Procuradores e delegados federais da operação Pripyat bateram à porta do diretor licenciado da Eletrobras, Valter Luiz Cardeal de Souza. Com mandados de busca e apreensão, os agentes o conduziram coercitivamente à sede da PF. O endereço devassado fica em Porto Alegre e é familiar para a presidente afastada, Dilma Rousseff.

O engenheiro é amigo pessoal da petista e tido como seus olhos e ouvidos no setor elétrico. Segue à risca a cartilha da petista. Acompanha Dilma desde quando ela comandava a secretaria de Energia do Rio Grande do Sul na década de 90. Para os investigadores, há indícios de que Cardeal se valeu das funções para as quais foi nomeado pelos governos do PT para operar um esquema de corrupção na construção bilionária da Usina Nuclear de Angra 3.

Os contratos foram superfaturados em troca do pagamento de, pelo menos, R$ 48 milhões em propina a agentes públicos e políticos do PT e do PMDB. Cardeal “teve um papel ainda não devidamente esclarecido na negociação de descontos sobre o valor da obra de montagem eletromecânica de Angra 3 com posterior pedido e pagamento de propina realizado no âmbito dos núcleos políticos e administrativo da organização, conforme relatos de diversos réus colaboradores”, analisou o Ministério Público Federal. Outras dez pessoas foram presas na operação.