SEMINÁRIO DE POLÍTICAS LINGUÍSTICAS

 

PROF. JOSEP J. CONILL

“SENSO COMUM E COMUNIDADE DE SENTIDO: RUMO A UM

TRATAMENTO LIBERTÁRIO DA COMPLEXIDADE

SOCIOLINGUÍSTICA

SANTIAGO, 25-26-27 DE NOVEMBRO DE 2003

        Leccionado pelo professor e sociolinguista Josep J. Conill e organizado pela Associação de Amizade Galiza-Portugal, realizou-se na Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade de Santiago, conforme ao seguinte calendário:

Imagens

PRIMEIRA SESSÃO (apresentação), 25 de novembro.

Lugar: Galeria Sargadelos, 19:30 a 21:30.

 

SEGUNDA SESSÃO: 26 de novembro.

Lugar: Faculdade de Ciências Políticas e da Administração, 17:30 a 19:00.

 

TERCEIRA SESSÃO: 27 de novembro.

Lugar: Faculdade de Ciências Políticas e da Administração, 17:30 a 19:00.

 

MESA REDONDA (sessão de encerramento), sob o título:

 

“LIBERALISMO LIBERTÁRIO E CIDADANIA MULTICULTURAL”, na Galeria Sargadelos de Santiago, das 20:00 às 21:30 horas, com a participação dos professores:

Josep J. Conill, sociolinguista e ponente do seminário;

Xavier Vilhar Trilho, presidente da Associação de Amizade Galiza-Portugal;

António Gil Hernández, sociolinguista e membro da Associação de Amizade Galiza-Portugal. Participou com o texto "Uma velha reflexão, talvez impertinente" (reproduzido integralmente no final desta página).


 

    APRESENTAÇÃO, PROGRAMA E BIBLIOGRAFIA

JOSEP J. CONILL

 

 Há, entre todos os povos, muita gente que deseja tirar do edifício maravilhoso aquilo que as suas nações tinham aportado à obra comum, sem preocupar-se das fendas que lhe poderiam causar e com a ideia equivocada de serem suficientes as fracas forças da sua pequena comunidade para abranger o céu e o infinito. Felizmente outros ainda continuam no seu lugar, outros a opinarem que jamais um povo ou uma nação poderão abranger sozinhos o que apenas tem conseguido toda a força europeia unificada em séculos de heróica comunidade. São homens aos quais agrada acreditar que este monumento deve ser acabado aqui onde começou, na nossa Europa e não, porventura, em continentes estranhos, na América ou Ásia.

                                                                                      Stefan Zweig

 As áreas mais proveitosas para o desenvolvimento das ciências são aquelas que foram desprezadas como terra de ninguém entre os diversos campos já estabelecidos

                                                                                       Norbert Wiener

 A maior parte dos conceitos das ciências humanas estão contaminados pela linguagem comum das preferências e dos conflitos

                                                                                        Fernand Dumont

 Toda a gente -e isto é bastante legítimo- tem alguna cosa a dizer respeito das línguas que utiliza e sobre as outras... Mas é claro que nenhuma atividade científica merece este adjectivo se se satisfaz repreendendo, sob uma forma um bocado mais literária, as ideias que correm

                                                                                        Pierre Achard

  Há quem acredita poder fazer munição com as ruínas de Babel

                                                                                        Lluís V. Aracil

 As verdades incontestáveis têm a desvantagem de escurecer a verdade, enfraquecendo os sentidos

Heinz von Foerster  

                                     Cada vez que conseguimos tornar-nos no único falante, deixa de existir um falante

                                                                                                                                                                                                        James P. Carse  


APRESENTAÇÃO

JOSEP J. CONILL

À diferença da maior parte dos trabalhos que tenho redigido ao longo dos últimos dez anos, o estímulo imediato para a redação —levada a termo entre fins de novembro de 2000 e os primeiros dias de março de 2001— do texto intitulado «Senso comum e comunidade de sentido: Rumo a um tratamento libertário da complexidade interlinguística», que se acha na origem do presente seminário, não me veio através da minha participação no Seminário de Sociologia de València, que dirigia Lluís V. Aracil, mas da necessidade íntima de formular de um modo claro, conciso e ordenado uma série de ideias que dançavam na minha cabeça havia tempo. O mais remoto ponto de partida das minhas reflexões tinha relação com a existência, dentro do tema dedicado à sociolinguística para a programação do C.O.U. estabelecida pela Universitat Jaume I, de uma epígrafe intitulada «Línguas minoritárias e línguas minorizadas», concebida certamente com a intenção de dar a conhecer aos alunos a diferença existente entre estas duas noções. Sempre tive a convicção de que suscitar a questão dentro de uns limites tão reduzidos constituia, no fim de contas, a melhor forma de a distorcer. Em consequência, na medida em que o tempo e a capacidade do alunado o permitia, procurava ligar as noções de língua minoritária e língua maioritária, e da língua minorizada com a de interlíngua. Na minha opinião achamo-nos perante umas noções correlativas —coisa óbvia no relativo à primeira parelha mas não tanto no referente à segunda. A adopção deste ponto de vista permitiu-me explorar progressivamente a complexa malha de relações que informam um senso comum do qual não podemos fugir, muitas vezes, nem os mesmos sociolinguistas. A partir daqui, introduzi-me posteriormente no estudo da ordem linguística de que se proclama devedora e, ao final, tentei traduzir as minhas conclusões (provisórias) na formulação explícita de um modelo de ordem sociolinguística com vocação planetária, inspirado nuns princípios doutrinais —não isentos de um certo espírito utópico— de tipo liberal e libertário.       

