PROGRAMA EFEITO SANFONA com a ORQUESTRA SANFONICA DE SÃO PAULO EM 2009

Fontes: Portal G1 – rede globo de televisão e abaixo.

Veja como obter mais informações sobre dietas, alimentação saudável e exercícios

Ambulatório de Obesidade Infantil do Hospital das Clínicas São Paulo
Sandra Villares – médica endocrinologista
E-mail: smvillar@usp.br

Cuidados na hora da cirurgia bariátrica
Luiz Vicente Berti – médico-cirurgião do Hospital das Clínicas de São Paulo
E-mail: luizvicente.berti@obesidadeemetabolica.com.br

Grupo de Estudo e Tratamento dos Obesos (Gesto), da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo
E-mail: cratod@saude.sp.gov.br

Instituto de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Os pesquisadores do instituto procuram voluntárias para estudo de emagrecimento.
E-mail: perdadepeso.ufrj@yahoo.com.br

Márcia Braz Rosseti – fisioterapeuta
Participa de um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais sobre obesidade infantil.
E-mail: mbrossetti@gmail.com

Orquestra Sanfônica de São Paulo
E-mails: aqservicos@uol.com.br / evaldo@sanfonica.com.br

Terrapia
Escola de comida viva que funciona na Fundação Oswaldo Cuz (Fiocruz), no Rio de Janeiro
Site: www.ensp.fiocruz.br/terrapia
Clique aqui e confira a programação de seminários de comida viva para o segundo semestre de 2009.  
E-mail: terrapia@ensp.fiocruz.br

Linhaça combate o efeito sanfona

Fibra promove a saciedade e ajuda a reduzir a ingestão de alimentos. Repórter testou a dieta e perdeu 3,2 quilos em um mês.

GUACIRA MERLIN Rio de Janeiro e São Paulo

"Ultimamente só estou usando camisa de bolinha", conta o músico João Baumman, apontando para a própria barriga.

"Eu perdi todas as minhas roupas, porque engordei bastante este ano. Eu alargo e depois tenho que diminuir de novo", conta a aposentada Maria Lourdes Rosignoli.

Você já ouviu essa conversa antes? Não é só o pessoal da música que está habituado a pequenos consertos. A obesidade já é um problema de saúde pública. 

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"Nós comemos antes, durante e depois do show", revela a musicista Regina Sbrighi Pimentel.

Comida é sinônimo de festa: macarronada, doces, churrasco com os amigos. Nesse ritmo, nosso corpo muda de forma. É o efeito sanfona. Há quem pense que essa é uma preocupação só das mulheres. Errado. Os homens também sofrem. Afinal, a maioria dos brasileiros está com excesso de peso. Não adianta esconder.

"Eu engordava e emagrecia. Engordava e emagrecia", lembra a dona de casa Ivani Benedetti de Oliveira.

Por detrás da sanfona, sempre existe uma história de vai e vem na balança.

"O efeito sanfona é observado quando a pessoa realiza dietas da moda. São dietas muito restritivas, que promovem uma perda de peso rápida. Mas a manutenção desse peso adquirido não ocorre", diz a professora de nutrição Glorimar Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A comerciante Áurea Barcellos conta os tipos de dieta que já fez: "Eu passava o dia todo tomando abacaxi. Já fiz a dieta dos pontos e a dieta da sopa. Também tem outra dieta da sopa: deu sopa, come tudo".

Contra os males do excesso de peso, mulheres unidas. De um lado, aquelas que estão cansadas do engorda e emagrece. Do outro, as nutricionistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Juntas, estão testando os efeitos da linhaça no combate à obesidade.

"Cada participante da pesquisa recebe um plano alimentar individualizado, que ela deve seguir durante três meses. Fazemos consultas quinzenais, quando elas recebem os suplementos alimentares", explica Glorimar Rosa.

É neste momento que entra a linhaça. São três tipos. "A linhaça dourada apresenta uma maior quantidade de ômega-3 e ômega-6 em comparação com a linhaça marrom integral e a linhaça marrom desengordurada. Ela tem mais gorduras poliinsaturadas, que são benéficas, protetoras do nosso coração", esclarece Glorimar Rosa.

