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Brasília - DF - Ano XXX - N.º 175 - Jul/Ago/Set 2002

Uniformes Históricos - 1º Regimento de Cavalaria de Guardas

A tradição de um uniforme

Os grandes feitos da nossa história, a começar pela Independência do Brasil, data máxima de nossa nacionalidade, tiveram a participação ativa da mais tradicional unidade de Cavalaria do Exército Brasileiro: o 1° Regimento de Cavalaria de Guardas (1º RCG), hoje consagrado com a denominação de "Dragões da Independência" e sediado na capital federal.

O uniforme histórico, utilizado pelos integrantes desta secular organização militar, é uma de suas mais caras tradições e consubstancia-se em motivo de grande orgulho para todos os "Dragões". O fardamento em tela foi desenhado pelo pintor francês Jean Baptiste Debret, entre 1820 e 1830, sendo publicado na plancha Nº 22, do 3º Tomo, da notável obra "Voyage pitoresque et historique au Brésil ", impressa em 1839.

O uniforme histórico dos "Dragões da Independência" foi concebido para ser utilizado pela Imperial Guarda de Honra de D. Pedro I. Na criação do fardamento, Debret buscou inspiração nas fardas brancas dos dragões dos exércitos imperiais da Áustria, por ser a então imperatriz, Maria Leopoldina, arquiduquesa daquele império.

Em 1916, o deputado federal e historiador Gustavo Barroso iniciou uma ação no sentido de exaltar as gloriosas tradições militares brasileiras. Após análise da cronologia do 1º RCG, apresentou, em 1917, projeto-de-lei à Câmara dos Deputados, solicitando permissão para resgatar inúmeras tradições do regimento. Do referido documento extrai-se o seguinte trecho: "restabelecer-se-ia o uniforme porque ele foi a primeira farda branca brasileira e lembrava a nossa Independência, pois nasceu antes dela para defender o seu autor em com ele se encontrava no momento culminante do Ipiranga, conforme o quadro célebre de Pedro Américo. Deveria ser escolhido para utilizá-lo o corpo de tropa mais antigo do Exército Brasileiro nascido do Esquadrão da Guarda dos Vice-Reis, o 1º Regimento de Cavalaria".

O Senado Federal conferiu aprovação final ao projeto-de-lei no ano de 1927, sendo o uniforme histórico utilizado pela primeira vez no desfile de 7 de setembro daquele ano.

Para a confecção dos primeiros uniformes, em 1927, foram tirados moldes de peças autênticas pertencentes a antigos oficiais da guarda de honra (existentes no museu Histórico Nacional), como as do barão de Sabará, e recorreu-se à estampa de Debret, que foi devidamente estudada e interpretada.

Algumas modificações foram feitas: a sigla "P I" (Pedro I), que era usada como tope do capacete, foi substituída por uma estrela, e as Armas do Império, estampadas nos talins, foram substituídas pelas Armas da República. A cor dos penachos dos capacetes, que sofreu alterações também em dias mais atuais, ficou distribuída da seguinte forma: o branco é reservado ao comandante do regimento; o verde é utilizado pela fanfarra; os oficiais até o posto de subcomandante ostentam penachos amarelos e os praças trazem, em seus capacetes, penachos vermelhos.

Para o arreamento da cavalhada, também se procuraram algumas peças autênticas ainda existentes, estando as chebraiques de pele de tigre de acordo com tradição que nos veio da Europa, onde os Dragões sempre a empregaram usando essa pele, mosqueada, muitas vezes como guarnição dos capacetes.

 

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