03/02/2010 - 21h33

Bombeiros, porta-bandeira e mestre-sala da Beija-Flor trocam fardas pelo samba

LUCIANA ACKERMANN
Do UOL, no Rio

Marcos Pinto/UOL

Bombeiros, Claudinho de Souza e Selminha Sorriso trocam a farda pelo samba (14/1/10)

Bombeiros, Claudinho de Souza e Selminha Sorriso trocam a farda pelo samba (14/1/10)

Selminha Sorriso e Claudinho de Souza, porta-bandeira e mestre-sala da Beija-Flor de Nilópolis, são parceiros há 19 anos. Este é 15º ano na azul e branco.

As afinidades entre eles não param no samba, ambos usam fardas e trabalham no Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. Ela conta que ingressou na corporação, em 2002, quando realizou um sonho de adolescente, que ganhou ainda mais força ao ser resgatada em um acidente que sofreu, nos anos 90. Não faltou incentivo de seu parceiro no samba, que já era bombeiro.

Fora das quadras, além de sambar, os dois também se dedicam à escolinha de mestre-sala e porta-bandeira da Beija-Flor dando aulas, todos os sábados, para crianças que vivem em Nilópolis.

Nunca sei tudo, a cada ano percebo que dá para melhorar ainda mais

Selminha Sorriso em entrevista no barracão da Beija-Flor

O casal de mestre-sala e porta-bandeira se conheceu na escola de samba Estácio de Sá. A parceria deu certo e rendeu as primeiras notas dez na carreira dos dançarinos. Eles mesmos criam suas coreografias e, apesar de extrema sintonia, ensaiam três vezes por semana, cerca de duas horas por dia. “É uma responsabilidade muito grande. A pontuação é em cima de nós dois, enquanto que em outras alas, esse peso é compartilhado”, diz Claudinho.

 

Selminha conta que o casal está constantemente criando novos passos e movimentos. “Nunca sei tudo, a cada ano percebo que dá para melhorar ainda mais”, diz a porta-bandeira, que gosta de um bom banho de ervas para garantir maior tranquilidade.

Os exercícios físicos fazem rotina na vida deles dentro e fora do quartel. Treinos de corrida e musculação garantem o bom condicionamento físico e o fôlego para o defile na Marquês de Sapucaí.

Nascido e criado numa família de sambistas, Cláudio de Souza, de 37 anos, desfilou pela primeira vez ainda menino, na ala das crianças na Unidos de São Carlos. Selminha, que prefere não dizer a idade, é bacharel em direito e assistente de palco do programa “Samba de Primeira”, do canal CNT. Acompanhava a mãe, que era passista, na escola Unidos de Lucas. “Fiquei encantada ao ver a porta-bandeira Boneca e quis aquilo para a minha vida”, relembra Selminha, que treinava em casa com cabo de vassoura e um pano de prato preso à madeira, dançando em frente do espelho. Sua estreia aconteceu anos mais tarde, em 1989, na escola de Império Serrano.

Além da Beija-Flor, Selminha e Claudinho vão desfilar na Estácio de Sá, escola do Grupo de Acesso A, onde serão homenageados. Este ano, a Estácio tem como tema a trajetória da própria agremiação com o enredo “Deixa Falar a Estácio é isso aí”. O ex-casal da vermelho e branco representará o premiado samba-enredo de 1992, “Paulicéia Desvariada, 70 anos de modernismo”.

Para Claudinho, é uma grande alegria estar entre os homenageados da escola. “Sou nascido e criado no morro de São Carlos, frequento a Estácio desde os seis anos de idade. Será emocionante desfilar novamente, ainda mais porque participei da composição do samba. Estou feliz pelo nosso reconhecimento dentro da escola”, afirma Claudinho.
 

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