Tal como eu o entendo, o delineamento exposto implica uma crítica radical do senso comum imperante na teorização sociolinguística desde as origens. Um senso comum que aparece cindido, como as duas faces de Janus, entre uma sociolinguística ao serviço do poder estabelecido, que se manifesta no âmbito da planificação linguística; e uma sociolinguística anticolonialista, em perpétua revolta contra toda tentativa de substituição linguística, em nome dos direitos nacionais das comunidades linguísticas oprimidas. Tratar-se-ia, em suma, das duas espécies de sociolinguística bem tipificadas por Aracil,[1] devedoras por igual do quadro ideológico da época da Guerra Fria e a Descolonização. Como tais, compartem uma visão excessivamente maniqueísta das coisas, mais apta para a análise de sociedades autoritárias do que para enfrentar-se aos reptos levantados pelo funcionamento das cada vez mais complexas democracias de aspecto socioliberal. Por analogia com a terminologia em voga dentro do âmbito económico, poderíamos caracterizar a maior parte da sociolinguística actual como uma sociolinguística do subdesenvolvimento que, como afirmo num trabalho recente a propósito de uma certa noção de conflito linguístico, «extrapola as teses marxistas sobre a luta de classes em termos de luta de línguas».[2] Sem pretender menosprezar a importância destas situações já bastante lamentáveis per se, entendo que a sua existência não deveria tornar-se num obstáculo epistemológico suscetível de nos impedir reconhecer outras mais complexas, dignas de uma atenção equivalente, se mais não. E isto por um duplo motivo. Em primeiro lugar, porque a aplicação dos modelos derivados da sociolinguística do subdesenvolvimento às sociedades avançadas revela-se ridiculamente insatisfatória. Mas também porque, recorrendo mais uma vez à analogia económica, caberia darmos os passos oportunos no intuito de constituirmos uma sociolingüística avançada, preparada para responder às exigências suscitadas às ciências sociais pela multi-culturalidade inerente às sociedades pós-modernas.

            A necessidade de uma perspetivação como a que sugiro fica evidenciada mais ainda se conferida com a situação imperante na Galiza ou no País Valenciano, onde assistimos há décadas ao espectáculo tão patético quão grotesco de comunidades linguísticas sequestradas por um conjunto de organismos e instituições, que pretendem representá-las com um fundamento tão diverso quanto desligado das necessidades linguísticas dos cidadãos. A recente constituição da Acadèmia Valenciana de la Llengua supõe, provisoriamente, o último episódio deste  esperpento interminável orquestrado à volta do catalão dos valencianos —a propósito do qual poderia escrever-se uma nova Conjura dos néscios, se entre os nossos romancistas não houvesse alguns dotados do talento e a impertinência que a sátira precisa. Como tereis percebido, refiro-me à teorização sociolinguística. Com efeito: sempre entendi a sociologia da linguagem como uma disciplina caracterizada por uma dimensão teórica consubstancial —o âmbito, mesmo mais problemático, do que Aracil denominava a sociolinguística geral—, em ausência da qual a análise da realidade empírica perderia todo o sentido, além da sua eventual instrumentação em mãos daqueles que se dedicam à manipulação tecnocrática (e antidemocrática) da realidade social. Felizmente, sou capaz de fingir hipóteses —quer dizer, de pensar, no sentido mais autêntico da palavra— e faço-o sempre que posso já que, em caso contrário, confesso-me incapaz de tentar a mais pequena investigação sem extraviar-me no bosque da mera facticidade. O escritor argentino Ernesto Sábato, antigo investigador no Laboratoire Curie de Paris, acertou a exprimi-lo com muitíssima mais graça do que eu: 

los profesores que sostienen la doctrina de los «hechos»; estimulados por diversas confusiones generosas, mantienen que el historiador [leia-se «o sociólogo»] debe atenerse humildemente a los hechos. Pero ¿cuáles? Imagino que ninguno de estos historiadores va a pretender atenerse a todos, ya que en ese caso habría que anotar no sólo la cantidad exacta de ganado vacuno existente en Nínive en el momento de su destrucción, sino, también y con sumo cuidado, la posición de las patas y el estado de sus sistemas nerviosos. Si no se acepta este grandioso programa, es evidente que se deberá seleccionar hechos y entonces viene lo divertido. Porque sucede que esos honestos profesores que hablan de objetividad se ven obligados a elegir entre los infinitos hechos y para elegir es necesario un criterio, y la palabra criterio es la tímida sinonimia de la palabra teoría.[3]  

