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PORTUGAL

Assassinato na corte

Pesquisadores portugueses comprovam que dom Jo�o VI foi envenenado com doses altas de ars�nico

A divulga��o em Portugal dos resultados de uma an�lise feita nas v�sceras de dom Jo�o VI encerra uma suspeita de 174 anos. Dois arque�logos e um m�dico-legista confirmaram que o rei portugu�s foi realmente assassinado por envenenamento. "Encontramos 130 vezes mais ars�nico no material analisado do que � poss�vel existir no organismo humano", afirma Fernando Rodrigues Ferreira, da Associa��o dos Arque�logos Portugueses. Os pesquisadores estimam que o pai do imperador dom Pedro I pesava 80 quilos e seu organismo concentrava 800 miligramas do veneno, o equivalente a 10 miligramas por quilo de peso, quantidade suficiente para matar at� duas pessoas, de acordo com o arque�logo.

Os efeitos t�xicos do ars�nico, descritos no s�culo I, foram respons�veis por grande n�mero de envenenamentos ao longo da Hist�ria, como o do imperador Napole�o Bonaparte (1769-1821). "At� o final do s�culo XIX, n�o havia diagn�stico qu�mico que comprovasse a morte por envenenamento com ars�nico", explica o legista Antony Wong, diretor do Centro de Assist�ncia Toxicol�gica do Hospital das Cl�nicas de S�o Paulo. Atualmente, � muito f�cil detectar a presen�a desse elemento no organismo, por meio de an�lises em fios de cabelo e at� nas unhas. Para que o envenenamento se tornasse menos evidente, a ponto de ser confundido com morte natural, aproveitava-se o efeito cumulativo da subst�ncia, dada em doses pequenas durante alguns dias.

Segundo os coment�rios dos cronistas da corte portuguesa, o rei de Portugal, que mudou seu governo para o Rio de Janeiro em 1808, durante as invas�es francesas, come�ara a passar mal no dia 4 de mar�o de 1826. Seis dias depois estava morto. Os boletins cl�nicos sobre a morte de dom Jo�o VI sumiram e nada mais se falou a respeito. Agora, com a comprova��o do crime, a historiografia de Portugal poder� ser revista. "A partir dessa constata��o, � poss�vel alterar as pesquisas a respeito da corte portuguesa naquele per�odo", afirma o historiador Jos� Sebasti�o Witter, ex-diretor do Museu do Ipiranga, em S�o Paulo. A morte de dom Jo�o VI desencadeou a disputa pelo poder entre seus dois filhos. De um lado, estava dom Pedro I, apoiado pelos liberais. De outro, dom Miguel e os absolutistas. Os liberais ganharam a guerra civil em 1827.

A investiga��o sobre a causa da morte do rei teve in�cio h� tr�s anos, quando um pote com os restos das v�sceras de dom Jo�o VI foi localizado pelo arque�logo Rodrigues Ferreira no subsolo de uma capela. Passados quase dois s�culos, as v�sceras formavam uma placa castanho-avermelhada com apenas 4 mil�metros de espessura. "Mas o material foi suficiente para que cheg�ssemos � conclus�o de assassinato", afirma o pesquisador.


A luta pelo trono

Com a morte do pai, em mar�o de 1826, dom Pedro I tornou-se herdeiro do trono portugu�s. Foi para Lisboa e assumiu o poder como dom Pedro IV. Mas, for�ado a abdicar em favor de sua filha, Maria da Gl�ria, de 7 anos, deixou o irm�o Miguel como regente. Voltou ao Brasil, onde ficou at� 1831. Com a imagem abalada, retornou � Europa, assumiu a lideran�a do trono contra o irm�o e o restituiu a Maria da Gl�ria. Dom Pedro I morreu de tuberculose, aos 36 anos, em 1834. Foi enterrado como general e n�o como rei.



Gleise Santa Clara



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