1994 – Lisboa Capital da Cultura

“Lisboa uma cidade em festa” foi a manchete de 26 de fevereiro do DN. “Até dezembro, Lisboa estará no centro da cultura europeia. As sete colinas serão palco de múltiplos acontecimentos culturais. Tudo mexe e ninguém pode ficar indiferente.” Acompanhado por uma foto da Torre de Belém, a notícia da abertura de “Lisboa Capital Europeia da Cultura” ocupava praticamente toda a 1ª página do DN.  “Todos os caminhos vão dar ao Coliseu para a gala de abertura com a Sinfónica de Londres e Pedro Burmester”, destacava ainda o DN, que não esquecia os “foliões” que irão encher a 24 de Julho.

Inauguração de Lisboa 94 Capital Europeia da Cultura. Da praça Marquês de Pombal, em obras, vê-se o fogo de artifício lançado do alto do Parque Eduardo VII

Inauguração de Lisboa 94 Capital Europeia da Cultura. Da praça Marquês de Pombal, em obras, vê-se o fogo de artifício lançado do alto do Parque Eduardo VII

“Imagine uma capital. E a Europa dentro dela. Imagine uma Europa. E toda a sua cultura. Lisboa convida.” Tal como o slogan prometia, Lisboa ganhou vida e não parou de 26 fevereiro de 1994 até 17 de dezembro do mesmo ano. Entre música clássica, fado, cinema, intervenção urbana, teatro, dança, exposições e música popular, durante praticamente um ano Lisboa cumpriu o seu estatuto de Capital Europeia da Cultura.

Com um orçamental 8,5 milhões de contos, cerca de 42,5 milhões de euros (verbas da Secretaria de Estado da Cultura e da Câmara Municipal de Lisboa), a Lisboa 94 Capital da Cultura apresentou números interessantes: mais de meio milhão de espetadores acorreram às 800 manifestações culturais que compuseram o programa. Porém, as receitas ficaram-se por valores inferiores à expectativa, 2,5 milhões de euros.

A cultura em Lisboa mexeu com a economia, tendo suscitado 26% por cento de crescimento nas dormidas de estrangeiros na cidade, acolheu 104 reuniões e congressos internacionais e deu origem a 1400 artigos na imprensa estrangeira.

Num balanço do evento, presidido pelo socialista Vítor Constâncio, os organizadores falaram em aposta ganha. “Correu tudo muitíssimo bem”, comentou na altura Simonetta Luz Afonso, responsável pela área das Exposições, aquela que provocou maior adesão do público – 700 mil visitantes. E aqui, uma das referências foi a exposição “As tentações de Bosch ou o Eterno Retorno”, no Museu Nacional de Arte Antiga. A música popular foi o segundo aspeto mais apreciado, com 30 espetáculos, vistos por 323 374 pessoas. Para estes números, a maior contribuição foi o concerto de homenagem a Zeca Afonso, “Filhos da Madrugada” (Estádio de Alvalade), uma das realizações mais ambiciosas de sempre no panorama musical português: 19 grupos dos mais variantes quadrantes.

Ao nível do investimento, ganhou a recuperação patrimonial , com 10 milhões de euros. Coordenada por Elísio Summavielle, a Intervenção Urbana optou pela requalificação do Coliseu e a ação realizada na Sétima Colina, que encheu de vivas cores as fachadas de 40 prédios no eixo entre o largo do Rato e o Cais do Sodré, seguindo as ruas do Alecrim, Misericórdia, São Pedro de Alcântara, Dom Pedro V e Escola Politécnica.

O título anual da Cidade Europeia da Cultura foi atribuído pela primeira vez em 1985, a Atenas, curiosamente no mesmo ano em que Portugal passou a ser membro de pleno direito da Comunidade Económica Europeia. SÍLVIA FRECHES

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