            O problema essencial, neste caso, ficará situado no terreno da eleição teórica. Há anos que me tenho convertido num decidido valedor de todas as teorias que se ocupam da complexidade como atributo primordial da realidade social. Acho que não precisamos ter grandes teimas no referente a esta questão, na medida em que cabem várias perspetivações —quer dizer, diversos pontos de vista—, mesmo se nem sempre resulta possível compatibilizá-los. Por enquanto esta diversidade não deveria preocupar-nos de maneira excessiva mesmo porque, no estado actual da disciplina, a proliferação teórica só pode resultar beneficiosa de cara a corrigir a quantitofrenia dominante. Muito mais importante resulta, no meu entender, que tal proliferação teórica não perca nunca de vista a sua função de comunicação racional. Neste sentido, agrada-me pensar a sociologia da linguagem como aquele subsistema comunicativo especializado na reflexão sobre o uso dos códigos que fazem possível a sujeição do sentido social. Certamente isso obrigaria a ter em conta as suas próprias operações teóricas, na medida em que poderiam ter repercussão. E é que, tal com o enxergou Max Horkheimer (1968: 48-49), se as ciências sociais não renunciarem ao propósito de transcender o seu estádio atual meramente descritivo terão de contribuir, seja como for, à transformação da sociedade em sujeito racional das próprias ações.[4]


  PROGRAMA E BIBLIOGRAFIA

JOSEP J.CONILL

 

0. Epistemologia trivial e epistemologia complexa na focagem das relações interlinguísticas na época da Globalização.

Bibliografia:

Foerster, Heinz von (1972): «Perception of the future and the future of perception», in Instructional Science, 1 (1), pp. 31-43 [trad. cast. in Heinz von Foerster: Las semillas de la cibernética: Obras escogidas, Barcelona, Gedisa, 19962, pp. 187-200].

            1. Língua e Estado: A diversidade linguística na cama de Procust.

            1.1. O Estado como âmbito supremo de lealdade: um mundo desimbricado.

1.3. Duas versões da falácia pars pro toto: a Nação-Estado e o Estado-Nação.

1.3. Os nacionalismos linguísticos e a aparição do conceito de etnia.

1.4. Problemática dos nacionalismos linguísticos

1.5. Os nacionalismos estatais como máquinas de uniformização linguística.

1.6. O círculo vicioso do nacionalismo.  

Bibliografia:

Aracil, Lluís V. (1979): «Sociolingüística», in Ictineu: Diccionari de les Ciències de la Societat als Països Catalans (Segles XVIII-XX), Barcelona, Ed. 62, pp. 440-447 [citamos pela reed. in Papers de sociolingüística, Barcelona, Ed. de la Magrana, 1982, pp. 95-113].

—(1984): «”Lengua nacional”: ¿una crisis sin crítica?», comunicação apresentada à la “Mesa redonda sobre las lenguas del Estado español”, no “Simposio sobre Innovación en la Enseñanza de la Lengua y la Literatura Española”, Madrid, junho [citamos pela trad. cat. «”Llengua nacional”: una crisi sense crítica», in Límits, nº 1, Barcelona, Empúries, novembro de 1986, pp. 9-23].

Asensio, Eugenio (1960): «La lengua compañera del imperio», in Revista de Filología Española, XLIII, nº 3-4, pp. 399-413.

Breton, Roland (1983): Les éthnies, Paris, Presses Universitaires de France [trad. port. As Etnias, Rés, Porto, 1990; trad. cast. Las etnias, Barcelona, Oikos-tau, 1983].

Fishman, Joshua (1982): «Whorfianism of the Third Kind: Ethnolinguistic Diversity as a Worldwide Social Asset», in Language in Society, nº 11, pp. 1-14 [trad. cat. «El whorfianisme del tercer tipus: La diversitat etnolingüística com a avantatge social universal», in Joshua Fishman, Llengua i identitat, pp. 57-81].

Kymlicka, Will (1995): Multicultural citizenship. A liberal theory of minority rights, Oxford, Clarendon [trad. cast. Ciudadanía multicultural. Una teoría liberal de los derechos de las minorías, Barcelona, Paidós, 1996].

Lafont, Robert (1968): Sur la France, París, Gallimard [trad. cat. Per una teoría de la nació, Ed. 62, Barcelona, 1969].

Mira, Joan F. (1984): Crítica de la nació pura, València, Eliseu Climent.

