• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Crítica » Crítica: Filme Rio, eu te amo é apenas mediano Terceiro da franquia em homenagem a metrópoles como Nova York e Paris, longa estreia nesta quinta-feira (11), trazendo elenco e time de diretores de primeira

Tatiana Meira

Publicação: 09/09/2014 11:58 Atualização: 10/09/2014 14:50


Em cena, Fernanda Montenegro e Eduardo Sterblitch. Crédito: Warner Bros/Divulgação
Em cena, Fernanda Montenegro e Eduardo Sterblitch. Crédito: Warner Bros/Divulgação

Nem o time estelar de atores e diretores reunidos na mesma produção salva o filme Rio, eu te amo, que faz sua estreia mundial nos cinemas nesta quinta-feira (11). Com assinatura da Conspiração Filmes, o terceiro longa da série Cities of love, que já se debruçou sobre Nova York e Paris, também não é de se jogar fora. Há imagens belíssimas da Cidade Maravilhosa e seus cartões-postais, momentos ora emocionantes ora engraçados, mas falta algo para amalgamar as histórias curtas, com personagens que se repetem em mais de uma situação.

É assim com Eduardo Sterblitch (Os penetras), o comediante, que é praticamente engolido pela atuação sempre impecável e convincente de Fernanda Montenegro. Ela é Dona Fulana, no curta homônimo dirigido pelo genro Andrucha Waddington, em que interpreta uma professora que virou moradora de rua. Não por necessidade, mas por gostar da liberdade de não ter uma casa e contas para pagar. Ponto positivo para a regravação de Copo vazio (de 1973), por Chico e Gilberto Gil, numa versão de derreter o mais duro dos corações e feita especialmente para o filme.  Eduardo aparece de novo em outro curta, quando vive o aluno atrapalhado da professora de inglês interpretada por Cláudia Abreu.

O troféu de mais polêmico dos trechos de Rio, eu te amo vai para Inútil paisagem, de José Padilha. O diretor de Tropa de Elite escolheu o protagonista de seu maior sucesso cinematográfico, o baiano Wagner Moura, para encarnar um homem em crise existencial – após levar um passa fora da amada Clara, Cléo Pires numa ponta que vai deixar muito marmanjo de queixo caído.

Revoltado com seu destino, ele salta de asa delta e trava o diálogo mais transparente do filme, justo com o Cristo Redentor. Por achar o teor da conversa crítico em excesso (dos palavrões a uma banana que ele dá para a estátua, além de falar que lá embaixo a polícia mata todo mundo e quando chove alaga tudo!), a Arquidiocese do Rio – que detém o direito de imagens sobre o monumento – chegou a censurar a parte de Padilha na franquia. Mas decidiu voltar atrás.

Carlos Saldanha, brasileiro aclamado pelas animações que levam sua assinatura no exterior (inclusive as sequências da ararinha azul Blu, em Rio e Rio 2), conta a história de amor entre dois bailarinos no elenco do Theatro Municipal. Rodrigo Santoro pouco fala durante sua aparição, mas deve arrancar suspiros da plateia feminina vestido de malha preta na sala de ensaio. A sortuda a contracenar com o galã é a bela Bruna Linzmeyer, com seus faiscantes olhos azul-esverdeados. Mas na hora deles dançarem mesmo, o que se vê é a silhueta de um casal contra uma parede branca, numa das cenas mais poéticas de Rio, eu te amo.

Confira o roteiro de cinema no Divirta-se

O espectador ainda assiste às sequências dirigidas por John Turturro, na qual ele contracena com a atriz e cantora , Vanessa Paradis, esposa de Johnny Depp; pelo sul-coreano Im Sang-Soo, que imagina um vampiro na favela e ainda junta o estereótipo da mulata e do samba; o italiano Paolo Sorrentino, que decepciona depois de ter feito o elogiado A grande beleza; a libanesa Nadine Labaki (num curta fofinho, que vai fazer rir quem tem filhos pequenos, embora nos deixe impotentes diante da realidade da pobreza); Guillermo Arriaga; Stephan Elliott (de Priscilla, a rainha do deserto); Vicente Amorim (que faz uma ponta e assina as cenas que interligam os curtas) e, por fim, o aclamado Fernando Meirelles (Cidade de Deus), que comanda Vicent Cassel como um escultor nas areias da praia de Copacabana. Talvez o toque de genialidade de Rio, eu te amo.

No balanço geral, um filme mediano, que às vezes ganha ares de Sessão da Tarde, e em outros instantes, o brilho que um filme de qualidade mereceria, independentemente do país ou nacionalidade que estivesse retratando.

Assista ao trailer de Rio, eu te amo:

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.