Parte desse grupo recebe óleo de peixe misturado com doce de morango sem açúcar, que também é rico em ômega-3 e 6.

"São três colheres medidas todos os dias, no café da manhã. Vocês podem passar na torrada ou no biscoito", orienta a professora de nutrição Sofia Kimi Uehara, da UFRJ.

"Com geléia de morango enriquecida com óleo de peixe, vemos exclusivamente o efeito do óleo de peixe nos fatores de risco cardiovasculares", diz Glorimar Rosa.

Todos os meses, elas repetem vários exames: colesterol, quantidade de açúcar no sangue, peso, medidas. Em três meses, a costureira Elenice Amorim passou do manequim 48 para o 42 em três meses.

Quem diria que o primeiro efeito para a ex-passista Eliane dos Santos Silva, de 43 anos, seria um novo ritmo de vida? "Eu perdi dez quilos em três meses", conta.

"Aos 35 anos, eu estava bem mais velha do que com 40. Minha autoestima era baixíssima. Quando o filho começa chamar a mãe de gorda e você percebe que o olhar do marido não é o mesmo, você não consegue se ver no espelho", avalia a dona de casa Andréa Rodrigues de Menezes.

"Para mim, a linhaça foi o início de uma vida saudável", diz a enfermeira Fatima Camello.

Quem nunca começou uma dieta e desistiu logo depois? No corre-corre de todos os dias falta tempo para se preocupar com a alimentação e sobram tentações. As mulheres com quem nós conversamos já venceram esse desafio. Chegou a minha vez. Durante um mês, eu experimentei essa dieta. Primeiro, os exames. Uma bateria deles. Foram cinco coletas de sangue. Em seguida, comecei a dieta. E comecei comendo. A ideia foi usar a farinha de linhaça para espantar a fome.

"Ela é um dos alimentos mais ricos em fibras. Essa fibra promove a saciedade no café da manhã e ajuda a paciente que quer emagrecer a reduzir sua ingestão alimentar ao longo do dia", explica a nutricionista Wânia Lúcia Araújo Monteiro, da UFRJ.

"Você pode misturar no iogurte, no leite ou em um suco de fruta", orienta a nutricionista Grazielle Huguenin.

Aí que está a grande dificuldade e o meu maior desafio: como seguir essa dieta em um ritmo de trabalho intenso, como é o ritmo de muita gente no dia a dia?

"Você poderia fazer um sanduíche com pão integral, substituindo o arroz, uma cenoura ralada, alface e peito de frango grelhado", diz Grazielle Huguenin.

Foi assim eu adotei a lancheira. Mas não é tão fácil. Recusar delícias como pizza é uma desfeita! No quinto dia da minha dieta, estávamos em um hotel em São Paulo. Eu não podia nem pensar em comer muitas coisas do café da manhã. Optei por um copo de leite desnatado, um pãozinho e queijo. Escolhi uma fatia bem gordinha para ficar feliz. Aonde eu ia levava um copinho com a medida de farinha de linhaça.

Mas e quem resiste a um pão quentinho? Do total de brasileiros, 66% confessam que ir à padaria é o melhor programa para as horas de lazer. Foi o que revelou uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica nas cinco regiões do país.

"Leva um amigo, toma um cafezinho, relaxa, conversa", diz o panificador Wagner Ferreira.

E para quem faz desse lazer um ganha-pão, é ainda mais difícil manter o peso.

"Eu tenho uns 106 quilos. Não resisto. Faço umas caminhadinhas: dou uma volta na padaria", brinca o gerente de padaria José Mazzeo.

Até dona Ivani, da orquestra de sanfonas, já teve uma queda irresistível pela padaria. Adivinhem onde foi o primeiro encontro com o comerciante Manuel de Oliveira?

"Ele trabalhava na padaria e sabia que eu gostava de sonho. Cada vez que meu pai ia lá comprar um doce, meu sonho ia em cima", lembra dona Ivani.