—(1990): Cultures, llengües, nacions, Barcelona, La Magrana.

Nebrija, Antonio de (1492): Gramática de la lengua castellana, Madrid, Ed. Nacional, 1980.

Pérez Vejo, Tomás (1999): Nación, identidad nacional y otros mitos nacionalistas, Oviedo, Nobel.

Rubert de Ventós, Xavier (1994): Nacionalismos, Madrid, Espasa Calpe, 1994.

Smith, Anthony (1971): Theories of Nationalism, Londres, Gerald Duckworth [trad. cast. Teorías del nacionalismo, Barcelona, Península, 1976].

Weinreich, Uriel (1953): Languages in Contact, la Haia, Mouton [trad. cat. Llengües en contacte, Alzira, Bromera, 1996].

Weinrich, Harald (1986): «Breve xenología de las lenguas extranjeras», in Le croisement des cultures, París, Communications/Ed. du Seuil [trad. cast. Cruce de culturas y mestizaje cultural, Madrid, Júcar, 1988, pp. 229-248].

  

2. A quantitofrenia, um senso comum?

2.1. Dados nus e absurdos taxonómicos

2.2. Categorias quantitativas: línguas maioritárias versus línguas

2.3. As três falácias demolinguísticas.

            2.4. Demografia sociolinguística e teoria de conjuntos.

                 Bibliografia:

Aracil, Lluís V. (1974): «Educació i sociolingüística», València, multicopiado (78 pp.). Publicado in Treballs de Sociolingüística Catalana, nº 2, València, Tres i Quatre, 1979, pp. 33-86 [reed. in Papers de sociolingüística, Bacelona, Ed. de la Magrana, 1982, pp. 129-217].

 (1983): “El racionalisme oligàrquic”, in Dir la realitat, Barcelona, Edicions Països Catalans, 1983, pp. 47-65.

Baum, Richard (1987): Hochsprache Literatursprache Schriftsprache - Materialen zur Charakteristik von Kultursprachen, Darmstadt, Wissenschaftliche Buchgesellschaft [trad. cast. Lengua culta, lengua literaria, lengua escrita: Materiales para una caracterización de las lenguas de cultura, Barcelona, Alfa, 1989].

Breton, Roland (1979): Géographie des langues, París, Presses Universitaires de France [trad. cast. Geografía de las lenguas, Barcelona, Oikos-tau, 1979].

Junyent, Carme (1989): Les llengües del món, Barcelona, Empúries.

Lipschutz, Seymour (1969): Set Theory and Related Topics: Theory and Problems, McGraw-Hill [trad. port. Teoria dos conjuntos, McGraw-Hill do Brasil, São Paulo, 1972; trad. cast. Teoría de conjuntos y temas afines, Madrid, McGraw-Hill, 1975].

Mira, Joan F. (1990): Cultures, llengües, nacions, Barcelona, La Magrana.

Moreno Cabrera, Juan Carlos (1990): Las lenguas del mundo, Madrid, Visor.

Rosset, Clément (1973): L’anti-nature, París, Gallimard [trad. cast. La anti-naturaleza, Madrid, Taurus, 1974].

Salvador, Gregorio (1992): Política lingüística y sentido común, Madrid, Istmo.

Sánchez Carrión, José María («Txepetx») (1981): El espacio bilingüe, Burlada, Eusko Ikaskuntza.

 

3. A questão da interlíngua.

3.1. Categorias qualitativas: interlíngua versus língua minorizada.

3.2. Duplicidade tipológica da interlíngua: lingua franca versus interlíngua

       sábia.

3.3. Rascunhos para uma história da interlíngua.

3.4. Língua maioritária e interlíngua: uma confusão terminológica.

3.5. Interlíngua universal versus interlíngua regional: bilinguismo bilateral

       versus bilinguismo unilateral.

            Bibliografia:

Alexander, Christopher (1965): «A City is not a tree», in The Architectural Forum, maio-abril [trad. cast. in Christopher Alexander, La estructura del medio ambiente, Barcelona, Tusquets, 1971, pp. 17-55].

Aracil, Lluís V. (1965): «Conflit linguistique et normalisation linguistique dans l’Europe Nouvelle». Memória apresentada ao Centre Européen Universitaire de Nancy, València, 1965, multicopiado [trad. cat. in Lluís V. Aracil, Papers de sociolingüística, Barcelona, La Magrana, 1982, pp. 23-38].

—1980: «The sociolinguistic history of Europe: The subject and the challenge», texto do position paper lido na sessão inaugural do Congress on Linguistic Problems and European Unity, Meran, outubro [citado pela trad. cat. in Lluís V. Aracil, Dir la realitat, Ed. Països Catalans, Barcelona, 1983, pp. 31-46].

—(1983): «Sobre la situació minoritària», in Dir la realitat, Barcelona, Edicions Països Catalans, pp. 171-206.

