O primeiro show no Circo Voador

mazzer circoO primeiro show no Circo Voador a gente nunca esquece!! E eu não estava só… Quando pensamos em unir forças, pensamos em criar uma espécie de movimento criador… um movimento de atitude, ante essa onda de discriminação, preconceito, ódio, falta de respeito, falta de amor, falta de brilho, falta de gentileza, falta de delicadeza, falta de generosidade… Não seríamos os primeiros, nem os únicos, a gente sabe… mas isso não vem ao caso. Foi da união destas forças: Simone Mazzer, Buraco da Lacraia, Johnny Hooker, Pablo Falcão e Circo Voador, que nasceu este DESBUNDE GERAL. Foram dois shows incrívies, uma participação memorável do Buraco da Lacraia Cabaré on Ice, muita música e um clima de festa incrível que invadiu a madrugada carioca. Este dia entrou pra nossa história. Foram muitos dias de preparação, uma dedicação intensa onde as produções e equipes se desdobraram para que o evento tivesse o reconhecimento merecido. Nossa missão enquanto artistas, era comunicar isso tudo. Dizer que nossa família existe independentemente de qualquer rótulo, que somos todos homens, mulheres, trans, bi, homo, hetero, humanos, bichos, mineiros, franceses, brasileiros, sirios… Acredito que a gente tenha conseguido. Que o desbunde não pare.Que todos nós tenhamos, cada vez mais, coração, ouvidos e olhos livres.

Simone Mazzer

Elogiada por jornalistas e artistas, cantora prepara turnê e CD patrocinados pela PETROBRAS

“O Brasil precisa de Simone Mazzer”

Ronaldo Bastos, compositor

“Mazzer se porta em cena como um furacão que arrasta para si as atenções da plateia ao longo das 18 músicas que formam seu roteiro de espírito indie”.

Mauro Ferreira, crítico

Quando ouviu Simone Mazzer cantar “Babalu” na gravação do “Som Brasil” que homenageou Angela Maria, Fafá de Belém não disfarçou a surpresa com a voz potente da cantora. Da área do palco onde se encontrava, a veterana acenava com sinais de aprovação à novata. Entusiasmada também ficou a própria Angela Maria. O mesmo vale para Ronaldo Bastos depois que o letrista a ouviu cantar num show. A ponto de Bastos incentivá-la a gravar um CD. Pois tal desejo está em vias de se concretizar. Sob o patrocínio do Programa Petrobras Cultural, a cantora entra em estúdio, em março, para gravar seu primeiro CD solo. A iniciativa também possibilitará a artista levar seu canto a seis capitais do país.

Ronaldo Bastos vai além: “Simone é o que o Brasil está precisando. Falta no mercado artista pop e ao mesmo tempo sofisticado, que cante de verdade. E Mazzer pode cantar tudo, tem equilíbrio e ousadia, canta diretamente ao coração das pessoas e não está presa a nenhuma corrente”. O entusiasmo de Bastos, Fafá e Ângela Maria é compartilhado pelo público que comparece de forma crescente aos shows que vem fazendo no Rio de Janeiro. “Intensa” e “forte” são alguns dos adjetivos ouvidos ao fim das apresentações. Tais comentários refletem o fato de a artista levar aos shows muito da experiência de atriz, aprimorada nos anos em que integrou o renomado grupo Armazém, responsável por montagens antológicas como a de “Alice através do espelho”, na qual o público participava de forma interativa. A atuação em peças como “Pessoas Invisíveis e “Inveja dos Anjos” rendeu a ela indicações aos prêmios Shell (Melhor Atriz) e APTR (Atriz Coadjuvante), respectivamente. Segundo Paulo de Moraes, fundador do Armazém, “Simone é uma artista completa. Excelente cantora. Perfeccionista e extremamente amorosa com seu trabalho e com seus parceiros, Simone quer se aproximar do coração das pessoas. Sempre consegue!”

Essa “artista completa”, que pode misturar nos shows Ithamar Assunção e Björk, teve seu interesse pela música despertado na adolescência, em Londrina (PR), por expoentes do rock inglês. Sob a conivência de um amigo, a garota ia à loja de discos onde ele trabalhava ouvir os últimos lançamentos do Police e do Sex Pistols, entre outros. Se não estivesse na loja, era certo encontrá-la nos ensaios do grupo Chaminé Batom (cujo nome foi retirado do cenário de uma ópera de Philip Glass). A vocação de cantora foi descoberta por acaso, num karaokê. O grupo não sabia que aquela jovem assídua nos ensaios escondia uma cantora. E que cantora! Simone era a lenha que faltava para a Chaminé soltar mais fumaça ainda. Com ou sem batom.

No início dos anos 90, o grupo foi ficando enxuto. O mesmo não acontecia com a agenda de shows, impulsionada pelo sucesso na rádio local de “Mente, Mente” (Robinson Borba), faixa do LP de estreia do grupo — o primeiro de Londrina, aliás, a lançar um disco. Em um show onde eram esperadas 500 pessoas, por exemplo, era comum a moçada se surpreender com 3.500 pagantes. Londrina estava ficando pequena para a Chaminé Batom e, é claro, para o talento de Simone Mazzer.

Mas é pelas mãos do teatro que a artista chega ao Rio. Tendo passado, em 1994, a conciliar o trabalho do Chaminé com o do Armazém, vem à Cidade Maravilhosa apresentar parte do repertório da companhia teatral. A artista cai de amores pela cidade (onde vive há 14 anos) e onde retoma sua porção cantora em 2004.

Depois de conciliar teatro e música anos a fio, Simone Mazzer vê que é hora de dar mais atenção ao lado cantora e está sendo produzida pela Cajá Arquitetura Cultural. Um reflexo disso é a agenda crescente de shows, nos quais apresenta novas leituras para canções consagradas — “Vaca profana” (Caetano Veloso), “Móbile” (Moska) etc – além de temas inéditos. Resgatada do Chaminé Batom, “Mente Mente” ganhou nova leitura e clipe.

O pesquisador e jornalista Rodrigo Faour chama a atenção para o cantar de Mazzer: “Simone Mazzer é uma das luzes no fim do túnel da atual MPB. Um vozeirão glorioso, uma interpretação de primeira e uma beleza fora dos padrões convencionais – em todos os sentidos.” Registros ao vivo da intérprete têm atraído grande número de internautas. E não para por aí. Ela tem shows marcados em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília e Belo Horizonte. Sem falar que o CD vai suscitar uma agenda de apresentações em novas praças. Aos poucos, o Brasil conhecerá o talento musical de Simone Mazzer. Abram alas!