Recuse o primeiro prato quem nunca tentou agradar com comida. "Comida tem uma relação emocional muito importante. Aprendemos de pequenininho que é feio deixar comida no prato. Aprendemos que se comemora comendo. Aprendemos que quando estamos tristes comemos alguma coisa. Existem famílias que começam o domingo à mesa e fica até sete horas no mesmo ambiente", diz o médico-cirurgião Luiz Vicente Berti, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O amor entre dona Ivani e seu Manuel é o mesmo dos tempos da padaria. "Eu estava bem magrinha, com 54 quilos. Ele me chamava de bacalhau, porque eu era muito magra", conta dona Ivani.

"Eu não lembro mais", disfarça seu Manuel.

Mas quem vê esse casal feliz nem imagina que, além da dificuldade em controlar o próprio peso, ainda é preciso enfrentar um grave transtorno alimentar dentro de casa. Com a filha, a veterinária Ana Paula de Oliveira, a questão do peso chegou ao extremo.

"Eu olhava para a comida e virava a cara e falava que não queria. Quanto mais magra eu ficava mais eu me via gorda. Eu me via gorda mesmo. Obesa mórbida. Quando descobriram que eu tinha anorexia, eu fui para o tratamento com 38 quilos", lembra Ana Paula, que está fazendo pós-graduação. "Eu estava precisando de alguma coisa para me distrair, com a qual eu me mantivesse ocupada. Então, dois gatinhos vieram e agora estou cuidando deles", conta.

Estudando e cuidando dos gatinhos, ela se fortalece dia após dia.

"Eu tenho a sorte de ter uma mãe que só faltou se algemar comigo para me vigiar", diz Ana Paula.

"Nós duas vamos ficar sempre juntas", diz dona Ivani.

Durante a reportagem, nós conhecemos muitas histórias de superação. Depois de um mês fazendo a dieta da linhaça, voltamos ao Laboratório de Nutrição para saber se realmente mudou alguma coisa na minha saúde. Os primeiros resultados mostraram taxas normais de glicose, triglicerídeos e colesterol. Mas o teste mais temido foi mesmo o da balança. Eu perdi 3,2 quilos em um mês.

"Graças à dieta e à linhaça. Sem sombra de dúvida, a redução na ingestão de calorias contribuiu de forma importante para a redução de medidas e no peso corporal. Mas a linhaça contribuiu de forma bastante importante no controle da compulsão alimentar, reduzindo a sensação de fome", explica Glorimar Rosa.

A vendedora autônoma Dionar Rodrigues da Silva começou a dieta junto comigo e gostou dos resultados. "Eu tinha cem centímetros de cintura e hoje estou com 89. Não é igual aos regimes malucos que eu comecei a fazer e davam resultado, mas era momentâneo. Em pouco tempo eu fiz a dieta e agora estou vendo o resultado. É um reloginho: todo dia tenho que tomar linhaça. É ótimo", diz. É um adeus ao efeito sanfona.

Veja como preparar o pão integral de trigo com linhaça

Receita ajudou o padeiro Ricardo Gonzalez a sustentar a família.

Grande vantagem, segundo Ricardo Gonzalez, é que a massa não precisa ser sovada. Linhaça ajuda a prevenir o envelhecimento precoce e as doenças degenerativas.

Ingredientes:

- 2,5 xícaras (chá) de farinha de trigo branca que deve ter um teor de proteína entre 9% e 12%. Esta informação consta no rótulo do produto.
- 1 xícara (chá) de farinha de trigo integral, de preferência grossa. Pode-se utilizar a farinha de centeio como substituta, mas a massa do pão fica um pouco mais úmida.
- 1 colher (sopa) de sementes de linhaça
- 2 colher (sopa) de farinha de linhaça. Pode-se adquirir pronta, mas o ideal é obtê-la na hora, triturando as sementes
- 1,5 xícara (chá) de água mineral em temperatura ambiente
- 5g ou meio pacotinho de fermento biológico liofilizado seco, de preferência importado da Turquia. O produtor é importado e embalado no Brasil por marcas nacionais.
- 1 colher (chá) – ou menos – de sal marinho. Em casos específicos de dietas com restrição de sal, pode-se até omitir esse ingrediente.

Modo de Fazer:

Em uma bacia, de preferência de inox, misture bem os ingredientes secos (farinhas e fermento). Deixe o sal de lado, porque ele pode cortar o efeito do fermento.

