Datas - 04 de Fevereiro de 1908
Governo de Acalmação
O almirante Ferreira do Amaral liderou a primeira de seis tentativas falhadas de salvar a monarquia portuguesa após o regicídio de fevereiro de 1908.

Mortos o rei D. Carlos e o seu sucessor D. Luís Filipe, o príncipe D. Manuel foi subitamente catapultado para um trono que nunca pensou vir a ocupar e para o qual nunca foi preparado. A sua primeira preocupação foi pacificar a nação, ainda traumatizada pelo atentado, e impedir o avanço crescente dos republicanos. Para tal, fomentou um governo suprapartidário que deveria pôr cobro aos erros dos últimos executivos formados pelo seu pai, que contribuíram para o desgaste da imagem da coroa.

A 4 de fevereiro de 1908, três dias apenas após o regicídio do Terreiro do Paço, D. Manuel nomeava o almirante Francisco Joaquim Ferreira do Amaral como chefe de um governo que teria como primeiro objetivo a “acalmação” da pátria – daí o nome com que ficou para a posteridade.

Esta experiência, porém, duraria apenas 326 dias e a 25 de Dezembro de 1908 o governo era já substituído por um outro, desta feita liderado pelo regenerador Campos Henriques, antigo ministro da Justiça. Seguiram-se ainda mais quatro governos, todos eles de curta duração, o último dos quais liderado por António Teixeira de Sousa, a quem a história reservou o lugar de último presidente do conselho (primeiro ministro) na Monarquia Constitucional.

O Governo de Acalmação tornou-se de alguma forma o símbolo dos esforços desenvolvidos pelo último rei português para manter a ordem e a paz num país profundamente dividido e salvar a coroa. Nasceu de um entendimento entre os chefes dos dois principais partidos do regime, que haviam criado o chamado rotativismo - Júlio de Vilhena, pelos regeneradores, e José Luciano, pelos progressistas.

Dentro daqueles que eram os seus principais objetivos políticos, o novo governo aprova de imediato um conjunto de medidas que visavam anular algumas das reformas mais criticadas em João Franco, polémico primeiro ministro caído em desgraça com o regicídio, nomeadamente através da libertação de presos e da aprovação de amnistias. De seguida partiu para eleições, com o objetivo de garantir o necessário apoio parlamentar, o que veio a acontecer a 5 de Abril. A 1 de Novembro, porém, as eleições municipais entregam a Câmara de Lisboa aos republicanos. Vilhena, que tinha sido frontalmente contra a realização destas eleições, provoca a queda do governo.

O confronto entre Júlio de Vilhena e José Luciano viria a marcar praticamente todos os restantes governos destes tempos de estertor da Monarquia, apesar dos empenhados esforços de D. Manuel II para conseguir uma estabilidade política que acalmasse o país.

Nem o abandono da chefia dos regeneradores por Vilhena permitiu que as profundas divisões fossem ultrapassadas e quando Teixeira de Sousa assume a presidência do Governo era já tarde demais para a causa da Coroa: Apesar de legitimado democraticamente pelas eleições de Agosto de 1910, o Executivo não conseguiu conter o crescimento brutal da representação republicana, que poucos meses depois, em Outubro, viria a promover a revolução.

Miguel Sousa Pinto

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