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12 de dezembro de 2007
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Gerações
Os sanseis

As famílias mudam-se para a região urbana
e a terceira geração chega à universidade


Naiara Magalhães

 

Paulo Vitale


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Abril no Centenário da Imigração Japonesa

Os sanseis, como são chamados os netos dos imigrantes, são os primeiros descendentes de japoneses a nascer majoritariamente na área urbana. No início da década de 60, a população nipo-brasileira das cidades já superava a do campo. Como a grande maioria das famílias que se mudaram para São Paulo e cidades do Paraná tinha pouquíssimos recursos e era chefiada por isseis e nisseis, era obrigatório que o negócio a ser montado atendesse a pelo menos dois requisitos: não podia exigir grande investimento inicial nem conhecimentos avançados de português. Assim, boa parte dos colonos passou a se dedicar ao pequeno comércio ou à prestação de serviços básicos. Nessa segunda categoria, as tinturarias foram a melhor opção.

Na década de 70, 80% dos 3 500 estabelecimentos que lavavam e passavam as roupas dos cidadãos de São Paulo pertenciam aos japoneses. "O negócio era conveniente para as famílias, porque elas podiam morar nos fundos da tinturaria e fazer todo o serviço sem precisar contratar funcionários. Além disso, a comunicação exigida pela atividade era breve e simples", diz a antropóloga Célia Sakurai. A rede de tinturarias da capital paulista tornou-se tão organizada que, em 1950, conseguiu eleger o primeiro deputado estadual descendente de japoneses do Brasil, Yukishigue Tamura. Trabalho não faltava, já que, como lembra Hirofumi Ikesaki, cuja família era dona da Tinturaria Moderna de Santana, "para irem ao cinema, os homens tinham de usar terno e chapéu; e as mulheres vestiam saias plissadas, complicadas de cuidar".

Outro ramo que prosperou entre os japoneses recém-chegados às cidades foi o do comércio de frutas e hortaliças. O trabalho com quitandas e barracas de feira era facilitado pelo contato que os japoneses urbanos tinham com os que haviam ficado no campo – os fornecedores eram, em geral, amigos ou parentes. Qualquer que fosse a atividade escolhida pela família, porém, cabia sempre aos primogênitos a tarefa de trabalhar ombro a ombro com os pais. O costume era fruto da tradição japonesa de delegar ao filho mais velho a continuação da atividade familiar – e também da necessidade de ajudar a custear os estudos dos irmãos mais novos. Assim, enquanto os mais velhos trabalhavam, os caçulas ingressavam em cursos técnicos (como o de contabilidade, principalmente, já que era mais fácil lidar com números do que com o português). No que se refere às faculdades, as preferidas eram engenharia, medicina e direito, que garantiam dinheiro e prestígio social. Em 1958, os descendentes de japoneses já representavam 21% dos brasileiros com formação acima da secundária. Em 1977, eles, que eram 2,5% da população de São Paulo, somaram 13% dos aprovados na Universidade de São Paulo, 16% dos que passaram no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e 12% dos selecionados na Fundação Getulio Vargas (FGV).

Os reflexos da crise econômica da década de 80, mais as conseqüências do Plano Collor e a demanda do Japão por mão-de-obra, fizeram com que, entre 1980 e 1990, cerca de 85 000 japoneses e descendentes residentes no Brasil decidissem tentar a vida do outro lado do mundo. Em busca de um futuro que não enxergavam aqui, eles lotaram as linhas de produção das fábricas japonesas, dispostos a trabalhar duro e voltar mais prósperos para a terra natal – mais ou menos como haviam feito seus antepassados no início daquele século.

 

Quem são: netos dos imigrantes japoneses

Quantos são: 41% da comunidade nipo-brasileira

Miscigenados*: 42%

Faixa etária: menos de 50 anos

Profissões mais comuns: profissionais liberais das áreas de exatas e biológicas

* Têm pelo menos um ascendente não-japonês

Fonte: "Pesquisa da população de descendentes de japoneses residentes no Brasil" (1988), Célia Oi, historiadora


1 Adriana Ogata (34 anos) – 2 Alex Hanazaki (33 anos) – 3 Alyne Kumasaka (22 anos) – 4 Karina Okamoto (20 anos) – 5 Fausto Kendi (41 anos) – 6 Andrea Furushima (33 anos) – 7 Fernanda Takai (36 anos) – 8 Fumiko Ito (46 anos) – 9 Fausto Shiraiwa (31 anos) – 10 Erika Yamauti (31 anos) – 11 Glenda Yamauti (26 anos) – 12 Jum Nakao (41 anos) – 13 Sheila Nakamatsu (22 anos) – 14 Mika Takahashi (19 anos) – 15 Cynthia Iwanaga (16 anos) – 16 Celso Kamura (48 anos) – 17 Key Sawao (43 anos) – 18 Raquel Uendi (29 anos) – 19 Hélio Matsuda (47 anos) – 20 Renata Koike (23 anos) – 21 Taiane Tanaka (25 anos) – 22 Letícia Sekito (32 anos) – 23 Sabrina Sato (26 anos)



 

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