Após esta etapa, adicione água mineral em temperatura ambiente, mexendo bem com uma colher de inox. O ideal é usar uma batedeira, em velocidade média, por cinco minutos. A mistura deve ficar úmida, sem, no entanto, haver água em excesso. Se ficar muito seca, adicione um pouco mais de água, mas muito pouco, e aos poucos. Se ficar muito úmida, com sobra de água no fundo da bacia, adicione um pouco de farinha e vá corrigindo também aos poucos. Ao fim desta etapa, adicione uma colher (chá) de sal marinho incorporando-o à massa.

Agora, você deve adicionar duas colheres (sopa) de farinha de linhaça. Quem não tiver farinha de linhaça pode triturar a linhaça em casa no liquidificador. Depois, coloque uma colher (sopa) de semente de linhaça. Quem não quiser usar a farinha de linhaça pode usar só os grãos, mas deve, então, colocar duas colheres de semente de linhaça, em vez de uma.

Com a massa pronta, cubra a bacia com um pano levemente úmido ou com um prato, e deixe descansar à temperatura ambiente por 18 horas – nem mais nem menos. Se deixar mais tempo, haverá fermentação excessiva, e o pão ficará com gosto de cerveja. Se deixar menos tempo, o pão perderá em estrutura física, aroma e sabor.

Após as 18 horas, pré-aqueça o forno a 290ºC-300ºC por 15 a 20 minutos. Enquanto isso, unte as formas, utilizando manteiga (de preferência, sem sal) para cobrir todas as paredes internas da forma. Em seguida, polvilhe com farinha e retire o excesso. Se preferir, utilize formas antiaderentes, evitando, assim, o trabalho de untar e enfarinhar as mesmas.

Coloque a massa de pão nas formas, procurando cobrir até 2/3 da altura das paredes laterais ou pouco acima da metade. Adicione, ao topo da massa, meia colher de sopa de sementes de linhaça para cada forma.

Coloque as formas dentro do forno pré-aquecido por 45 minutos. Verifique o pão no forno. A crosta superior deve estar dura, bem firme, e o pão escuro, em tom dourado. Retire as formas. Espere de cinco a dez minutos e retire das formas com cuidado. Deixe os pães esfriarem sobre a grade superior do fogão por pelo menos 25 minutos antes de consumi-los.

Dicas:

Este pão dura de três a cinco dias, em temperatura ambiente, fora da geladeira. Na geladeira, conserva-se por até dez dias. E, no freezer, por três meses. Caso tenha congelado o pão no freezer, retire-o pelo menos de 15 a 20 horas antes de consumi-lo.

Ele fica delicioso se fatiado com uma boa faca de pão, em fatias finas, e deixado tostar em torradeira ou no forno caseiro por três a cinco minutos. É muito saudável substituir a manteiga por um fio de um bom azeite de oliva!

Veja como preparar o filé de pescada

Receita faz parte do cardápio ensinado pelo Grupo de Estudos e Tratamento do Obeso (Gesto), em São Paulo.

Aprenda a fazer filé de pescada A receita de filé de pescada preparada pelo Grupo Gesto, de São Paulo, leva uma cebola, alho picado, tomate, óleo, azeitona, molho shoyo, limão, caldo de peixe e filé de pescada.

Ingredientes:
1 cebola grande em rodelas
alho picado
2 tomates em rodelas
2 colheres de sopa de óleo
1 xícara (café) de azeitona picada
2 colheres (sopa) de shoyu
suco de dois limões
1 copo de caldo de peixe ou de galinha
1,5kg de filé de pescada
1 colher (sopa) de azeite
sal e tempero verde picado

Modo de Fazer
Na panela, cebola, alho, tomates, óleo, tempero verde, sal e azeitonas vão para o fogo brando. Coloque os filés por cima de tudo. à parte, misture o shoyu, o suco dos limões e o caldo. Vá juntando esse molho sobre os temperos e o peixe. Quando levantar fervura, tampe e deixe por cinco minutos. Ao desligar o fogo, a panela deve continuar tampada pelo mesmo tempo. Por fim, é só colocar na travessa e servir.

saiba mais                    Comida viva emagrece e dá energia

Comida viva emagrece e dá energia

Sementes em processo de germinação e brotos dão origem a um cardápio nutritivo. Projeto em São Paulo ajuda grupo de obesos a mudar hábitos alimentares.