—(1984): «”Lengua nacional”: ¿una crisis sin crítica?», comunicação apresentada à “Mesa redonda sobre las lenguas del Estado español”, no “Simposio sobre Innovación en la Enseñanza de la Lengua y la Literatura Española”, Madrid, junho [citamos pela trad. cat. «”Llengua nacional”: una crisi sense crítica», in Límits, nº 1, Barcelona, Empúries, novembre de 1986, pp. 9-23].

—(1988): História das línguas europeias, Seminário de Sociolinguística, Ourense, 7-9 de dezembro. Inèdito.

—(1992): Història de les llengües europees, seminário leccionado no Institut Francès de Barcelona, Barcelona, novembro-dezembro. Inèdito.

Borges, Jorge Luís (1952): «El idioma analítico de John Wilkins», in Otras Inquisiciones, Buenos Aires [reed. in Jorge Luís Borges, Obras Completas, vol. II, Barcelona, Emecé, 1989, pp. 84-87. Trad. port. Novas inquirições, Querco, Lisboa, 1983.

Breton, Roland (1979): Géographie des langues, Paris, Presses Universitaires de France [trad. cast. Geografía de las lenguas, Barcelona, Oikos-tau, 1979].

Briggs, John & Peat, F. David (1999): Seven Life Lessons of Chaos. Timeless Wisdom from the Science of Change, Nova York, HarperCollins [trad. cast. Las siete leyes del caos, Barcelona, Grijalbo, 1999].

Burke, Peter (1993): «“Heu Domine, Adsunt Turcae”: A Sketch for a Social History of Post-medieval Latin» in The Art of Conversation, Polity Press [trad. cast. «“Heu Domine, Adsunt Turcae”: esbozo de una historia social del latín posmedieval», in Peter Burke, Hablar y callar: Funciones sociales del lenguaje a través de la historia, Barcelona, Gedisa, 1996, pp. 51-86].

Burnet, Frank Macfarlane (1970): Dominant Mammal. The Biology of Human Destiny [trad. cast. El mamífero dominante, Madrid, Alianza, 1973].

Curtius, Ernst Robert (1948): Europäische Literatur und lateinisches Mittelater, Berna, A. Francke [trad. cast. Literatura europea y Edad Media Latina, 2 vols., México, Fondo de Cultura Económica, 1955; trad. ingl. European Literarure and the latin middle ages, Harper & Row, New York, 1963].

Deleuze, Gilles & Guattari, Félix (1980): Mil plateaux (capitalisme et eschizophrénie), Paris, Éd. de Minuit [trad. cast. Mil mesetas: Capitalismo y esquizofrenia, València, Pre-Textos, 1988].

Eco, Umberto (1994): La ricerca della lingua perfetta nella cultura europea, Roma-Bari, Laterza [trad. cast. La búsqueda de la lengua perfecta en la cultura europea, Barcelona, Crítica, 1994].

Étiemble, René (1974): Essais de littérature (vraiment) générale, París, Gallimard [trad. cast. Ensayos de literatura (verdaderamente) general, Madrid, Taurus, 1977].

Foerster, Heinz von (1984): «Principles of Self-Organization in a Socio-Managerial Context», in Ulrich, H. & Probst, G. J. B. (comps.), Self-Organization and Management of Social Systems, Berlim, Springer, pp. 2-24 [trad. cast. dins Las semillas de la cibernética: Obras escogidas, Barcelona, Gedisa, 19962, pp. 138-169].

Garcia-Ripoll, Martí (1987): «De l'aranès a l'anglès (y tiro porque me toca)», dins Seminari de Sociolingüística, La diversitat (im)pertinent, Barcelona, El Llamp, pp. 13-33.

Janton, Pierre (1976): L'espéranto, Paris, Presses Universitaires de France [trad. cast. El esperanto, Barcelona, Oikos-tau, 1976].

Steiner, George (1975): After Babel. Aspects of Language and Translation, Nova York, Oxford University Press [trad. port. Depois de babel.: aspectos da linguagem e tradução. Relógio d’Água, Lisboa, 2002; trad. cast. Después de Babel. Aspectos del lenguaje y la traducción, México, Fondo de Cultura Económica, 1980].

 

4. Rumo a um modelo de (auto)gestão democrática dos contenciosos

    linguísticos.

4.1. Da desaparição do latim ao triunfo do inglês.

            4.2. Modelo radial e interlíngua universal.

            4.3. Do panóptico à rede: conectividade vertical à horizontal.

            4.4. Figurações linguísticas: dos modelos oligárquicos aos democráticos.

            4.5. Comunidades linguísticas autogestionárias.

                Bibliografia:

Álvarez Cáccamo, Celso (1994): “Da biolingüística à ecolingüística: um câmbio de paradigma necessário”, in A Trabe de Ouro, nº 18, pp. 205-212. Versão em formato de hipertexto na página web <http://www.udc.es/dep/lx/>.

