 2008

 

Identité à la Cuisine

No Voir, um dos muitos jornais culturais gratuitos aqui de Montreal (por que não temos isso no Brasil?), matéria sobre o Marché public dans l'ambiance du 18e siècle de Pointe-à-Callière, "Ici naquit la cuisine française", mostra o orgulho e o reforço identitário do Québec.


Foto do Jornal Voir


A coisa é tão forte que o historiador da gastronomia Jacques Lacoursière (na foto) vai mesmo soltar essa afirmação bastante questionável e certamente exagerada. Diz ele no fim da matéria:

"je crois que c'est plus au Québec qu'en France que la cuisine française est née!"

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August 12, 2008

 

Maps and Territories

Mapear é sempre um ato de poder e esse ato está sempre relacionado a uma demarcação de território. No meu GPS tracking, mapear e escrever são formas de criar o meu território aqui, mesmo que efêmero é subjetivo.



Mas o Canadá foi assim formado e tudo começou aqui. Em 1656 Nicholas Sanson produziu um mapa do Canada ou "Nouvelle France", deturpando o interior, distorcendo a visão da extensão do país afim de minimizar os territórios ingleses, comprimindo-os. A disputa territorial, no desenho dos mapas, é o começo de uma luta para criar/forjar uma IDENTIDADE Canadense.

Como afirma o geógrafo John Short :

"this distortions minimizes the English territories along the eastern seaboard and mximizes the French claims to the interior. (...) The French were not only claiming 'their' territory but also claiming territory that wasn't theirs, or which was in dispute at that time, or which had not yet been claimed by either side"
(A history of Cartogrphy).

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Magic

O processo de producão do mapa digital com a escrita gravada em um arquivo no GPS tracker é simples, rápido e... mágico.

Liga-se o aparelhinho, executa-se o projeto (traçar um percurso, escrever uma palavra ou fazer um desenho) e depois deliga. O passo seguinte é exporta o arquivo em um formato que possa ser lido por um programa e colocado em um mapa. Quando fiz o SUR-VIV-ALL, as letras foram criadas uma a uma já que a cada letra eu desligava o aparelho para chegar no lugar do começo de uma outra. O processo gerou vários arquivos que depois foram exportados gerando as letras que foram agregadas para gerar a palavra. No caso do IDENTITÉ, fiz um projeto para percorrer e escrever a cidade de uma só vez, com o GPS sempre ligado (ia e voltava pelas mesmas trilhas para não sujar a escrita) e, assim, gerei um só arquivo (.gpx).

A mágica se produz agora. Na exportação do arquivo e na visualização do trabalho feito. Ao aproximar o GPS do computador, lanço o programa e executo o comando de exportação do arquivo do GPS. Por bluetooth, sem fio nenhum (o que é ainda mais fascinante), o arquivo "voa" do GPS , entra no computador e automaticamente um mapa aparece (do lugar do mundo onde foi feito, sem que eu diga que lugar é esse) mostrando, como por mágica, a palavra escrita. O que era para mim virtual, potencial e invisível, torna-se atual, concreto e visível, mesmo que em um mapa digital e difundido na web. Assim, em segundos a expectativa e a dúvida ("oh, como vai aparecer isso que fiz por duas horas ou mais em 14 km"), transformam-se em alívio: "uau! aí está a palavra...IDENTITE em Montreal!"

MAGIC!

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Identité

Clique no mapa para Zoom...Vejam fotos e vídeo

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Descrição

IDENTITÉ

Esse projeto faz parte de uma trilogia que preparo sobre escritas com GPS (ou "GPS Writing") nas cidades em que morei entre setembro de 2007 a setembro de 2008. O primeiro projeto foi o SURVIVALL, escrita com GPS tracker de carro em 40 KM de Edmonton, no Oeste do Canadá durante o inverno de 2007-2008. O carro é o meio de locomoção por execelência em Edmonton e a palavra "Survival", foi modificada para criar um jogo de sentidos. Survivall surgiu a partir do livro Survival de M. Atwood que argumenta ser essa a questão que perpassa toda a literatura canadense. Vejam o site para mais detalhes


Planejamento em casa...Mapa analógico e GPS tracker.

No atual trabalho, escrevo, de bicicleta em 14 km, e de uma só vez (ou seja sem parar e em um único arquivo .gpx), a palavra "Identité", questão central no Canadá, mas particularmente forte em Montreal e em toda a região do Québec. Lugar de fundação do país, dominado por franceses, depois ingleses e depois franceses de novo, o multiculturalismo está presente e a tensão entre anglófonos e francófonos ainda permanece. Acho que essa região é que dá a tensão e a identidade canadense, além da única possibilidade de não se dissolver no vizinho do sul (os EUA). Montreal talvez seja a mais interessante cidade do Canadá, justamente pela questão/tensão identitária. A bicicleta é o instrumento de locomoção mais interessante (que uso diariamente) aqui e a palavra só poderia mesmo ser escrita em francês.


Visão geral de como deve ficar a escrita invisível do GPS no mapa digital.

A terceira escrita com GPS será feita em Salvador, Bahia, Brazil em setembro de 2008.

Essas "escritas" estão inseridas no meu projeto de pesquisa sobre as tecnologias móveis, comunicação e espaço urbano (me interesso particularmente aqui pela invisibilidade dos processos subjetivos e pela relação pessoal com o espaço urbano - tornando-se depois, no mapa e na web, público e visível), que o leitor pode ver mais detalhes no meu Carnet de Notes. O próximo post apresenta o resultado. Usei o Wintec GPS Tracker, uma câmera de 8 MP Kodak, o programa "myTracks", para exportar o arquivo do GPS, e o "Quikmaps" para gerar o mapa digital na web.

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