GUACIRA MERLIN Rio de Janeiro e São Paulo

"Nós todos somos um grupo e temos o mesmo objetivo: alcançar o emagrecimento com saúde. Assim, um ajuda o outro", conta a dona de casa Paula Verônica de Souza e Silva.

Um ritmo diferente transformou a vida e o cardápio de várias pessoas. Todos entraram na dança no Grupo de Estudos e Tratamento do Obeso (Gesto), em São Paulo, e no projeto Terrapia, projeto da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. 

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"Quando eu vi, foi como se eu tivesse um choque. Porque é uma coisa muito diferente para mim. Foi uma manhã que me estremeceu toda", lembra a dona de casa Maria Ventura da Silva, que foi sem saber ao certo o que encontraria.

"O Terrapia é um projeto social da Escola Nacional de Saúde Pública. É uma espécie de modelo de centro de saúde ao ar livre, onde as pessoas se juntam para conversar sobre saúde e cuidados ambientais. Temos como modo de trabalho a apresentação da culinária viva", explica a médica da Fiocruz Maria Luiza Branco.

Mas, afinal de contas, o que é essa "comida viva"?

"Eu pensei: 'Não vou comer'. Na preparação do almoço a comida estava tão gostosa que eu comecei a provar. Fiquei tão encantada com tudo que voltei", conta dona Maria Ventura.

Maria Luíza é idealizadora do Terrapia. "O que temos de tão especial são as sementes germinadas. Porque alimento vivo significa sementes em processo de germinação e brotos. Depois, a culinária acontece da brincadeira com esses ingredientes", esclarece.

Dona Maria Ventura já é uma das colaboradoras do projeto. Está 12 quilos mais magra e com as taxas de colesterol, triglicerídeos e glicose bem diferentes do que os exames indicavam anos atrás. "Os triglicerídeos não baixavam nunca. A pressão e o colesterol estavam sempre altos", relata.

Agora, ela não se descuida mais. "Na última consulta, as taxas tinham baixado. Ela disse: 'Maria Ventura, continue com essa alimentação, porque suas taxas baixaram", conta a dona de casa.

Dia de festa. Uma turma encerrou o ciclo de seminários sobre comida viva. A prova final foi de encher os olhos. A professora Eloisa Helena Reis de Souza já ia aos seminários quando descobriu que estava com a taxa de glicose altíssima. "A desculpa é sempre falta de tempo. Passei para a prática quando eu vi a coisa ficar feia", diz. Assim, tomou uma decisão: "Comecei a arranjar tempo. Acordava mais cedo, fazia o planejamento das sementes. Cada semente tem seu tempinho de germinação". Ela trocou a alimentação que tinha pela comida viva. De manhã, prepara o almoço. Prato do dia: um feijão-tropeiro bem diferente, com feijão germinado. E os exames revelaram: a glicose baixou de 328 para 146 em 15 dias. "Desde que eu estou no Terrapia e comecei a alimentação viva não tomei nenhum remédio", comemora. E tem mais: "Eu emagreci oito quilos em 30 dias. Não me senti fraca, nem desanimada. Muito pelo contrário. A comida natural dá mais energia, você não passa mal".

"Os alimentos são baseados em proteínas, carboidratos, gorduras. E esse conceito nutricional vem sendo questionado por algumas pessoas, como é o caso da turma do alimento vivo. A diferença é olhar sob a ótica da vitalidade dos alimentos. Um alimento que carrega vitalidade satisfaz com mais facilidade", diz Maria Luiza Branco.

Um cardápio diferente. O pessoal de São Paulo também tem uma nova receita de vida. Eles cantam, dançam e aprendem a se alimentar com saúde. É um prazer. Em dia de feira, o grupo animado aprende a emagrecer longe dos consultórios.

"A caminhada já é um exercício. Eles encontram na feira os alimentos que vão melhorar a saúde deles. Vão em busca do objetivo deles, que é emagrecer", diz a nutricionista Maria Sueli Hilário.