Aracil, Lluís V. (1983): “El racionalisme oligàrquic”, in Dir la realitat, Barcelona, Edicions Països Catalans, 1983, pp. 47-65.

—(1984): «”Lengua nacional”: ¿una crisis sin crítica?», comunicação apresentada à “Mesa redonda sobre las lenguas del Estado español”, no “Simposio sobre Innovación en la Enseñanza de la Lengua y la Literatura Española”, Madrid, junho [citamos pela trad. cat. «”Llengua nacional”: una crisi sense crítica», in Límits, nº 1, Barcelona, Empúries, novembro de 1986, pp. 9-23].

Ardrey, Robert (1970): The Social Contract: A personal Enquiry into the Evolutionary Sources of Order and Disorder, Nova York, Atheneum [trad. cast. El contrato social, Barcelona, Plaza & Janés, 1979].

Auroux, Sylvain (1994): La révolution technologique de la grammatisation, Lieja, Mardaga.

AA.VV. (1999): Teoría de los polisistemas, Madrid, Arco.

Beer, Stafford (1974): Desighing Freedom [trad. cast. Diseñando la libertad, Mèxic, Fondo de Cultura Económica, 1977].

Bentham, Jeremy (1791): Panoptic, Londres [trad. cat. El panòptic, Barcelona, Ed. 62/ Diputació de Barcelona, 1985].

Bobbio, Norberto (1984): Il futuro della democrazia, Torí, Einaudi [trad. cast. El futuro de la democracia, Barcelona, Planeta-De Agostini, 1994].

Branchadell, Albert (1997): Liberalisme i normalització lingüística, Barcelona, Empúries.

Calaforra, Guillem & Ferrando, Pol (2000): «Conflicte de llengües i conflicte de valors —aspectes teòrics del liberalisme lingüístic». Comunicação apresentada ao 17. Deutscher Katalanistentag -- Westfalische Wilhelms-Universität Münster (6-8 abril). Versão provisória do artigo em formato de hipertexto consultável na pàgina web <http://www.uv.es/~calaforr/index2.html>.

Comenius, J. A. (1657): Didactica Magna, Amsterdam, Laurentius de Geer. [trad. Port. Didáctica Magna. Tratado da arte universal de ensinar tudo a todos. Fundação Calouste Gulbenkian, 30 Ed. Lisboa, 1985; trad. cast. Didáctica magna, México, Porrúa, 1976].

Elias, Norbert (1970): Was ist Soziologie?, Munic, Juventa [trad. cast. Sociología fundamental, Barcelona, Gedisa, 1995].

Ellis, Richard & McClintock, Ann (1990): If you take my meaning. Theory into practice in human communication [trad. cast. Teoría y práctica de la comunicación humana, Barcelona, Paidós, 1993].

Foerster, Heinz von (1984): «Principles of Self-Organization in a Socio-Managerial Context», in Ulrich, H. & Probst, G. J. B. (comps.), Self-Organization and Management of Social Systems, Berlim, Springer, pp. 2-24 [trad. cast. in Las semillas de la cibernética: Obras escogidas, Barcelona, Gedisa, 19962, pp. 138-169].

Foucault, Michel (1975): Surveiller et punir, Paris, Gallimard [trad. port. Vigiar e punir: nascimento da prisão, Vozes, Petrópolis, 1996;  trad. cast. Vigilar y castigar, Mèxic, Siglo XXI, 1976].

Guespin, L. & Marcellesi, J. B. (1986): «Pour la glotopolitique», in Langages, nº 83, Paris, setembro, pp. 5-34.

Hobbes, Thomas (1651): Leviathan or the Matter, Form and Power of a Commonwealth Eclesiastical and Civil [trad. port. Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. Impr. Nac.-Casa da Moeda, Lisboa, 1999; trad. cast: Leviatán o la materia, forma y poder de una república, eclesiástica y civil, México, Fondo de Cultura Económica, 1940].

Kymlicka, Will (1995): Multicultural citizenship. A liberal theory of minority rights, Oxford, Clarendon [trad. cast. Ciudadanía multicultural. Una teoría liberal de los derechos de las minorías, Barcelona, Paidós, 1996].

Locke, John (1690): Treatises of Civil Government [trad. cast. do segundo tratado: Ensayo sobre el gobierno civil, Madrid, Alba, 1987].

Mosterín, Jesús (1992): «La normalización lingüística», in El País, 10-VI-1992.

Steiner, George (1975): After Babel. Aspects of Language and Translation, Nova York, Oxford University Press [trad. port. Depois de babel. Aspectos da linguagem e tradução, Relógio d’Água, Lisboa, 2002; trad. cast. Después de Babel. Aspectos del lenguaje y la traducción, México, Fondo de Cultura Económica, 1980].

