Peça “Caros Ouvintes” estreia em São Paulo

Peça “Caros Ouvintes” estreia em São Paulo

Bárbara Carvalho, São Paulo

O Jornal de Teatro acompanhou, na tarde desta quinta-feira (07), a coletiva de imprensa para anunciar a estreia da peça “Caros Ouvintes”.

A pré-estreia será em 15 de agosto (próxima sexta) e a estreia oficial, no dia seguinte, 16 de agosto.

A direção e o texto ficaram a cargo de Otávio Martins, nome conhecido no teatro brasileiro, que contou com a parceria de Ed Júlio na produção do filme. O elenco é composto por Agnes Zuliani, Alex Gruli, Alexandre Slaviero, Amanda Acosta, Eduardo Semerjian, Natállia Rodrigues, Petrônio Gontijo e Rodrigo Lopez, todos estes talentos já bastante vistos e conhecidos em telenovelas de emissoras nacionais.

A Comédia é ambientada na década de 60, tendo como pano de fundo a ditadura militar. Os temas são as radionovelas e como a chegada da televisão no Brasil assustou a alguns atores que faziam sucesso na época, colocando assim, um ponto final na era das radionovelas, e iniciando o novo capítulo com as telenovelas brasileiras.

O personagem Vicente (Petrônio Gontijo), produtor de radionovela, mantém um caso amoroso com Conceição (Natallia Rodrigues) uma jovem atriz que tem a oportunidade de migrar para as telenovelas ao receber um convite do publicitário Vespúcio (Alexandre Slavieiro), causando assim, uma crise em seu romance com Vicente.

Com o convite a Conceição, Vespúcio cria diversas inimizades, com o ex-galã Péricles Gonçalves (Eduardo Semerjian), com a cantora Ermelinda Penteado (Agnes Zuliani), e a cantora decadente Leonor Praxedes (Amanda Acostas). Ele é um dos que acreditam que as telenovelas são o futuro, o que o torna “quase um vilão na trama”, brinca Otávio, diretor da peça.

O produtor Vespúcio está empenhado em fazer do último capítulo de sua telenovela um grande sucesso, e para tanto, conta com a ajuda do sonoplasta Eurico (Alex Gruli) e do locutor Wilson (Rodrigo Lopez).

Durante a coletiva, Otávio pontuou a importância de cada membro da equipe e do elenco na produção da peça. Ele conta que foram necessários dois anos de pesquisas a respeito das radionovelas e sobre a década de 60 como um todo. Já os ensaios duraram cerca de dois meses. Já nas primeiras leituras Alex Gruli começou a trabalhar em prol da sonoplastia dos programas de rádio que acontecerão na trama. “A sonoplastia é, eu diria, tão fundamental quanto um texto para a radionovela, pois você deve levar o ouvinte a construir um cenário com sua imaginação e de olhos fechados”, declarou Otávio.

O ator Alex conta que não fez curso de sonoplastia, mas pesquisou muito a respeito, buscando adereços que pudessem compor a atmosfera do trabalho de um sonoplasta desde as primeiras leituras. “Nossa intenção é levar o jovem de hoje, que vive a ‘era das imagens’, a enxergar cenários de olhos fechados” diz o diretor Otávio.

A sonoplastia da própria peça ficou a cargo de Betinho Sodré, que também fez vasta pesquisa a respeito do assunto.

O figurino e maquiagem foram feitos por Fábio Lamatami. Otávio conta que o figurino é outro elemento extremamente importante na composição dos personagens, ainda mais se tratando de uma peça de época, e diz também que esse aspecto foi muito bem administrado por Fábio. Ele cita como exemplo, que para constituir o figurino da personagem Conceição, Fábio fez uma vasta pesquisa à procura pelos tecidos necessários, e muitas vezes, teve até que encomendar algumas peças de roupas ou calçados. “A adequação não é só uma questão de beleza, mas é também uma arte” – pontuou ele.

Outro tema que também será abordado na peça, mas não de forma muito intensa, é o da homossexualidade. Haverá dois personagens homossexuais, mas ele conta que será algo do tipo “dentro do armário”, uma vez que, durante a ditadura militar, tudo era proibido.

Rodrigo Lopez, ator que irá interpretar o locutor Wilson, conta que todos os personagens também fizeram uma pesquisa bastante ampla. Ele explica que o modo de falar, de cumprimentar, de se portar em público são totalmente diferentes e necessários para transportar o espectador àquela época.

Ao serem questionados a respeito do gênero da peça, o próprio elenco e produção a categorizam como humor, porém, Rodrigo declara: “A vida é algo muito complexo para ser rotulada, logo uma peça teatral, que tem como tema a vida de pessoas também não pode ser. É uma peça de humor, mas trata outros temas.” Diz ele. Mesmo se passando na época da ditadura militar, não possui engajamento político.

O elenco e produção finalizaram fazendo o convite para que todos fossem assistir à peça que pareceu a todos os presentes, ser mais uma obra-prima e que vale a pena ser conferida.

 

Preestréia: 15 de acosto

Estreia: 16 de agosto

Temporada até 14 de dezembro

Local: MASP – Grande Auditório (174 lugares)

Endereço: Avenida Paulista, 1.578

Informações: (11) 3251-5644

Vendas: (11) 4003-1212 ou no site www.ingressorapido.com.br

Exibição: Sexta, Sábado e Domingo

Horários: Sextas às 18h e 21h | Sábados às 21 h | Domingo às 19h30

Valores dos ingressos: Sextas R$ 30,00 (18h) e R$ 40 (21h)

Recomendação: 12 anos

Duração: 90 minutos

Gênero: comédia

Site: www.carosouvintes.baoba.art.br

 

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