Record volta atrás, cancela novela em pré-produção e anuncia que “Rebelde” é a sua nova aposta

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Planejamento a longo prazo nunca foi o ponto forte da Record, que vive dando sinais de que – no máximo – desenvolve projetos para um ano nos seus vários setores. Das reuniões da Barra Funda e do RecNov, locais onde são determinadas as atrações da grade nacional, saem decisões para os próximos meses e que podem ser revistas a qualquer momento. Foi o que aconteceu com a dramaturgia. Há dois anos a emissora divulgou em uma de suas coletivas o projeto de 3 horários para novelas inéditas, incluindo uma adaptação da Televisa. Entretanto, no início de 2010 reviu o que planejou, diminuiu a produção da dramaturgia e reservou apenas um horário para a exibição de um título inédito. “Bela, a Feia” terminou e outra baseada em texto mexicano não saiu do papel. “Ribeirão do Tempo”, original brasileiro, está atualmente em exibição.
Também no início desta ano, para abafar a polêmica envolvendo a eliminação de um horário de novelas, a Record anunciou que produziria a versão brasileira de “Cuidado con el Ángel” para o final do primeiro semestre deste ano. Dentro de 20 dias começará o segundo semestre de 2010 e agora a emissora decide que a próxima adaptação mexicana será “Rebelde”, com previsão de estreia para novembro, o que dificilmente acontecerá. O projeto contará com a autora, equipe de produção e com parte do elenco que já estavam reservados para “Vivendo o Amor”, título em português para “Cuidado con el Ángel”. Para cumprir a previsão anunciada, Margareth Boury será obrigada a trabalhar intensamente no roteiro de “Rebelde” e os diretores terão que descobrir bons atores jovens que cantem, dancem e interpretem e aceitem montar uma banda musical como no original mexicano. Esta é uma prova de que planejamento a curto prazo é o que mais funciona na Record.
Um ponto importante na dramaturgia de uma emissora é a continuidade de horário. Ou seja, quando uma novela está no ar, os diretores já sabem quais são as duas ou três próximas novelas, seus autores, diretores e protagonistas. Só assim essa indústria funciona e o telespectador não é pego de surpresa com o desaparecimento de uma faixa de novelas da grade.

Um detalhe que agora posso revelar. Quando em janeiro noticiei que a Record ficaria com apenas uma novela inédita, ouvi muitos insultos e que minha credibilidade seria destruída. Pior, como na inquisição, tentaram descobrir quem era a fonte da informação. O tempo passou e hoje acho que tenho razão.

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