  

5. Liberalismo libertário e cidadania multicultural.

5.1. Liberdade de associação e cidadania diferenciada.

            5.2. Culturas societárias e proteção territorial: o modelo de Kymlicka.

            5.3. A internalização da pressão minorizadora: o caso mais problemático?

            5.4. O fracasso dos modelos tradicionais na política linguística.

            5.5. O Estado liberal e libertário em matéria de política linguística.

            5.6. Da macropolítica à micropolítica linguística.

            5.7. Culturas políticas e reivindicação dos direitos civis em matéria linguística.

5.6. Do patriotismo constitucional à cidadania supra-estatal: é possível um

       cosmopolitismo sustentável?

            5.7. Rumo a uma sociedade linguísticamente convivencial. 

Bibliografia:

Almond, Gabriel A. & Verba, Sidney (1963): The Civic Culture, Londres, Princeton University Press [trad. cast. La cultura cívica, Madrid, Euramérica, 1970]. 

Álvarez Cáccamo, Celso (1994): “Da biolingüística à ecolingüística: um câmbio de paradigma necessário”, in A Trabe de Ouro, nº 18, pp. 205-212. Versão em formato de hipertexto na pàgina web <http://www.udc.es/dep/lx/>.

Bastardas, Albert (2000): «De la “normalització” a la “diversitat” lingüística: cap a un enfocament global del contacte de llengües», in Revista de Llengua i Dret, nº 34, Barcelona, Escola d’Administració Pública de Catalunya, dezembro pp. 151-168.

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[1] Lluís V. Aracil (1983): “Quina sociolingüística?”, in Dir la realitat, Barcelona, Edicions Països Catalans, pp. 67-74.

[2] Josep J. Conill (2001): “La noció de ‘conflicte lingüístic’ segons Benvenuto Terracini”, in Estudis de Llengua i Literatura Catalanes/XLII, Montserrat, Publicacions de l’Abadia de Montserrat, p. 307.

[3] Ernesto Sábato (1953): Heterodoxia [reed. in Hombres y engranajes-Heterodoxia, Madrid, Alianza Editorial, 1973, p. 109].

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UMA VELHA REFLEXÃO, TALVEZ IMPERTINENTE

ANTÓNIO GIL HERNÁNDEZ

(Intervenção na mesa redonda. 27 de Novembro, Galeria Sargadelos)

 

Não sei se virá muito ao caso, mas, como vou velho, assistem-me todas as escusas para recuar ou evocar ou lembrar, morrinhento, no tempo e mesmo no modo.

No núm. 178 (semana de 26 de Fevereiro a 4 de Março de 1982), A nosa Terra publicava-me a "Conclusóm" [sic] a uns Apontamentos sobre a ortografia do galego, que, ao seu pedido, apareceram semanalmente desde o núm. 164 (13-19 de Novembro de 1981).

Entendo que ainda tem atualidade e que mesmo não discorda do tema proposto para este "seminário". Contudo, reelaborei no texto, entre outros elementos, o uso dos "abstratos@" que mudo pelos "concretos" correspondentes, assim como a ortografia e palavrinhas (ou mais bem palavrões), como "Poder" (em maiúsculo), quando referido ao "Reino de España" (ambas iniciais também em maiúsculo), e expressões, como "cultura galega", quando hoje considero que deve dizer-se "cultura lusófona (da Galiza)".

Que tempos!: Então assinava "Membro da Asociaçóm [sic] Galega da Língua". A dedicatória soava destarte:

«Para os que, falando ao seu jeito, / mantiverom vivo o galego / a homenage humilde da minha admiraçóm e solidaridade.» [sic]

Diz o texto, reelaborado:

Amigo leitor, chega a hora da despedida. Redijo-a com morrinha, com saudade, com um sentimento que não sei como descrever. Espero que o exposto nestes artigos não se torne em pregar aos peixes. Esta esperança e só ela faz-me confessar (são confissão as linhas que seguem) as teses finais (ou "princi­pais") destes apontamentos sobre a ortografía para as falas galegas:

0. As teorizações sobre a escrita estão ainda por delinear-se com jeito. Há apenas apontamentos. Os linguistas até agora "esqueceram" quase a completo esta vessante da língua.

0.1. Neste estado civilizacional, a escrita não é sistema secundário, quer dizer, simples procedimento para transcrever a fala.

0.2. A escrita corresponde-se com a fala, mas, como a fala, é produto social, desenvolvido na história.


0.2.1. Fala e escrita, enquanto produtos sociais, devem definir-se pragmaticamente, quer dizer, a teor do processo produtivo em que tomam "corpo" através do tempo.

0.2.2. São, antes de mais, "corporização" de processos culturais (culturizadores, desculturizadores ou transculturizadores), que, por sua vez, se correlatam com os outros processos produtivos a constituírem as redes comunicacionais, solidárias da sociedade.