Sueli é a nutricionista do Gesto, um projeto da Secretaria de Saúde do Estado. Na feira, a aula é prática. "Eles colocam em prática o que nós conversamos", acrescenta.

"Temos que olhar para a barraca de pastel e seguir. Não pode", alerta a tecelã aposentada Zilda Nascimento.

A mudança no cardápio começa bem longe da cozinha, na hora de escolher os alimentos. Uma lista de compras ajuda a não cair em tentação, garantindo na sacola só o que faz bem à saúde e não pesa na consciência. Juntos, eles aprendem a comprar os melhores ingredientes, com os melhores preços.

"Mexerica não engorda", ressalta Paula Verônica.

Fim de feira. Na volta, começa o mutirão na cozinha e sala de almoço. Hora de aprender a usar tudo em um lanche de baixa caloria: peixe, saladas e pão integral. Que delícia! E que transformação!

"Não é mais sofrimento. Agora é alegria", comemora Zilda Nascimento.

"Eu sofro de verdade, mas é um sofrimento bom. Porque sem sofrimento não vamos a lugar nenhum. Tudo com sofrimento é mais gostoso. E esses quilos que eu perdi foram com sofrimento. Eu mudei hábitos alimentares de 40 anos. Eu não comia verduras, nem frutas. Temos que persistir para alcançar um objetivo. Senão, nunca vamos conseguir. A questão é mudar hábitos alimentares, não tem jeito", revela Paula Verônica.

"O que procuramos, na verdade, desde o tempo da caverna, é carne gorda e fruta doce", observa o biomédico Eduardo Fonseca Pereira.

"Eu tinha preconceito de mim. Acho que as pessoas também tinham. As pessoas têm preconceito de gente gorda. Eu era muito reprimida. Quando me xingavam de gorda, eu chegava em casa chorando. De fato, eu era gorda. Ainda sou gorda. Mas agora não aguento mais desaforo. Agora, eu xingo", diz a artesã Lúcia Shirley Arinciotta.

"Xingar emagrece, porque não engolimos sapo", comenta Paula Verônica.

"Ser um obeso na sociedade tem um peso. Nosso trabalho é que essas pessoas percam algum peso. Mas é muito importante que elas readquiram cidadania e sejam pessoas completas", diz o psiquiatra Ezequiel Gordon.

Agora, se oferecerem alguma guloseima para essa turma... "Parece que a Sueli vem dizer: 'Pode comer de tudo, mas não pode comer tudo'", conta Paula Verônica.

De cantoria em cantoria, todas as pessoas dos dois projetos estão mais saudáveis, mais magras e felizes.

Veja como preparar feijão-tropeiro "vivo"

Prato faz parte da chamada culinária viva, que utiliza sementes em processo de germinação e brotos.

Ingredientes:
alho
azeite de oliva
1 tomate
pimentão amarelo e vermelho (um pedacinho de cada)
sal e temperos a gosto
farinha de aipim
grão germinado de feijão azuki (colocar em um vidro com água e deixar por três dias)

Modo de Fazer
Deixe o feijão de molho durante oito horas. Em seguida, escorra a água e lave cerca de cinco vezes, pela manhã e à noite. Esfregue o feijão para tirar um pouco da casca. Para preparar o tempero, comece amassando o alho. Junte duas colheres de sopa de azeite extra virgem. Acrescente salsa e cebolinha, os pimentões e o tomate cortados em cubinhos. Depois, acrescente sal e temperos a gosto. Depois, junte o feijão tropeiro e a farinha. A farinha é feita com aipim ralado ou triturada no liquidificador com um pouquinho de água. Você pode levar ao sol ou ao forno bem fraquinho, com a porta entreaberta. Teste a temperatura com mão: o ponto ideal é conseguir colocar a mão no tabuleiro.

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veja como preparar receitas que ajudam a memória

Frutas, ovos, grãos e peixes contêm substâncias benéficas ao funcionamento dos neurônios. Em consequencia, a memória é uma das funções cerebrais aperfeiçoadas.

