Trajetória de Clodovil na TV é marcada por declarações polêmicas e demissões

18 03 2009


Já consagrado como “costureiro” (a palavra estilista nem existia ainda), Clodovil Hernandes fez sua primeira aparição de destaque na TV em 1976, quando participou durante semanas do “quiz show” “Oito ou oitocentos?”, apresentado por Paulo Gracindo na TV Globo. Ele faturou o prêmio máximo do programa dominical (800 mil cruzeiros na época) ao responder a perguntas sobre Dona Beja, amante do imperador Dom Pedro I. Mas sua carreira na TV foi marcada por um festival de declarações polêmicas. A língua solta demais lhe rendeu muitas demissões.

A participação dele no “quiz show” foi um sucesso, que acabou o catapultando para o cargo de apresentador. A notoriedade nacional chegou a partir do dia 7 de abril de 1980, quando o famoso costureiro estreou como apresentador de TV com um quadro de moda no “TV Mulher”. No programa feminino matutino apresentado por Marília Gabriela e Ney Gonçalves Dias, Clodovil comandava um quadro que levava seu nome, no qual dava dicas de estilo, desenhava vestidos e comentava os modelos da moda na época. Mas não durou muito no ar. Sempre polêmico e já com a língua afiadíssima, Clodovil resolveu abandonar o “TV Mulher” protestando ao vivo contra Marília Gabriela. Foi demitido e Ney Galvão o substituiu como “costureiro” do programa em 1982.

Em 1984, Clodovil se mudou para a Rede Manchete. Apresentou o programa de entrevistas e variedades vespertino “Manchete Shopping Show”, no ar das 15h às 17h. Dois anos depois, ele ganhava um novo programa no canal, “Clô para os íntimos”, às 13h. Mais uma vez a língua solta demais lhe custou o emprego. Em 1988, Clodovil chamou a Assembléia Constituinte de “Prostituinte”. A declaração polêmica causou mal-estar em Brasília e na direção do canal. Dono da TV Manchete, Adolpho Bloch não gostou e o demitiu.

Sua volta ao ar só aconteceu em 1992, também pela Rede Manchete, desta vez sob o comando de outro grupo empresarial. Diretamente da nova sede do canal em São Paulo, o apresentador comandava “Clodovil abre o jogo”, um “talk show” noturno com atrações musicais. Foi nessa atração que ele estreou o bordão “Olha para a lente da verdade e me diz…”, que se tornou famoso e que seria usado por ele em outros programas. O programa acabou antes de completar um ano, por conta do imbróglio entre a antiga e nova dona da Manchete na época.

Clodovil se transferiu para a CNT em 1993 com seu programa, idêntico ao da Manchete. Em 1994, foi mais uma vez vítima de sua língua ferina. No ar, ele questionou a sexualidade do piloto Ayrton Senna ao entrevistar Adriane Galisteu, que foi perguntada também sobre a performance do corredor de F1 na cama. Clô ainda disse no ar que achava que a loura havia sido tratada como “uma rameira” pela família do piloto no funeral, aumentando sua lista de inimizades.

Amargou mais dois anos fora do vídeo. Voltou à CNT em 1996 para apresentar o programa “Retratos”. Ele prometeu à direção do canal que seguraria a verve, mas não conseguiu e, mais uma vez, foi afastado no ano seguinte.

Em 1998, Clodovil é contratado pela Rede Bandeirantes para apresentar o programa vespertino diário “Clodovil soft”. A atração ficou no ar apenas por dois meses. Ele não controlou a língua solta como prometera e destilou impropérios novamente contra Adriane Galisteu, garota-propaganda de uma sopa que patrocinava o programa. Acabou na rua.

Se você acha que apenas dois meses no ar foi muito pouco, Clodovil bateu seu recorde de menor permanência numa emissora de TV em 1999. Ele estreou em março daquele ano o programa “Clodovil”, na paulista Rede Mulher. A atração ficou menos de um mês no ar. Clô, indignado, disse na época que o show acabou porque o canal foi vendido à Igreja Universal do Reino de Deus, que ele já criticara outrora.

Foram mais dois anos no ostracismo. Em 2001, ele volta à TV pela paulistana Gazeta no comando do programa “Mulheres”, ao lado de Christina Rocha. Polêmico como sempre, Clô criticava a colega de palco ao vivo, o que custou o fim da parceria apenas alguns meses depois da estreia. Apesar disso, ele se manteve no canal até o fim de 2002 com um “talk show” noturno, que acabou não por conta do apresentador, e sim pelo arrendamento do horário nobre do canal para televendas.

” Eu acho a Marta (Suplicy) uma inculta. Ela só fala de sexo, ovário, útero, orgasmo, essas coisas “

Clodovil fica mais uma vez desempregado. Volta ao ar em novembro de 2003, desta vez pela Rede TV! com o feminino “A casa é sua”. Em março de 2004, fez sua primeira vítima no ar. Criticou Marta Suplicy, então prefeita de São Paulo e sua ex-colega de “TV Mulher” na década de 80: “Eu acho a Marta uma inculta. Ela só fala de sexo, ovário, útero, orgasmo, essas coisas. Essa ordinária está transformando São Paulo em uma privada”. E ele não parou por aí.

Apesar da polêmica que rendeu audiência na época, ele continuou no ar. Em 2004, ele foi alvo de perseguição pela turma do “Pânico na TV”, seus colegas de emissora. Os gaiatos queriam calçar as “sandálias da humildade” no apresentador, que não gostava das brincadeiras.
Tanto que chegou a fazer um desabafo no ar, ao vivo, contra os colegas. Outros apresentadores da casa foram alvo da língua afiada dele, como Luciana Gimenez, o que lhe rendeu advertências da direção. Mas foi só ele criticar Luísa Mell (na época namorada do dono do canal, Amílcare Dalevo) para ele ser demitido. Em janeiro de 2005, Clô afirmou que Luísa terminaria seus dias como “estrela pornô, assim como a Rita Cadillac”.

Já eleito deputado federal, em abril de 2007 Clodovil fez mais uma tentativa de voltar à TV, com o programa “Por excelência”, na TVJB. Menos de três meses depois o apresentador foi demitido, por estar impossibilitado de desempenhar sua função por problemas de saúde.

Fonte: O Globo


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Uma resposta

2 06 2009
edmo55

Nossa isso é que é tragetória.

Mais demisoes que essa só mesmo com Roberto Justos.

Fez história Clodovil na tv…

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