0.3. Entendo por cultura o conjunto de hábitos condutuais, também e so­retudo os linguísticos, dos membros de um grupo ou subgrupo humano.

0.3.1. Nela se emarcam os produtos sociais que chamamos fala e escrita.

0.3.2. O Poder institucionalizado, o Estado, tenta dirigir e fruir na sociedade a cultura e, se for o caso, suprimi-la com o único objetivo de se continuar como tal Poder, como Estado.

0.3.3. Por vezes o Povo alcança a ultrapassar essa eiva quer se impondo ao Poder, quer corrigindo as suas argúcias.

0.4. Dessarte, a cultura pode considerar-se processo e resultado conflituosos na história.

 

1.0. Noutro tempo a sociedade galega dispunha duma cultura de que ficam restos em maior ou menor grau, segundo zonas e, por conseguinte, segundo grupos humanos assentes no território espanhol da Galiza.

1.0.1. O Poder espanhol, o "Reino de España" não assumiu nem assume a cultura lusófona da Galiza, hoje fragmentada em três "Comunidades Autónomas".

1.0.2. É por isso (mas não só) que a sociedade galega, em conjunto, está a sofrer um processo forte de definhamento cultural ou de transculturação.

1.1. Não tem de estranhar, a teor do que dito, que no segmento do "Reino de España", denominado "Comunidad Autónoma de Galicia", alguns elementos promovam alguma parcela cultural "galega", em todo o caso, desconjuntada das outras.


1.2. Contudo, deve estranhar ainda menos o facto de a cultura lusófona da Galiza poder degradar-se definitivamente e desaparecer, dado o grau de esgaçamento entre os diferentes processos culturais na sociedade galega.

2.0. É comumente admitido que as falas galegas realizam o mesmo diassistema linguístico que as portuguesas, brasileiras e PALOPanas: todas integram a língua histórica conhecida mundialmente pelo nome de português.

2.1. O "Reino de España", na Galiza espanhola, tem oficializado outra língua histórica, a castelhana, língua hoje nacional desse Reino.

2.1.1. A teor do assinalado em 1.1., alguns elementos do Reino na "Comunidad Autónoma" talvez promovam o idioma galego, mas apenas se a língua nacional, a castelhana, não declina nem mingua.

2.1.2. A sociedade galega, em processo de definhamento cultural, talvez esteja em disposição de ainda se fundar no idioma que verificam as falas com que se comunicam os seus integrantes. Mas na situação atual só cabe prever que o faça dum jeito progressivamente definhado.

2.2. Tudo o anterior induz a reconhecer que nos factos historiáveis (!), sob o controlo das instituições do Reino, a língua castelhana esteja a substituir as falas galegas.

3.0. O acima exposto pode ser referido aos âmbitos tanto da fala quanto da escrita, enquanto produtos sociais.

3.0.1. Se quisermos medir por elas a cultura lusófona da Galiza espanhola no momento histórico presente, deveríamos concluir, se calhar, que não há ainda nenhuma conclusão definitiva, quer dizer, que o processo substitutório ainda não está fechado.

3.0.2. Sem dúvida o momento atual é instável e aberto, embora cheio de dificuldades, para o português da Galiza, e de facilidades, para o castelhano do "Reino de España".

3.1. O "Reino de España" tenta impedir o uso de português escrito na Galiza.

3.1.1. Ainda os segmentos do "Reino de España" promotores de alguma parcela cultural "galega" procuram idêntico objetivo.

3.1.2. Para o verificarem, propugnam um jeito de "galego" escrito e, simultaneamente, dificultam o emprego normal desse jeito de "galego" escrito e de qualquer outro.


3.2. A sociedade galega também está em vias de definhamento no atinente aos usos escritos da sua língua.

3.2.1. Por um lado, o "Povo" acha-se quase totalmente alheio à manobra, quando não a secunda.

3.2.2. Por outro, mesmo os grupos identificados como defensores da cultu­ra lusófona na Galiza (española), da sua valorização e expansão, duvidam se as virtualidades do português escrito se verificarão melhor seguindo a via patrocinada pelo "Reino de España" ou por outras vias: a portuguesa nédia ou uma terceira via, conformada hoje na denominada Norma Agal.

3.3.1. Se calhar, a dúvida obedece à prudência política.

3.3.2. Se calhar, a dúvida deve-se a falta de informação ou a simples desconhecimento de factos e acontecimentos mais ou menos recuados e atuais, assim como a confusão nos objetivos atingíveis.

3.3.3. Talvez seja questão de madureza de mentes, de corações e de braços: de aquilo que diziam por "ver", "procurar" e "agir".

3.4. O "Reino de España" há tempo que "viu", "procurou" e "age".

3.4.1. Haverá ainda tempo para os cidadãos galegos "verem", "procurarem" e "agirem".

3.4.2. Faço um ato de fé em que ainda há esse tempo.

Acrunha, 23 de Novembro de 2003