 TORTINHA COLORIDA DE SARDINHA COM OVOS

Ingredientes:
1 lata de sardinha
2 ovos
½ cebola picada
1 colher de sopa de pimentão vermelho
1 colher de sopa de pimentão amarelo
azeite de oliva
sal, orégano e tempero verde a gosto

Modo de Fazer:
Em uma frigideira antiaderente, coloque o azeite de oliva e refogue a cebola e a sardinha com uma pitada de sal e orégano. Em outro recipiente, bata com um garfo os dois ovos, adicionando também um pouco de sal e orégano. Assim que a sardinha e a cebola estiverem bem refogadas, acrescente os pimentões e os ovos batidos. Baixe o fogo, deixe dourar de um lado e depois vire para dourar do outro. Sirva a seguir, salpicando tempero verde por cima.

Sugestão: além dos pimentões, pode-se adicionar outros vegetais, como brócolis, cenoura e tomate.

Rendimento: de 1 a 2 porções.
Propriedades nutricionais: esta receita é rica em colina e ômega-3, nutrientes essenciais para o bom funcionamento do cérebro. A colina é abundante na gema do ovo e o ômega-3, nos peixes como a sardinha, o salmão e o atum. Os vegetais, além de conferirem cor e sabor, aumentam a quantidade de vitaminas e minerais da preparação.

SUCO DE LUZ DO SOL (SUCO VIVO OU SUCO VERDE)

Modo de Fazer:
Cortar uma maçã em pedaços pequenos e tirar as sementes grandes. Colocar no liquidificador. Usar um pepino como socador para auxiliar a extrair o líqüido que mora dentro das hortaliças. Acrescentar os grãos germinados*, as folhas verdes comestíveis, o legume e a raiz escolhida na proporção indicada, variando as hortaliças sempre que possível e privilegiando as de produção orgânica. Coar em um pano e beber logo em seguida.

Legumes e raízes: cenoura, abóbora, maxixe, batata-doce, inhame, quiabo, couve-flor, abobrinha, nabo, beterraba.

*Como germinar grãos

1 – Colocar de uma a três colheres de sopa de grãos em um vidro e cobrir com água limpa.

2 – Deixar de molho por uma noite (8 horas).

3 – Cobrir o vidro com filó e prender com elástico. Despejar a água e enxaguar bem sob a torneira.

4 – Colocar o vidro inclinado em um escorredor em um lugar sombreado e fresco.
5 – Enxaguar pela manhã e à noite. Nos dias quentes, é preciso lavar mais vezes. Os grãos iniciam sua germinação em períodos variáveis. Em geral, estão com sua potência máxima logo que sinalizam, o processo do nascimento, quando ficam prontos para serem consumidos.

Sugestões de sementes:

Todas as sementes comestíveis, tanto pelo homem como pelos pássaros: girassol, painço, niger, colza, aveia, trigo, linhaça, arroz, soja, centeio, gergelim, grão-de-bico, amendoim, lentilha, nozes, castanha-do-pará, amêndoas, ervilha, feno-grego etc.

Um dos ingredientes mais importantes é a "grama" do trigo. Muito rica em clorofila, é encontrada em mercados e muito fácil de ser plantada em casa. É só comprar sementes de trigo e colocar em bandejas de isopor ou copos plásticos. Basta regar que ela brota, nem precisa de terra. O ideal é comer enquanto está verdinha, até a altura de cerca de um palmo.

Receita: Ana Branco, designer e professora da PUC-RJ

ENERGIZANTE NATURAL DE VINAGRE

Ingredientes:
1 colher rasa de mel
1 colher de vinagre
água com gás

Modo de Fazer:
Dissolver o mel no vinagre. Em seguida, adicionar a água gasosa, sem mexer, para não perder o gás.

Como alternativa à água com gás, pode-se usar água de coco ou chá verde.

Receita: Vitório dos Santos Júnior, biólogo

MOLHO DE VINAGRE PARA SALADA

Ingredientes:
1 maçã-verde sem casca e sem semente
3 colheres de vinagre de maçã
1 colher (sopa) de azeite
1 dente de alho pequeno
sal a gosto

Modo de Fazer:
Misturar todos os ingredientes e usar para temperar saladas verdes.

Receita: Vitório dos Santos Júnior, biólogo


 
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